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Cobé
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| Cobé | |
|---|---|
Primeira página do drama, edição de 1863 | |
| Autoria | Joaquim Manuel de Macedo |
| Enredo | |
| Gênero | Drama indianista |
| Personagens | Cobé, Branca, Estácio, Dom Rodrigo, Dom Gil, Agassamu, Dom Fuas |
| Atos | 5 |
| Outras informações | |
| Data da estreia | 1854 |
| Idioma original | Português |
| País | |
Cobé é um drama indianista em cinco atos, escrito por Joaquim Manuel de Macedo e encenado em 1854.[1] Ambientada no Rio de Janeiro, "nos primeiros tempos da época colonial", a peça narra o amor não correspondido do índio Cobé pela fidalga Branca, prometida em casamento a Dom Gil por seu pai, Dom Rodrigo, mas apaixonada por outro homem, Estácio.[2]
Assim como O Cego, Cobé foi apontada pela crítica, incluindo Machado de Assis, como uma das peças de maior vigor dramático de Macedo.[3]
Enredo
A peça se estrutura em cinco atos. No primeiro ato, revela-se o amor de Cobé pela fidalga Branca e o desprezo da matriarca indígena Agassamu, mãe de Cobé, pela indolência do filho diante das guerras então travadas entre indígenas e portugueses. No segundo ato, Cobé e Branca se encontram, mas o índio não consegue declarar seus sentimentos e acaba por ouvir, da própria amada, a confissão de que ama outro homem, Estácio. O terceiro ato se passa num sarau na casa de Dom Rodrigo, pai de Branca, no qual Dom Gil, a quem a moça está prometida, expressa a Dom Rodrigo, e depois ao próprio Cobé, sua insatisfação com o fato de Branca amar outro homem. No quarto ato, Branca procura Agassamu e lhe pede veneno, preferindo a morte a casar-se com Dom Gil. No quinto e último ato, Cobé toma de Branca o anel com o veneno, bebe seu conteúdo, mata Dom Gil, confessa seu amor pela fidalga e morre, libertando-a.
Personagens
- Dom Rodrigo: pai de Branca.
- Dom Gil da Cunha: noivo designado de Branca.
- Dom Fuas: defensor da legitimidade da colonização e da catequese portuguesas.
- Cobé: protagonista, indígena reduzido à condição de escravizado.
- Branca: jovem fidalga, filha de Dom Rodrigo.
- Agassamu: mãe indígena de Cobé
- Valentina.
Análise
Em 1859, Machado de Assis, na Revista dos Teatros, elogiou o desenho dos caracteres e a construção dramática de Cobé, descrevendo-a como obra "de mestre" apesar de seu desfecho "sanguinolento", que considerava pouco conforme ao gosto dramático moderno, mas necessário à situação dramática construída pelo autor.[4] É significativo, como observa o pesquisador João Cícero Teixeira Bezerra, que Machado, em sua crítica, refira-se a Cobé reiteradamente apenas como "escravo", sem nomear sua condição indígena nem o contexto colonial da peça, o que sugere que a recepção da época via no protagonista, antes de tudo, uma figura identificável com a experiência contemporânea da escravidão africana no Brasil oitocentista.[2] Já em 1866, no folhetim "O Teatro de Joaquim Manuel de Macedo", Machado voltou a mencionar a peça, ao lado de O Cego, como exemplo do "talento dramático de certo vigor e originalidade" de Macedo, em contraste com produções posteriores do autor.[3]
Bezerra propõe uma leitura comparativa entre Cobé e a obra historiográfica de Macedo, as Lições de História do Brasil (1861). Segundo o autor, enquanto o Macedo historiador descreve o indígena brasileiro como "um povo na sua infância", a ser civilizado pela catequese portuguesa, o Macedo dramaturgo dá voz, pela boca de Cobé, a um questionamento direto da legitimidade da posse portuguesa sobre a terra, como no confronto do protagonista com o colonizador Dom Fuas, em que Cobé nega que a chegada acidental de um navegante à costa lhe confira "jus à possessão alheia". Para Bezerra, essa maior abertura crítica do texto dramático em relação ao texto didático se explica pela liberdade própria da ficção, ainda que a peça não chegue a romper com os limites do imaginário romântico de sua época.[2]
Bezerra também situa Cobé em diálogo com Mãe (1860), de José de Alencar, observando que ambas as peças aprisionam seus protagonistas escravizados em condições trágicas e não transformáveis: o suicídio de Cobé, assim como a morte de Joana, funciona como sacrifício que liberta o ser amado sem, contudo, questionar estruturalmente a própria condição de cativeiro.[2] Nessa leitura, Cobé seria antes um "drama da consciência", classificação também empregada por Edwaldo Cafezeiro e Carmem Gadelha em sua história do teatro brasileiro, do que uma peça propriamente abolicionista ou indianista de crítica estrutural, na medida em que a servidão do protagonista permanece, até o fim, um destino inescapável.[5]
Referências
- ↑ «Joaquim Manuel de Macedo: bibliografia». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 27 de julho de 2026
- 1 2 3 4 Bezerra, João Cícero Teixeira (2018). «Joaquim Manuel de Macedo, historiador e dramaturgo». São Paulo: Sala Preta. 18 (1): 181-206. doi:10.11606/issn.2238-3867.v18i1p181-206. Consultado em 27 de julho de 2026
- 1 2 Assis, Machado de (1 de maio de 1866). «O Teatro de Joaquim Manuel de Macedo». Diário do Rio de Janeiro, "Semana Literária" (republicado em Wikisource). Consultado em 27 de julho de 2026
- ↑ Assis, Machado de (1961). Obras completas de Machado de Assis: crítica teatral. Rio de Janeiro: Livro do Mês. 32 páginas
- ↑ CAFEZEIRO, Edwaldo; GADELHA, Carmem. História do teatro brasileiro: um percurso de Anchieta a Nelson Rodrigues. Rio de Janeiro: Funarte, 1996. p. 175.
