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Caxambu
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Caxambu | |
|---|---|
| Hino | |
| Lema | Medicina entre flores |
| Gentílico | caxambuense [nota 1] |
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| Coordenadas: 21° 58′ 37″ S, 44° 55′ 58″ O | |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Minas Gerais |
| Municípios limítrofes | Baependi, Pouso Alto, Soledade de Minas, Conceição do Rio Verde. |
| Distância até a capital | 361 km |
| Fundação | 16 de setembro de 1901 (124 anos) |
| Governo | |
| • Prefeito(a) | Luiz Henrique Diorio de Souza[2][3] (PSDB, 2025–2028) |
| Área | |
| • Total [4] | 100,483 km² |
| Altitude | 895 m |
| População | |
| • Total (Censo IBGE/2022[4]) | 21 056 hab. |
| Densidade | 209,5 hab./km² |
| Clima | tropical de altitude (Cwb) |
| Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
| CEP | 37440-000 a 37442-999[5] |
| IDH (PNUD/2010[6]) | 0,743 — alto |
| PIB (IBGE/2023[7]) | R$ 464 910,51 mil |
| • Per capita (IBGE/2023[7]) | R$ 22 079,72 |
| Sítio | www.caxambu.mg.gov.br (Prefeitura) www.camaracaxambu.mg.gov.br (Câmara) |
Caxambu é um município brasileiro no sul do estado de Minas Gerais. De acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2022 sua população era de 21 056 habitantes.[8]
Topônimo
Acerca do topônimo "Caxambu", há diversas especulações referentes à sua etimologia, dentre elas:
- teria origem num suposto catã-mbu, proveniente de alguma língua do grupo tupi dos antigos habitantes cataguás que habitavam a região e significaria "água que borbulha" ou "bolhas a ferver".[9]
- teria origem no termo tupi kaxabu, que significa "mandacaru";[10]
- teria origem africana com base em alguma língua não identificada e designaria:
Pesquisas etimológicas sérias, que levem em conta a identificação mais exata da língua de origem do topônimo e que sejam baseadas em estudos históricos a partir de documentação, poderão futuramente excluir hipóteses fantasiosas.[9]
História
A primeira expedição a percorrer a região de Caxambu, originalmente habitada pelos indígenas puris, foi a do paulista Lourenço Castanho Taques em 1674, seguindo os passos da bandeira de Jaques Félix décadas antes.[9][13]
Em 1714, seis anos antes da criação da Capitania de Minas Gerais a partir da cisão da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, foi criada a Comarca do Rio das Mortes, sediada em São João del-Rei, à qual Caxambu, que já era conhecida assim nesse tempo, pertencia, como uma fazenda do Alferes Alberto Pires Ribeiro.[13][14][15]
Em 1814, existiam apenas duas fazendas no atual município: a das Palmeiras e a Caxambu. Nesse ano, descobriram-se as águas termais locais, com propriedade curativas, o que trouxe muitos doentes de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Eles começaram a se acampar em palhoças na Fazenda Caxambu, formando a povoação de Águas Santas. Em 1841, temendo uma contaminação, o juiz de paz de Baependi, vila à qual a povoação pertencia, ordenou a expulsão dos doentes do município e a queima de suas palhoças.[9][13][16]
Em 1843, graças aos trabalhos de João Constantino de Oliveira Mafra, lançaram-se as bases para um novo centro de cura, assim nascendo o arraial das Águas Virtuosas de Baependi, com casas predominantemente feitas de adobe e pau-a-pique.[16]
Em 1868, vieram a Caxambu, atraídos pela fama das águas, a princesa Isabel e seu marido Conde d’Eu. A princesa buscava a cura de sua infertilidade e através das águas ferruginosas da fonte, hoje denominada Princesa Isabel e Conde d'Eu, a princesa curou-se de sua anemia e engravidou. Assim, ela mandou erguer, na cidade, a Igreja de Santa Isabel da Hungria, em agradecimento por ter sido curada.[9][16]
A visita imperial reforçou a importância simbólica e social das águas, associadas a relatos de benefícios à saúde, e consolidou a relevância da região como destino de interesse da elite brasileira do período. Como consequência, a Lei provincial nº 2175, de 16 de novembro de 1875, elevou Caxambu à categoria de freguesia e, no mesmo ano, o governo da província de Minas Gerais concedeu a exploração de suas águas a empresas privadas, dentre elas a Empresa das Águas Minerais de Caxambu, de Policarpo Viotti, em 1886. Essa empresa fez diversos melhoramentos no distrito, como balneário, casas de aluguel e melhora da captação de fontes.[13][16][17]
A Lei estadual nº 319, de 16 de setembro de 1901, criou a vila de Nossa Senhora dos Remédios de Caxambu, desmembrada de Baependi, sendo instalada em 2 de janeiro de 1902 e elevada à categoria de cidade, com o nome Caxambu, pela Lei estadual nº 663, de 18 de setembro de 1915.[17] Com administração independente, houve grande avanço na infraestrutura, como serviço hidrossanitário e calçamento das vias.[16]
No início do século XX, Caxambu se tornou um dos principais destinos turísticos no sul de Minas Gerais, conectada por ferrovia ao Rio de Janeiro. Com muitos hotéis, a cidade passou a receber muitos turistas e visitantes ilustres, como Ruy Barbosa, que difundiam sobre a beleza da cidade e as águas termais da cidade. Os cassinos também eram uma importante fonte de atração de turistas para o município.[16]
Em 1938, Caxambu perdeu território para a criação do município de Soledade.[9][16]
Na década de 1950, a proibição dos cassinos no Brasil, a descoberta de novos medicamentos e ao surgimento de novos polos turísticos no país e no mundo levaram a um gradual redução do fluxo de turistas para o Circuito das Águas Mineiro e, mais recentemente, essa situação vem sido contornada com a diversificação do turismo.[16]
Geografia
O município de Caxambu está situado no sul do estado de Minas Gerais, sendo limítrofe com Baependi (nordeste), Conceição do Rio Verde (noroeste), Soledade de Minas (oeste) e Pouso Alto (sul). Sua sede está a 904 m de altitude e a uma distância de 361 km da capital do estado, Belo Horizonte.[18]
Ao sul de seu território, o município recebe influência da Serra da Mantiqueira e ao norte, da Serra do Morro Queimado, divisor de águas do rio Baependi e ribeirão Taboão, enquanto o centro é caracterizado por um relevo mais suave pelo intemperismo, predominando ali as colinas de topo aplainado e com vertentes côncavas e convexas.[18]
Clima
Com altitude de 895 metros, tem clima tropical de altitude, com média compensada anual de 20 °C. Confirma-se, assim, seu status na classificação para clima tropical, segundo a escala internacional de Köppen, como Cwb ("C" para média das temperaturas dos três meses mais frios do ano ser superior a três graus Celsius negativos e inferior a 18 °C no mês mais frio, "w" para invernos secos e "b" para temperatura média do mês mais quente ser inferior ou igual a 22 graus Celsius).
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1961 a 1969, 1976 a 1986, 1988 a 1989 e 1991 a 2003, a menor temperatura registrada em Caxambu foi de −2,8 °C em 23 de julho de 1962. A temperatura também ficou negativa em 1° de junho de 1979, com mínima de −1,3 °C.[19] Já a máxima histórica atingiu 40 °C em novembro de 1993, nos dias 16 e 17, e em 3 de fevereiro de 1994.[20] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 226 milímetros (mm) em 2 de janeiro de 2000.[21] Dezembro de 1983, com 762,6 mm, foi o mês de maior precipitação.[22]
| Dados climatológicos para Caxambu | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Mês | Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez | Ano |
| Temperatura máxima recorde (°C) | 39,7 | 40 | 35,6 | 32,4 | 30,2 | 29,9 | 30 | 33,2 | 39,6 | 37 | 40 | 39,8 | 40 |
| Temperatura máxima média (°C) | 28,7 | 29,5 | 28,6 | 27,5 | 25,4 | 24,1 | 24,9 | 26,4 | 27,2 | 28,1 | 28,5 | 28,3 | 27,3 |
| Temperatura média compensada (°C) | 22,5 | 22,7 | 22,1 | 20,9 | 18,3 | 16,5 | 17,1 | 18,3 | 20 | 21 | 21,7 | 21,7 | 20,2 |
| Temperatura mínima média (°C) | 16,6 | 16,3 | 15,7 | 14 | 10,9 | 8,2 | 8,7 | 9,9 | 12,5 | 14,1 | 15,2 | 15,8 | 13,2 |
| Temperatura mínima recorde (°C) | 8,1 | 9,6 | 8 | 4,4 | 0,2 | −1,3 | −2,8 | 0,1 | 3,6 | 6,1 | 5,8 | 6,8 | −2,8 |
| Precipitação (mm) | 324,3 | 211,4 | 196,4 | 72,3 | 63,4 | 30 | 13,3 | 15,7 | 83,5 | 121,3 | 209,3 | 333,4 | 1 674,3 |
| Dias com precipitação (≥ 1 mm) | 17 | 13 | 13 | 6 | 5 | 2 | 2 | 3 | 7 | 9 | 13 | 17 | 107 |
| Umidade relativa compensada (%) | 75,5 | 73,9 | 74,9 | 72,5 | 73 | 69,6 | 67,3 | 65,1 | 66,1 | 68,9 | 71,1 | 75,6 | 71,1 |
| Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) (normal climatológica de 1981-2010;[23] recordes de temperatura: 01/01/1961 a 31/12/1969, 01/08/1976 a 31/12/1986, 01/01/1988 a 31/12/1989 e 01/01/1991 a 31/01/2003)[19][20] | |||||||||||||
Atrações turísticas
Caxambu situa-se nas montanhas do sul de Minas Gerais, na região da Serra da Mantiqueira. A pequena cidade concentra o maior complexo hidromineral do mundo, com doze fontes de água mineral com propriedades diferentes, a maioria delas concentradas no Parque das Águas Doutor Lisandro Carneiro Guimarães, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais.
A cidade é reconhecida como um dos principais destinos turísticos do sul de Minas Gerais, integrando o Circuito das Águas, região marcada pela presença de fontes minerais e pelo desenvolvimento histórico do turismo ligado ao uso terapêutico da água. O município é caracterizado por uma forte vocação turística, associada ao bem-estar, à natureza e à paisagem montanhosa da Serra da Mantiqueira.[24] O município se destaca por oferecer uma experiência urbana integrada à natureza, com áreas verdes, praças e espaços de convivência que estruturam a vida cotidiana.
Entre os elementos de destaque está a Praça 16 de Setembro, que funciona como um dos principais espaços públicos da cidade e articula atividades sociais, culturais e turísticas.[24] Entre os principais atrativos turísticos, encontra-se o teleférico que conecta a área central ao Morro de Caxambu, permitindo uma vista panorâmica da cidade e da Serra da Mantiqueira. Esse equipamento integra o conjunto de experiências turísticas oferecidas no município, que inclui passeios guiados, visita a espaços históricos e atividades culturais.[24]
- Vista do alto do Teleférico
- Teleférico de Caxambu
- Centro de Caxambu visto do morro do Teleférico
- Balneário de Caxambu
A cidade é servida pelo Aeroporto Fernando Levenhagem de Mello e pelo Terminal Rodoviário de Caxambu. O acesso à cidade se dá pelas rodovias BR-267 (Rod. Vital Brasil) e BR-354.
Caxambu também já foi servida por transporte ferroviário entre os anos de 1891 e 1972, quando era cortada pela Linha da Barra da Rede Mineira de Viação, que a ligava às cidades de Soledade de Minas, Aiuruoca (até 1972), Santa Rita de Jacutinga (até 1970) e ao município fluminense de Barra do Piraí (até 1961).
A ferrovia foi desativada e extinta localmente no ano de 1972, o que gera controvérsias até os dias atuais, pois tratava-se de uma linha essencial economicamente para a cidade, sobretudo no ramo turístico.[25]
Atualmente, a Antiga Estação Ferroviária de Caxambu abriga o Centro Cultural e Profissional Estação Ferroviária, inaugurado após sua reforma em 2019, sendo também um ponto turístico da cidade.[26]
Notas
Referências
- ↑ Academia Brasileira de Letras. «Vocabulário de Topônimos e Gentílicos» (Ferramenta de consulta lexical). Consultado em 23 de fevereiro de 2026. Cópia arquivada em 8 de maio de 2026
- ↑ «Eleições 2024: Luiz Henrique, do PSDB, é eleito prefeito de Caxambu no 1º turno». G1. 7 de outubro de 2024. Consultado em 1 de janeiro de 2025. Cópia arquivada em 17 de novembro de 2025
- ↑ «Candidatos a Prefeito - Caxambu (MG)». Estadão. Consultado em 1 de janeiro de 2024. Cópia arquivada em 27 de janeiro de 2025
- 1 2 «Panorama - Caxambu (MG)». IBGE Cidades. Consultado em 17 de julho de 2026. Cópia arquivada em 8 de outubro de 2025
- ↑ Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. «Busca Faixa CEP». Consultado em 1 de fevereiro de 2019
- ↑ «Ranking IDHM Municípios 2010». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2013. Consultado em 15 de junho de 2015. Cópia arquivada em 31 de agosto de 2016
- 1 2 «Produto Interno Bruto dos Municípios - Caxambu (MG)». IBGE Cidades. Consultado em 17 de julho de 2026
- ↑ «Caxambu (MG) - panorama». IBGE Cidades. Consultado em 17 de julho de 2026. Cópia arquivada em 8 de outubro de 2025
- 1 2 3 4 5 6 «Caxambu». Câmara Municipal de Caxambu. Consultado em 17 de julho de 2026. Cópia arquivada em 8 de maio de 2026
- ↑ NAVARRO, E. A. Dicionário de tupia antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 556.
- ↑ FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 375.
- ↑ CUNHA, A. G. Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua portuguesa. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. p. 168.
- 1 2 3 4 «A cidade». Prefeitura Municipal de Caxambu. Consultado em 17 de julho de 2026. Cópia arquivada em 6 de dezembro de 2025
- ↑ «Arquivos Históricos». documenta.direito.ufmg.br. Consultado em 17 de julho de 2026. Cópia arquivada em 5 de março de 2026
- ↑ Sousa, Benefredo de (1971). Datas e Fatos da Terra do Rio Verde. [S.l.: s.n.]
- 1 2 3 4 5 6 7 8 «História do município». Turismo & Cultura de Caxambu. Consultado em 17 de julho de 2026. Cópia arquivada em 25 de janeiro de 2026
- 1 2 Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (PDF). Rio de Janeiro: IBGE. 1958. pp. 430–432. Cópia arquivada (PDF) em 14 de julho de 2026
- 1 2 «Dados Gerais». Turismo & Cultura de Caxambu. Consultado em 17 de julho de 2026. Cópia arquivada em 21 de abril de 2025
- 1 2 «BDMEP - série histórica - dados diários - temperatura mínima (°C) - Caxambu». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 4 de julho de 2018
- 1 2 «BDMEP - série histórica - dados diários - temperatura máxima (°C) - Caxambu». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 4 de julho de 2018
- ↑ «BDMEP - série histórica - dados diários - precipitação (mm) - Caxambu». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 4 de julho de 2018
- ↑ «BDMEP - série histórica - dados mensais - precipitação total (mm) - Caxambu». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 4 de julho de 2018
- ↑ «NORMAIS CLIMATOLÓGICAS DO BRASIL». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 4 de julho de 2018
- 1 2 3 «Caxambu – Circuito das Aguas». Consultado em 12 de maio de 2026. Cópia arquivada em 12 de abril de 2026
- ↑ «Caxambu -- Estações Ferroviárias do Estado de Minas Gerais». www.estacoesferroviarias.com.br. Consultado em 22 de setembro de 2020. Cópia arquivada em 7 de maio de 2022
- ↑ Gerais, Portal Minas. «Portal Minas Gerais». Portal Minas Gerais. Consultado em 22 de setembro de 2020. Cópia arquivada em 30 de novembro de 2024




