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Brasileiras e Brasileiros
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| Brasileiras e Brasileiros | |
|---|---|
| Informações gerais | |
| Formato | telenovela |
| Gênero | Drama |
| Criação | Carlos Alberto Soffredini |
| Roteiristas | Cláudia Dalla Verde Perito Monteiro Tacus Azevedo |
| Direção | Walter Avancini |
| Elenco | |
| Tema de abertura | "Disputa de Poder", Simone |
| Tema de encerramento | "Disputa de Poder", Simone |
| País de origem | |
| Idioma original | Português |
| Episódios | 168 |
| Produção | |
| Duração | 60 minutos |
| Formato | |
| Formato de imagem | 480i (SDTV) |
| Exibição original | |
| Emissora | |
| Transmissão | 5 de novembro de 1990 – 14 de maio de 1991 |
Brasileiras e Brasileiros é uma telenovela brasileira produzida e exibida pelo SBT entre 5 de novembro de 1990 e 14 de maio de 1991, em 168 capítulos.[1] Escrita por Carlos Alberto Soffredini, com colaboração de Cláudia Dalla Verde, Perito Monteiro e Tacus Azevedo, sob direção de Antonino Seabra, Carlos Nascimbeni e Roberto VVignati e direção geral de Walter Avancini.[2]
Conta com Lucélia Santos, Edson Celulari, Carla Camurati, Ney Latorraca, Fúlvio Stefanini, Rubens de Falco, Irene Ravache e Juca de Oliveira nos papéis principais.
Produção
Após um intervalo de quatro anos desde o fim de Uma Esperança no Ar (1985), o SBT decidiu voltar a fazer novelas e contratou a Art Vídeo Produções para produzir Cortina de Vidro, primeira obra de Walcyr Carrasco, de forma econômica e sem muitos gastos, a qual terminou como um grande fracasso.[3] Descontente com o resultado, Sílvio Santos concluiu que, para conseguir um bom desempenho de audiência e faturamento, precisava investir: importou equipamentos dos Estados Unidos, ofereceu um salário milionário para tirar atores renomados da TV Globo como Lucélia Santos, Ney Latorraca e Fúlvio Stefanini e contratou o dramaturgo Carlos Alberto Soffredini para escrever a nova novela.[4] Foram gastos 4 milhões de dólares antes mesmo da novela entrar no ar em meio a maior crise economia brasileira durante o Plano Collor.[5]
A proposta de Soffredini era inovadora para a época: centrar a trama na periferia de São Paulo, sem glamourização ou minimizar a pobreza e a violência urbana, mostrando desde a falta de saneamento básico até a precariedade da educação num bairro marginalizado e a dominância do tráfico.[6] O autor disse em entrevista que queria entregar uma história realista e crua, mas sem fazer sensacionalismo.[6] O título foi inspirado no bordão do ex-presidente do Brasil José Sarney, que sempre iniciava seus discursos com "Brasileiras e brasileiros...".[7] Apesar da proposta, a novela perdeu metade da audiência após duas semanas no ar e uma pesquisa encomendada revelou que o público achava a história muito pesada e triste, fato que levou o SBT a afastar o autor de sua própria novela em 29 de novembro de 1990.[8]
Walter Avancini assumiu por algumas semanas, condensado vários capítulos gravados para acelerar a história e tirando o foco das questões sociais para colocar nas armações empresariais de Paula.[9][10][11][12] A audiência, porém, continuou sem responder, o que afetou a procura de anunciantes e, unido aos gastos exorbitantes com salários milionários, colocou o SBT inteiro em uma grave crise financeira que quase o levou a falência, uma vez que a emissora fechou o primeiro trimestre de 1991 com 25% de faturamento em relação ao ano anterior.[5] Como consequência o núcleo de dramaturgia foi desativado, 150 profissionais demitidos e as futuras novelas anunciadas As Mulheres da Minha Vida, João Tenório e Anita Garibaldi foram canceladas.[5] A emissora conseguiu superar da crise após colocar no ar a novela mexicana Carrossel no lugar de Brasileiras e Brasileiros – que elevou a audiência de 5 para 20 pontos, atraindo anunciantes – e a criação da Tele Sena, que passou a "alimentar" os patrocínios.[5]
Exibição
A produção entrou no ar às 18h, mas a baixa audiência fez com que fosse mudada para às 20h a partir de 7 de janeiro de 1991.[13][14][15][16]
Reabrindo as produções de dramaturgia do canal, substituiu as reprises das nacionais A Leoa e Meus Filhos, Minha Vida e sendo substituída pela estrangeira Carrossel.[17][18]
Enredo
Aproveitando a ascenção do vale-tudo no Brasil, o ex-boxeador decadente Ângelo e o artista circense Totó decidem fundar uma equipe de luta livre feminina, a Duras na Queda, recrutando mulheres comuns da periferia de São Paulo que precisam de uma vida melhor, entre elas Clarisse, Vanusa, Edilaine, Alma, Arlete e Selma. Além delas, também se junta Teresa de Ogum, uma mãe de santo que é a guia espiritual e o grande amor da vida de Ângelo. Eles se instalam num antigo casarão abandonado há décadas, porém a fama repentina chega até os ouvidos do dono do imóvel, Ramiro, que deseja aqueles pobres fora de sua propriedade.
Ele é casado com Suzana, uma mulher instável que vive mergulhada em uma profunda depressão, mas tem um caso com sua sócia, Paula, uma executiva manipuladora e sedutora, que tenta armar para separar o casal, apesar dos conselhos de sua assistente e amiga, Sílvia. Paula é designada para despejar o grupo de luta livre do casarão, mas acaba se atraindo também por Totó, acreditando que pode transformar aquele homem simples em um galã da alta sociedade para estar ao seu lado. Totó, no entanto, vive um romance com a doce professora Catarina, filha de Coriolano, um homem conservador e retrógrado, que vê a luta feminina como um atentado aos bons costumes e se une à Plínio e Gabriel para acabar com aquilo. Quem também sabota a equipe é Brás Cubas, um bandido que foi rival de Ângelo no boxe no passado.
Ainda há Boca, um traficante que se interessa por Catarina; Orlando, o contador de Ângelo que nem percebe o amor de Vanusa; Tia Jú, uma senhora que tenta superar o alcoolismo; os romances de Alma e Júlio e Selma e Bruno; além dos filhos de Ramiro, Agenor e Abílio, dois encostados que não querem saber de trabalhar.
Elenco
| Ator/Atriz | Personagem[1] |
|---|---|
| Edson Celulari | Antônio Luccino (Totó) |
| Carla Camurati | Catarina Lima |
| Lucélia Santos | Paula Bacelar |
| Rubens de Falco | Ramiro Carvalho Leal |
| Arlete Montenegro | Suzana Carvalho Leal |
| Fúlvio Stefanini | Ângelo Minotauro |
| Ney Latorraca | Brás Cubas (Cubinha) |
| Marcelo Serrado | Boca de Cocaína |
| Laerte Morrone | Coriolano Lima |
| Antonio Calloni | Prof. Plínio |
| Daniel Dantas | Orlando |
| Neusa Borges | Drª. Sílvia |
| Isadora Ribeiro | Teresa de Ogum |
| Rosi Campos | Clarisse / Loba |
| Eliana Fonseca | Vanusa / Rebelde |
| Zezeh Barbosa | Edilaine Sá / Pérola Negra |
| Alexandra Marzo | Alma / Menina Veneno[1] |
| Márcia Dornelles | Arlete / Helena de Tróia[1] |
| Cida Costha | Selma / Barbarella[1] |
| Bentinho Rodrigues | Gabriel Romano[1] |
| Suzy Arruda | Santa Romano[1] |
| Márcia Maria | Dona Leonor |
| Ana Lúcia Torre | Dona Clara |
| Walderez de Barros | Dona Cândida |
| Kléber Macedo | Esther Rodrigues |
| Consuelo Leandro | Tia Jú |
| Ênio Gonçalves | Dr. Júlio |
| Mário Cardoso | Dr. Bruno |
| Raymundo de Souza | Dr. Vítor |
| Fausto Ferrari | Agenor Carvalho Leal[1] |
| Osmar Ângelo | Abílio Carvalho Leal[1] |
| Renata Soffredini | Isabel Romano[1] |
| Renata Pereira | Betinha Rodrigues[1] |
| Sandra Akemi | Yoko / Ninja[1] |
| Germano Mathias | Nivaldo |
| Adilson Ramos | Pernambuco |
| Maurice Vaneau | Mordomo Richilieu |
| Ileana Kwasinski | Governanta Edna |
| Andréa Avancini | De Lurdes |
| Ana Iwanow | Carminha[1] |
| Cássia Magaldi | Cida[1] |
| Goiabinha | Espirro[1] |
| As crianças | |
| Aretha Oliveira | Vanessa Sá[1] |
| Fábio Gomes | Nando[1] |
Participações especiais
| Ator/Atriz | Personagem |
|---|---|
| Fábio Júnior | Médico chefe do hospital no 1º capítulo[1] |
| Irene Ravache | Cantineira do hospital no 1º capítulo[1] |
| Sérgio Mamberti | Motorista de ambulância no 1º capítulo[1] |
| Angela Maria | Paciente do hospital no 1º capítulo[1] |
| Maria Della Costa | Recepcionista do hospital no 1º capítulo[1] |
| Paulo Autran | Mendigo que rouba Totó no 1º capítulo[1] |
| Juca de Oliveira | Cigano que vê a sorte de Totó no no 1º capítulo[1] |
| Jacqueline Laurence | Antoniette Fontaine |
| Patrícia Lucchesi | Simone Fontaine |
| Edney Giovenazzi | Franco |
| Valter Santos | Delegado Vilani[1] |
| Alceu Nunes | Delegado Pires[1] |
| Erivaldo Nery | Zé Sem-Moradia[1] |
| Josmar Martins | Vasco[1] |
| Adelmo Rodrigues | Argemiro[1] |
| Alexandre Frederico | Guido[1] |
| Darson Ribeiro | Traficante[1] |
| Beto Pacheco | Traficante[1] |
| Cláudia Pacheco | Amiga de Vanessa[1] |
| Natália Pacheco | Amiga de Vanessa[1] |
| Clóvis Gonçalves | Policial que prende Brás[1] |
| Ulisses Bezerra | Motorista de Paula[1] |
Audiência
O primeiro capítulo de Brasileiras e Brasileiros marcou 14 pontos com picos de 17, o melhor resultado de uma estreia na emissora até então, garantindo a vice-liderança, atrás da TV Globo com 34.[19] No entanto no final do primeiro mês a novela já marcava apenas 6 pontos.[20][21] A produção chegou a registrar 2 pontos em algumas ocasiões.[1] Teve média geral de 5.11 pontos, menos que a antecessora Cortina de Vidro, que já era considerada um fracasso.[22]
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 «Brasileiras e Brasileiros». Teledramaturgia. Consultado em 6 de maio de 2016. Cópia arquivada em 24 de junho de 2024
- ↑ Marcia Cezimbra (14 de agosto de 1990). «SBT entra na briga da novela». Jornal do Brasil. TV-Pesquisa. Consultado em 30 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 12 de agosto de 2025
- ↑ «A primeira». Jornal do Brasil. 9 de junho de 1989. Consultado em 5 de março de 2019. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2022
- ↑ «Problemática, 'Brasileiras e Brasileiros' foi a novela que mais trocou de horário no SBT». memoriadatv. Consultado em 30 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 29 de julho de 2023
- 1 2 3 4 «Novela cheia de globais quase levou SBT à falência». TV História. Consultado em 30 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 1 de julho de 2022
- 1 2 Annette Schwartsman (4 de novembro de 1990). «SBT mostra os miseráveis sem glamour». Folha de S.Paulo. TV-Pesquisa. Consultado em 30 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2024
- ↑ Jorge Antônio Barros (4 de novembro de 1990). «Um retrato sem retoques da perifiria de uma grande cidade». O Dia. TV-Pesquisa. Consultado em 30 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2024
- ↑ «SBT afasta autor de sua novela». Jornal do Brasil. TV-Pesquisa. 29 de novembro de 1990. Consultado em 30 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 9 de agosto de 2025
- ↑ Jorge Antônio Barros (4 de dezembro de 1990). «Novela do SBT enfrenta crise». O Dia. TV-Pesquisa. Consultado em 30 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2024
- ↑ Maria Helena Dutra (18 de maio de 1991). «O sucesso da Globo e o fracasso do SBT em mais um capítulos da história das novelas». O Dia. TV-Pesquisa. Consultado em 30 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 11 de agosto de 2025
- ↑ Armélia Gonzalez (9 de julho de 2006). «Nostalgia: "Brasileiros e brasileiras"». O Globo. TV-Pesquisa. Consultado em 30 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 12 de agosto de 2025
- ↑ «Celeiro intelectual, USP aprova "doutor noveleiro"». Folha de S.Paulo. 24 de outubro de 2004. Consultado em 30 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 12 de outubro de 2025
- ↑ «SBT muda horário de novela para as 20h». Folha de S.Paulo. TV-Pesquisa. 23 de dezembro de 1990. Consultado em 30 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2024
- ↑ Apoenan Rodrigues (28 de dezembro de 1990). «Crise afeta SBT de Avancini». Jornal do Brasil. TV-Pesquisa. Consultado em 30 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2024
- ↑ Jorge Antônio Barros (6 de janeiro de 1991). «Avancini muda tudo na novela». O Dia. TV-Pesquisa. Consultado em 30 de novembro de 2019
- ↑ Roberto Comodo (10 de janeiro de 1991). «Novela do SBT tem reforço». Jornal do Brasil. TV-Pesquisa. Consultado em 30 de novembro de 2019
- ↑ A Tribuna. «Programação: (03/11/1990)»
- ↑ A Tribuna. «Programação: (10/11/1990)»
- ↑ «A segunda». Jornal do Brasil. TV-Pesquisa. 8 de novembro de 1990. Consultado em 30 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2024
- ↑ Lúcia Leme (14 de novembro de 1990). «Avancini com a mão na massa». O Globo. TV-Pesquisa. Consultado em 30 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 6 de dezembro de 2024
- ↑ Lucélia Caseiro (10 de dezembro de 1990). «Insucesso da novela obriga SBT a fazer cortes». Meio & Mensagem. TV-Pesquisa. Consultado em 30 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 11 de agosto de 2025
- ↑ «'Carrossel' bate recorde». Folha de S.Paulo. TV-Pesquisa. 26 de maio de 1991. Consultado em 30 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 3 de junho de 2025
