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Ctenocephalides felis
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A Ctenocephalides felis, universalmente conhecida como pulga-de-gato, é um inseto holometábolo pertencente à ordem Siphonaptera e à família Pulicidae, consolidada como o ectoparasita hematófago mais cosmopolita e de maior relevância clínico-veterinária à escala global. Embora o epíteto específico sugira uma ligação exclusiva a felídeos, esta espécie demonstra enorme plasticidade adaptativa, colonizando com idêntico sucesso canídeos, roedores, outros mamíferos silvestres e, ocasionalmente, seres humanos. Anatomicamente, estes insetos ápteros medem entre 1 e 3 mm, exibem coloração castanho-escura e possuem um corpo lateralmente comprimido que, associado a cerdas robustas retrovertidas (quetas), otimiza a locomoção célere através da densa pelagem. Desprovidos de asas, utilizam membros posteriores hipertrofiados enriquecidos com resilina — uma proteína elástica —, executando saltos vertiginosos que facilitam a sua dispersão ativa. A morfologia cefálica revela pentes cuticulares esclerosados, os ctenídios genais e pronotais, que servem de diagnóstico taxonómico inequívoco para a distinguir da Ctenocephalides canis. O seu ciclo biológico envolve uma metamorfose completa em quatro estádios perfeitamente definidos: ovo, larva, pupa e adulto. Os ovos, depositados sobre o hospedeiro, caem no meio ambiente (como tapetes, fendas e camas), eclodindo em larvas fotofóbicas que se alimentam de detritos orgânicos e do sangue digerido excretado pelas pulgas adultas. A fase de pupa ocorre num casulo de seda altamente resistente a variações térmicas e químicas, de onde o adulto emerge sob estímulos mecânicos e térmicos de um hospedeiro próximo. Além do impacto direto da espoliação sanguínea, que causa prurido severo, autotraumatismos e dermatite alérgica à picada de pulga (DAPP), a Ctenocephalides felis é um vetor biológico crucial de múltiplos patogénios. Destacam-se as bactérias Bartonella henselae (doença da arranhadura de gato) e Rickettsia felis (febre maculosa), além de ser o hospedeiro intermediário obrigatório do cestode Dipylidium caninum, tornando o seu controlo integrado uma prioridade em saúde pública.[1][2][3][4][5][6]
Referências
- ↑ «Veterinary Entomology: Livestock and Companion Animals». Routledge & CRC Press (em inglês). Consultado em 25 de junho de 2026
- ↑ Mullen, Gary Richard; Durden, Lance A. (2019). Medical and veterinary entomology 3rd ed ed. London: Academic press, an imprint of Elsevier. ISBN 978-0-12-814043-7
- ↑ Brown, Lisa D.; Macaluso, Kevin R. (23 de abril de 2016). «Rickettsia felis, an Emerging Flea-Borne Rickettsiosis». Current Tropical Medicine Reports. 3 (2): 27–39. ISSN 2196-3045. doi:10.1007/s40475-016-0070-6
- ↑ Rust, Michael (27 de outubro de 2017). «The Biology and Ecology of Cat Fleas and Advancements in Their Pest Management: A Review». Insects. 8 (4). 118 páginas. ISSN 2075-4450. doi:10.3390/insects8040118
- ↑ Brown, Lisa D. (20 de março de 2026). «From Acquisition to Transmission: Revisiting Bartonella henselae Infection in the Cat Flea ( Ctenocephalides felis )». Vector-Borne and Zoonotic Diseases. 26 (6): 305–312. ISSN 1530-3667. doi:10.1177/15303667261434140
- ↑ Balasubramanian, Sujata; Zecca, Italo B.; Koger, Allyson; Hamer, Sarah A. (15 de maio de 2026). «Rickettsia typhi, Bartonella henselae, and related zoonotic agents in fleas from domestic cats (Felis catus) from the Rio Grande Valley, Texas». Parasites & Vectors (em inglês). ISSN 1756-3305. doi:10.1186/s13071-026-07421-1
