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Calide ibne Saíde
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Calide ibne Saíde ibne Alás (em árabe: خالد بن سعيد بن العاص; romaniz.: Khālid ibn Saʿīd ibn al-ʿĀṣ; m. 634) foi um dos companheiros do profeta islâmico Maomé, pertencente ao clã Banu Omaia. Foi um dos primeiros convertidos ao islão, exerceu funções como escriba de Maomé e, posteriormente, destacou-se como comandante militar durante o califado de Abu Becre.
Vida
Calide era filho de Saíde ibne Alás, conhecido pela cúnia Abu Uaia, membro do Banu Omaia, e de Hinde binte Almuguira, pertencente aos maquezumitas.[1] É tradicionalmente apontado como um dos primeiros convertidos ao islão. Algumas tradições afirmam que foi o quarto indivíduo a abraçar a nova religião, enquanto outras, preservadas por sua filha Ume Calide, o apresentam como o quinto convertido, depois de Ali ibne Abi Talibe, Abu Becre, Zaíde ibne Harita e Sade ibne Abi Uacas.[2] Segundo esses relatos, sua conversão foi motivada por um sonho no qual seu pai procurava lançá-lo em um grande fogo, sendo salvo por Maomé. Após narrar a visão a Abu Becre, este aconselhou-o a procurar o profeta, diante de quem aceitou o islão.[3] Seu pai reagiu violentamente à conversão. Mandou capturá-lo por intermédio de seus irmãos, espancou-o severamente, manteve-o durante vários dias sob o sol sem água e proibiu os demais familiares de manter qualquer contato com ele. Ao constatar que Calide não abandonaria a nova fé, expulsou-o definitivamente de casa. Até o início da Migração para a Abissínia, permaneceu junto de Maomé. Em seguida, participou da migração ao lado de sua esposa, Humaima binte Calafe, também mencionada nas fontes como Amana ou Umaima.[4] Durante a permanência na Abissínia, onde permaneceu por mais de dez anos segundo algumas tradições, nasceram seus filhos Saíde e Ama.[5][3] Atuou ainda como guardião matrimonial (uáli) de Ume Habiba por ocasião de seu casamento com Maomé.[6]
Calide regressou posteriormente da Abissínia acompanhado de seu irmão Anre, de Jafar ibne Abi Talibe e dos demais emigrados, encontrando Maomé durante a Batalha de Caibar.[7] Participou ainda da Umra de Compensação, da Conquista de Meca, das campanhas de Hunaine, Taife e Tabuque.[3] Exerceu a função de escriba de Maomé, dedicando-se sobretudo a assuntos administrativos.[8][9] É tradicionalmente considerado um dos primeiros escribas da revelação, sendo apontado como o primeiro a escrever a fórmula bismilá. Além de registrar parte das primeiras revelações, redigiu diversos documentos oficiais do profeta, entre eles o decreto destinado aos taquifitas, figurando, juntamente com seu irmão Abane ibne Saíde, entre os escribas mais ativos do período. Após a Conquista de Meca, comandou uma expedição de trezentos homens à região de Urana. Em seguida, Maomé encarregou-o da arrecadação do zacate entre os madijitas, na região do Iêmen.[7][3]
Depois da morte de Maomé, Calide e seus irmãos Anre e Abane regressaram a Medina e declararam que não aceitariam exercer cargos administrativos para ninguém além do profeta.[3] Calide retardou por cerca de um mês seu juramento de lealdade a Abu Becre após a sucessão deste. Sua posição fundamentava-se na convicção de que o direito ao califado cabia aos descendentes de Abede Manafe, abrangendo tanto os haxemitas quanto os abedexemecitas.[10][11] Seu irmão Abane também recusou prestar juramento em solidariedade aos haxemitas, fazendo-o apenas depois que estes decidiram reconhecer Abu Becre.[11] Na tradição histórica, especialmente a xiita, Calide figura entre os primeiros partidários de Ali ibne Abi Talibe, por entender que determinadas declarações atribuídas a Maomé indicavam Ali como o legítimo líder da comunidade muçulmana.[12]
Em 633, Abu Becre nomeou Calide um dos comandantes da expedição enviada à Síria.[13][9] As fontes divergem quanto às circunstâncias de sua morte. Segundo uma tradição, foi morto em 634 na véspera da Batalha de Marje Açafar, logo após casar-se com Ume Haquime binte Alharite.[14] Outra tradição situa sua morte na Batalha de Ajenadaim, também em 634, enquanto um relato posterior a coloca durante a Batalha de Jarmuque, versão geralmente considerada pouco confiável.[3] Calide teve dois filhos nascidos durante sua permanência na Abissínia: Saíde e Ama.[5] Sua filha Ama binte Calide casou-se com Azobair ibne Alauame, com quem teve dois filhos, Anre e Calide, sendo posteriormente conhecida pela cúnia Ume Calide.[15] Seu filho Saíde ibne Calide comandou um esquadrão durante a Batalha de Jarmuque, sendo morto juntamente com seus homens enquanto procurava assegurar a fronteira diante das tropas bizantinas.[16]
Referências
- ↑ Ibne Hajar 1995, p. 89.
- ↑ Atabari 1990, p. 44.
- 1 2 3 4 5 6 Kandemir 1997, pp. 287–288.
- ↑ Ibne Raxide 2014, p. 113.
- 1 2 Ibne Isaque 1955, p. 287.
- ↑ Ibne Sade 1995, p. 69.
- 1 2 Ibne Hajar 1995, p. 203.
- ↑ Morrow 2018, p. 124.
- 1 2 Martindale & Jones 1992, p. 761.
- ↑ Atabari 1990, p. 165.
- 1 2 Madelung 1997, p. 41.
- ↑ Clarke 2001, p. 46.
- ↑ Muir 1883, p. 92.
- ↑ Albaladuri 2002, p. 182.
- ↑ Ibne Sade 1995, p. 165.
- ↑ Atabari 1993, p. 82.
Bibliografia
- Albaladuri, Amade ibne Iáia (2002). The Origins of the Islamic State: Being a Translation from the Arabic Accompanied with Annotations, Geographic and Historic Notes of the Kitâb Futûḥ Al-buldân of Al-Imâm Abu-l ʻAbbâs Aḥmad Ibn-Jâbir Al-Balâdhuri. Piscataway: Gorgias Press. ISBN 978-1-931956-63-5. OCLC 2475649
- Atabari, Abu Jafar Maomé ibne Jarir (1990). Poonawala, Ismail, ed. The History of al-Ṭabarī. IX: The Last Years of the Prophet: The Formation of the State, A.D. 630–632/A.H. 8–11. Albany: State University of New York Press. ISBN 978-0-88706-691-7
- Atabari, Abu Jafar Maomé ibne Jarir (1993). Blankinship, Khalid Yahya, ed. The History of al-Ṭabarī. XI: The Challenge to the Empires. Albany: State University of New York Press. ISBN 978-0-7914-0851-3
- Clarke, L. (2001). Shi'ite Heritage: Essays on Classical and Modern Traditions. Binghamton: Global Academic Publishing. ISBN 978-1-58684-066-2
- Ibne Hajar, Amade (1995). Al-Iṣābah fī Tamyīz al-Ṣaḥābah (em árabe). 2. Beirute: Dār al-Kutub al-ʿIlmiyyah
- Ibne Isaque, Maomé (1955). The Life of Muhammad (Sīrat Rasūl Allāh). Traduzido por Alfred Guillaume. Oxford: Oxford University Press
- Ibne Raxide (2014). Abede Arrazaque Assanani; Anthony, Sean W., eds. The Expeditions: An Early Biography of Muḥammad. Traduzido por Anthony, Sean W.; Haleem, M. A. S. Abdel. Nova Iorque: New York University Press. ISBN 978-0-8147-6963-8
- Ibne Sade, Maomé (1995). Kitab at-Tabaqat al-Kabir [The Women of Madina]. 8. Traduzido por Aisha Bewley. Londres: Ta-Ha Publishers. ISBN 978-1-897940-24-2
- Kandemir, M. Yaşar (1997). «Hâlid b. Saîd». TDV İslâm Ansiklopedisi [Enciclopédia Islâmica TDV]. 15. Istambul: Türkiye Diyanet Vakfı İslâm Ansiklopedisi. pp. 287–288. Consultado em 17 de julho de 2026
- Madelung, Wilferd (1997). The Succession to Muḥammad: A Study of the Early Caliphate. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-64696-3
- Martindale, J. R.; Jones, A. H. M. (1992). The Prosopography of the Later Roman Empire. 3. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-20160-5
- Morrow, John Andrew (2018). Islām and the People of the Book: Critical Studies on the Covenants of the Prophet. 1. Newcastle upon Tyne: Cambridge Scholars Publishing. ISBN 978-1527509672
- Muir, William (1883). Annals of the Early Caliphate: From Original Sources. Londres: Smith, Elder & Co.
