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Capitania de Cametá
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| Capitania de Cametá Capitania Hereditária de Cametá | ||||
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Capitania donatária do Estado do Maranhão | ||||
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| Continente | América do Sul | |||
| Região | Norte da América Portuguesa | |||
| Capital | Cametá | |||
| Língua oficial | Português | |||
| Outros idiomas | línguas indígenas; língua geral | |||
| Religião | Catolicismo | |||
| Governo | Monarquia absoluta | |||
| Donatário | ||||
| • 1633 | Feliciano Coelho de Carvalho | |||
| História | ||||
| • 1633 | Doação régia | |||
| • 1754 | Reincorporação à Coroa Portuguesa | |||
| Moeda | Réis | |||
| [nota 1] | ||||
A Capitania de Cametá constituiu capitania privada doada a Feliciano Coelho de Carvalho, pelo governador do Estado do Maranhão, em 1633, e confirmada pelo rei em 1637. Localizada às margens do rio Tocantins, próxima à capitania do Pará, tendo como sede Cametá. Foi incorporada à Coroa em 1754.[1]
A noção de colônia na historiografia
Embora frequentemente descrita como parte do Brasil Colônia, as capitanias não eram compreendidas por seus contemporâneos como integrante de uma entidade político-administrativa denominada "colônia". Durante o século XVIII, os documentos oficiais da Coroa Portuguesa referiam-se aos territórios ultramarinos americanos como partes do Império Português, subordinadas ao Estado do Brasil ou diretamente à administração régia.[2]
Na historiografia contemporânea, o termo colônia é utilizado como uma categoria analítica destinada a descrever as relações políticas, econômicas e administrativas estabelecidas entre as monarquias europeias e seus domínios ultramarinos. Nesse sentido, a expressão Brasil Colônia constitui uma construção historiográfica posterior, empregada para designar o período em que os territórios americanos sob domínio português encontravam-se subordinados à Coroa e integrados ao sistema imperial luso.[3][4]
Fundação e primeiros anos
Em 1632, o capitão-mor Feliciano Coelho de Carvalho organizou uma expedição para combater os estrangeiros que invadiam a região. Três anos depois, em 1635, foi nomeado o primeiro capitão-mor da Capitania de Camutá. No mesmo ano, o povoado foi elevado à categoria de vila, recebendo o nome de "Vila Viçosa de Santa Cruz de Camutá", sob a proteção do santo padroeiro São João Batista. Em 26 de outubro de 1637, uma Carta Régia oficializou a demarcação da Capitania.[5]
Desenvolvimento e influência judaica
Os judeus sefarditas tiveram um papel relevante no desenvolvimento de Cametá, a partir da chegada das famílias portuguesas Albuquerque, Coelho e Carvalho. Estas famílias descendiam de judeus expulsos de Portugal em 1496, devido à imposição do batismo católico, o que forçou muitos hebreus a buscarem refúgio no exterior.
Mudança de localização da sede
No início do século XVIII, a vila foi transferida de seu local original para onde atualmente está situada a cidade de Cametá. O novo local, chamado pelos índios de "Murajuba", sofreu esse nome devido ao fenômeno de erosão natural em sua ribanceira (margem).
Quilombos e resistência
Na região de Cametá, surgiram vários quilombos formados por escravos fugidos das plantações de cana-de-açúcar, destacando-se o Mola. Fundado por volta de 1750, inicialmente com cerca de 300 negros,[6] o Mola tornou-se uma espécie de cidade-Estado, com elevado nível de organização para a época. Contava com código civil, força policial e sistema de representação direta.[7]
Os quilombos da região formaram a Confederação do Itapocu, composta por cinco quilombos e liderada pelo Mola como capital virtual.[8] Essa confederação empreendeu severas derrotas às forças portuguesas e aos capitães do mato, nunca sendo completamente subjugada.[9]
Incorporação à Coroa
Foi incorporada à Coroa em 1754, fundida à Capitania do Grão-Pará.[1]
Notas
- ↑ A Capitania de Cametá foi uma capitania donatária privada, criada no âmbito do Estado do Maranhão e confirmada por Carta Régia em 1637. Subordinada à administração colonial portuguesa, não possuía soberania própria, sendo reincorporada à Coroa em 1754 no contexto das reformas administrativas do século XVIII.
Referências
- 1 2 «Cametá, Capitania». Consultado em 17 de novembro de 2024
- ↑ Novais, Fernando A. (1979). Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial (1777–1808). São Paulo: Hucitec
- ↑ Novais, Fernando A. (1979). Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial (1777–1808). São Paulo: Hucitec
- ↑ Bicalho, Maria Fernanda (2003). A Cidade e o Império: o Rio de Janeiro no século XVIII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira
- ↑ Cametá, município do Pará, acesso em 05 de novembro de 2016.
- ↑ PINTO, Benedita Celeste de Morais. «Mulheres Negras Rurais: Resistência e Luta por Sobrevivência na Região do Tocantins (PA)» (PDF). XXVI Simpósio Nacional de História. Consultado em 25 de março de 2016
- ↑ «História da Cidade de Tucuruí». Portal cidadedetucurui.com. Consultado em 25 de março de 2016
- ↑ Guimarães, José (2012). «Povoamento do Sul do Pará e Origens Históricas do Movimento Carajás» (entrevista). Teixeira de Souza, M. Belém
- ↑ PINTO, Benedita Celeste de Morais. «Escravidão, Fuga e a Memória de quilombos na Região do Tocantins». Revistas Eletrônicas da PUC-SP. Consultado em 25 de março de 2016
