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Casa Real Portuguesa
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| Casa Real de Portugal | |
|---|---|
| Duração | 1143–1910 |
A Casa Real Portuguesa constituía a casa reinante durante o período em que vigorou a Monarquia de Portugal. Em sentido restrito compreendia a Família Real Portuguesa, incluindo o próprio Monarca e seus familiares diretos (consorte real, príncipes e infantes). Em sentido lato incluía também todo o conjunto de funcionários, cortesãos e outros vassalos que serviam diretamente a Família Real e participavam na administração da referida Casa, os quais tinham o estatuto de seus "moradores". Após o final da Monarquia, a Casa Real Portuguesa continuou a existir como instituição extraoficial e privada, albergando a antiga Família Real e posteriormente as famílias dos pretendentes ao trono de Portugal.[1][2][3]
Durante os mais de 700 anos em que reinou, a Casa Real Portuguesa esteve a cargo de quatro dinastias sucessivas: Borgonha (1143-1383), Avis (1385-1580), Habsburgo (1580-1640) e Bragança (1640-1910). Em 1822 e sob a dinastia de Bragança, a Casa Real Portuguesa deu origem à Casa Imperial Brasileira, que se constituiu como seu ramo .[4]
Em vários períodos da história, anexas à Casa Real Portuguesa, funcionaram outras casas incluindo a Casa das Rainhas e a Casa do Infantado, reunindo o conjunto de bens e funcionários que se destinavam a servir, especificamente e respetivamente, as rainhas consortes e os filhos segundos dos Monarcas.[5][6]
Administração e organização
A administração e a organização da Casa Real Portuguesa passou por diversas modificações ao longo da história. Com o fim da União Ibérica e o regresso do rei a Lisboa, foi estabelecido, em 1643, o “Regimento dos ofícios da Casa Real d’el-rei d. João IV”, inspirado na estrutura anterior e na da Casa de Castela no período dos Habsburgos, que fixava as atribuições dos oficiais relacionadas aos rituais da corte. Em geral, os trabalhos ficavam divididos entre os ofícios maiores, que tinham vastas competências, e os menores, cujo estatuto se aproximava da condição das profissões “mecânicas”, como pintores, oficiais da cozinha, monteiros de cavalo, moço da chave, varredor da capela e outros. Alguns dos ofícios maiores tinham caráter hereditário e eram disputados pela nobreza. Os ofícios menores, por sua vez, podiam receber ordenados ou serem comprados[7][8].
Entre os ofícios maiores, o cargo mais importante era o de mordomo-mor, responsável por todos os aspectos da administração e pelo pagamento dos oficiais, dos criados e [de] suas moradias. Outro oficial destacado era o camareiro-mor, que cuidava da casa onde estivesse o leito do monarca. Além desses, eram também oficiais maiores o alferes-mor, o aposentador-mor, o capelão-mor, o estribeiro-mor, o copeiro-mor, o mestre-sala, o porteiro-mor, o trinchante-mor e o vedor da Casa Real, entre outros.[7][9]
Alguns atos, que marcaram os vencimentos e ordenados, informam da existência de outros criados, como damas da câmara, açafatas do paço e moças do quarto. Na “Relação dos criados do paço a quem se devem ordenados”, de 11 de maio de 1808, apareciam também a camareira-mor, a camareira-mor da princesa mãe, retretas, parteiras, guarda-roupas, confessores, tenente da Guarda Real, médicos da câmara, médico da família, cirurgião da família, cirurgião da enfermaria, almoxarife da casa das obras, couteiro das praias, moços da prata e outros[10].
Outras dependências da Casa Real se organizaram posteriormente. Nomeadamente a Guarda Real, estabelecida em 13 de maio de 1808, composta por um sargento, três cabos e 21 soldados[10].
Ofícios da Casa Real Portuguesa
Entre outros, ao longo da história existiram os seguintes ofícios dentro da Casa Real Portuguesa, subdivididos pelos diferentes setores de atividade. Muitos destes ofícios acabaram por se tornar cargos meramente honorários, cerimoniais e hereditários, perdendo as suas funções originais.
- Administração e fazenda:
- Mordomo-mor - constituía o principal oficial-mor da Casa Real, superintendendo a sua administração geral;
- Veador - administrador financeiro da Casa Real, substituindo o mordomo-mor, nos seus impedimentos;
- Contador-mor - responsável pela contabilidade da Casa Real;
- Tesoureiro-mor - tesoureiro da Casa Real;
- Escrivão da Fazenda - secretário da fazenda;
- Esmoler-mor - encarregado de supervisionar a caridade e as esmolas concedidas pelo Monarca.[9][11]
- Secretariado:
- Chanceler-mor - encarregue do selo real;
- Escrivão da puridade - assistente direto e pessoal do Monarca;
- Secretário de el-Rei - secretário pessoal do Monarca.[9][11]
- Câmara:
- Camareiro-mor - competia-lhe vestir e despir o Monarca, dormindo aos pés do seu leito. Subordinados ao camareiro-mor, existiam os gentis-homens de câmara ou camaristas, que serviam como criados de câmara do Monarca;
- Sumiler - encarregue por cerrar a cortina do leito do Monarca;
- Reposteiro-mor - encarregue por chegar a almofada ou a cadeira ao Monarca quando o mesmo se sentava ou ajoelhava. Subordinados ao reposteiro-mor, existiam os reposteiros, criados responsáveis por correr as cortinas da câmara do Monarca.
- Escrivão da Câmara - secretário da câmara;
- Físico-mor - médico pessoal do Monarca;
- Cirugião-mor - cirurgião pessoal do Monarca;
- Capelão-mor - capelão da Casa Real.[9][11]
- Mesa:
- Trinchante - encarregado de cortar a carne e chegar os pratos ao Monarca;
- Uchão-mor - encarregado da Ucharia (despensa da Casa Real);
- Servidor da toalha - encarregado de colocar os pratos na mesa do Monarca;
- Mantieiro - encarregue de retirar os pratos depois do Monarca comer;
- Copeiro-mor - copeiro do Monarca, sendo responsável por lhe servir as bebidas à mesa. Adicionalmente, realizava o cerimonial laico de batismo dos novos funcionários da Casa Real quando tomavam posse, que consistia em derramar-lhes água sobre a cabeça com uma copa de ouro. O copeiro-mor era coadjuvado pelo copeiro-menor, que se encarregava de receber daquele os copos já utilizados pelo Monarca;
- Moços da câmara e prestes da cozinha - criados, de categoria superior e inferior respetivamente, que traziam os pratos da cozinha para a sala de jantar.[9][11]
- Mobilidade:
- Estribeiro-mor - encarregue de dirigir as estrebarias reais, assegurando o fornecimento de cavalos e carruagens. Subordinados ao estribeiro-mor existiam os moços da estribeira, que serviam de criados das estrebarias;
- Aposentador-mor - responsável por assegurar o alojamento do Monarca e das restantes pessoas da Casa Real quando viajavam;
- Almotacé-mor - responsável por prover de alimentos o Monarca e as restantes pessoas da Casa Real quando viajavam;
- Correio-mor - responsáveis pelas comunicações postais;
- Coudel-mor - encarregue das coudelarias reais, dirigindo a procriação e o aperfeiçoamento das raças de cavalos.[9][11]
- Caça:
- Monteiro-mor ou couteiro-mor - encarregue de superintender as coutadas reais e dirigir as caçadas do Monarca. Subordinados ao monteiro-mor existiam os monteiros de pé e de cavalo, que guardavam as coutadas reais, bem como os moços de monte, criados que auxiliavam nas caçadas;
- Caçador-mor - encarregue da caça às aves;
- Falcoeiro-mor - encarregue da falcoaria, dirigindo o adestramento de falcões e de outras aves de rapina.[9][11]
- Cerimonial:
- Mestre-sala - encarregue de dirigir o cerimonial em atos solenes.
- Porteiro-mor - responsável por abrir a porta da sala onde se encontrava o Monarca. Subordinados ao porteiro-mor, existiam os porteiros da maça e os porteiros da cana, que precediam os cortejos reais, os primeiros a pé e os segundos a cavalo.
- Rei de armas Portugal - principal oficial de armas, encarregue da concessão, ordenação e regulação do uso de brasões de armas. Subordinados ao rei de armas Portugal, existiam os restantes reis de armas, os arautos e os passavantes;
- Escrivão da Nobreza - encarregue da direção do Cartório da Nobreza e da subscrição das cartas de brasão de armas;
- Armeiro-mor - encarregue de cuidar das armas do Monarca, de lhe vestir a armadura e de o ajudar a preparar-se para o combate. Era também encarregue dos livros de registo dos brasões de armas e de os ter disponíveis para consulta do Monarca.[9][11]
Ver também
Referências
- ↑ As metamorfoses do império e os problemas da monarquia portuguesa na primeira metade do século XVIII, por Ricardo de Oliveira, VARIA HISTORIA, Belo Horizonte, vol. 26, nº 43: p.109-129, jan/jun 2010, pág. 116
- ↑ As metamorfoses do império e os problemas da monarquia portuguesa na primeira metade do século XVIII, por Ricardo de Oliveira, VARIA HISTORIA, Belo Horizonte, vol. 26, nº 43: p.109-129, jan/jun 2010, pág. 115
- ↑ Casa Real, por Angélica Ricci Camargo, MAPA, 9 de Novembro de 2016 | Última atualização em 1 de Abril de 2020, in CARDIM, Pedro. A Casa Real e os órgãos centrais de governo no Portugal da segunda metade dos seiscentos, 2002, p. 15-18; ANDRADE, Santiago Silva de. De família para família: serviço régio e relações familiares no espaço doméstico da Casa Real portuguesa (1808-1821), 2005, p. 2)
- ↑ Anuário da Casa Imperial do Brasil - 2024.pdf
- ↑ «Casa das Rainhas». Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Consultado em 30 de Agosto de 2017
- ↑ SERRÃO, Joel; LEAL, Maria José da Silva; PEREIRA, Miriam Halpern - "Casa do Infantado". in Roteiro de Fontes da História Portuguesa Contemporânea: Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Col. Ana Maria Cardoso de Matos; Maria de Lurdes Henriques. Lisboa: Instituto Nacional de Investigação Científica, 1984
- 1 2 Casa Real, por Angélica Ricci Camargo, MAPA, 9 de Novembro de 2016 | Última atualização em 1 de Abril de 2020, in CARDIM, Pedro. A Casa Real e os órgãos centrais de governo no Portugal da segunda metade dos seiscentos, 2002, p. 15-18
- ↑ Basicamente existiam dois grupos de servidores atuando na dimensão palatina da corte. Em termos estatutários, os chamados ofícios maiores eram aqueles que compreendiam os serviços da nobreza, enquanto os menores ou inferiores relacionavam-se com as condições das profissões mecânicas, o que lhes colocava em um estatuto notadamente abaixo. - As metamorfoses do império e os problemas da monarquia portuguesa na primeira metade do século XVIII, por Ricardo de Oliveira, VARIA HISTORIA, Belo Horizonte, vol. 26, nº 43: p.109-129, jan/jun 2010, pág. 116
- 1 2 3 4 5 6 7 8 BAUTISTA DE CASTRO, João, Mappa de Portugal antigo e moderno, Tomo primeiro, Partes I e II, "Parte II, Capítulos IX a XII", Lisboa: Oficina Patriarcal de Francisco Luiz Ameno, 1762
- 1 2 Casa Real, por Angélica Ricci Camargo, MAPA, 9 de Novembro de 2016 | Última atualização em 1 de Abril de 2020
- 1 2 3 4 5 6 7 SOBRAL, J., "Cargos e Dignidades da Casa Real Portuguesa", Audaces, 2008
Ligações externas
- Casa Real, por Angélica Ricci Camargo, MAPA, 9 de Novembro de 2016 | Última atualização em 1 de Abril de 2020
- A Casa Real Portuguesa ao Tempo de D. Pedro II (1668-1706), por Joana Leandro Pinheiro de Almeida Troni, Tese para obtenção do grau de Doutor em História Moderna, Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, Departamento de História, 2012
- Casa Real de Portugal e os seu Cargos Hierárquicos, Genealogia e Historia, por Aníbal de Almeida Fernandes
