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Brasílio Itiberê da Cunha
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Brasílio Itiberê da Cunha | |
|---|---|
Retrato de Itiberê publicado em O Occidente em 20 de julho de 1908 | |
| Enviado extraordinário e ministro plenipotenciário do Brasil na Alemanha | |
| Período | 26 de maio de 1908 a 11 de agosto de 1913 |
| Enviado extraordinário e ministro plenipotenciário do Brasil em Portugal | |
| Período | 3 de dezembro de 1907 a 25 de maio de 1908 |
| Enviado extraordinário e ministro plenipotenciário do Brasil no Paraguai | |
| Período | 16 de março de 1896 a 17 de abril de 1905 |
| Enviado extraordinário e ministro plenipotenciário do Brasil na Bolívia | |
| Período | 15 de março de 1892 a 27 de dezembro de 1894 |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 1 de agosto de 1846 Paranaguá, Província de São Paulo, Império do Brasil |
| Morte | 11 de agosto de 1913 (67 anos) Berlim, Império Alemão |
| Alma mater | Faculdade de Direito de São Paulo |
| Esposa | Leopoldina Bárbara Heyn Denis |
| Filhos(as) | Maria Leopoldina Maria Brasília Maria Adelaide |
| Profissão | |
Brasílio Itiberê da Cunha (Paranaguá, 1.º de agosto de 1846 – Berlim, 11 de agosto de 1913) foi um compositor, pianista, diplomata e escritor brasileiro. Sua vida transcorreu entre o piano e a diplomacia. Começou a tocar e compor no Paraná, estudou direito em São Paulo e passou mais de quatro décadas no serviço exterior. Viveu em cidades da Europa e da América do Sul, sem abandonar a música. Tocou em concertos e reuniões particulares, publicou partituras e procurou abrir espaço para músicos, escritores e artistas brasileiros nos países onde trabalhou.[1][2][3]
Seu nome ficou unido a A Sertaneja, fantasia para piano publicada em 1869, quando ainda era estudante. Na peça, Itiberê tomou fragmentos de "Balaio, meu bem, balaio" e os levou para a escrita virtuosística do piano romântico. A melodia popular brasileira surge entre acordes, cruzamentos das mãos e passagens rápidas pelo teclado. A obra circulou no Brasil e na Europa e levou seu nome às primeiras discussões sobre o nacionalismo musical brasileiro.[4][5]
Na diplomacia, serviu ao Império e à República. Trabalhou na Alemanha, na Itália, na Bélgica, na Bolívia, no Peru, no Paraguai e em Portugal. Acompanhou crises políticas, negociações comerciais e debates sobre ensino técnico, imigração e relações militares. Em Assunção, participou das negociações da revolução de 1904. Em Bruxelas e Berlim, escreveu sobre economia, literatura, pintura e música brasileira.[6][7][8]
Depois de sua morte, grande parte das partituras permaneceu dispersa, enquanto A Sertaneja continuou a ser tocada e estudada. Gravações, novas edições e pesquisas recuperaram outras composições e cartas ligadas a Antônio Carlos Gomes, Franz Liszt e Anton Rubinstein. No Paraná, seu nome foi dado a uma sociedade de concertos, escola pública, dentre outras homenagens. Tornou-se ainda patrono de cadeiras da Academia Paranaense de Letras e da Academia Brasileira de Música.[9][10][11][12]
Biografia
Família, infância e formação musical
Brasílio Itiberê da Cunha nasceu em 1.º de agosto de 1846, em Paranaguá, que ainda fazia parte da Província de São Paulo. [1][13] Era filho de João Manoel da Cunha e Maria Lourenço Munhoz. Estudou primeiro em Paranaguá e depois em Curitiba, onde cursou o ensino secundário antes de se mudar para São Paulo.[14]

A família morava perto da antiga matriz de Paranaguá, em uma casa colonial onde Brasílio e seu irmão Celso Itiberê da Cunha nasceram e passaram parte da infância. Construído no final do século XVIII, o imóvel passou para o município e foi tombado pelo estado do Paraná em 1972.[15]
Seu pai era músico amador, latinista e diretor da Instrução Pública do Paraná.[16] Outros membros da família também se dedicaram à música e à literatura. João Itiberê da Cunha, irmão de Brasílio, foi poeta, jornalista, compositor e crítico musical. Seu sobrinho Brasílio Itiberê da Cunha Luz, chamado de Brasílio Itiberê II, foi compositor, escritor e pesquisador do folclore.[1]
Itiberê começou a estudar música pelo violino, mas logo fez do piano seu principal instrumento. Recebeu as primeiras aulas em casa, com a irmã Maria Lourença, e começou a se apresentar ainda jovem.[4][1] Tocou em concertos no Paraná e depois em São Paulo, enquanto escrevia suas primeiras composições.[1]
Faculdade de Direito e vida musical em São Paulo

Itiberê chegou a São Paulo por volta de 1864 para fazer os estudos preparatórios exigidos para o ensino superior. Aos vinte anos, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, onde estudou entre 1866 e 1870.[17] Rui Barbosa, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Joaquim Nabuco e Castro Alves foram seus colegas durante este período, embora não haja registros sólidos da relação de Itiberê com cada um deles.[4][17]
A música animava boa parte das reuniões estudantis. Os alunos organizavam saraus e concertos, tocavam em casas particulares e compunham valsas, polcas, quadrilhas, modinhas e fantasias. Itiberê participava como pianista e compositor. Suas partituras eram anunciadas e vendidas pela casa de música de Henrique Luís Levy, uma das lojas frequentadas por músicos e estudantes em São Paulo.[17]
Carlos Penteado de Rezende incluiu Itiberê entre os pianistas presentes num sarau de 1868, quando Castro Alves teria recitado um trecho ainda inédito de Os escravos.[17][4]
Nos anos de faculdade, Itiberê publicou a obra que ficaria mais ligada ao seu nome. Em 1869, a Casa Levy lançou A Sertaneja, fantasia para piano que emprega elementos da canção popular "Balaio, meu bem, balaio". A partitura foi anunciada naquele ano pela Casa Levy e pela loja de Madame Fertin.[4][1] Itiberê trabalhou o tema brasileiro com recursos do piano romântico europeu, como passagens de bravura, cruzamentos das mãos e mudanças amplas de registro. A peça seria retomada mais tarde nos primeiros estudos sobre o nacionalismo musical brasileiro.[4] Também lhe é atribuído um Hino Acadêmico, cuja partitura foi perdida.[17]
Itiberê continuou a tocar e compor até o fim do curso. Algumas apresentações tinham fins beneficentes e estavam ligadas às campanhas estudantis contra a escravidão.[4]
Atuação abolicionista
A participação de Itiberê no movimento abolicionista está mais bem documentada em 1870, seu último ano na Faculdade de Direito. José Maria Neves afirmou que ele obteve cartas de alforria para três crianças negras cerca de dois meses antes da formatura. O Correio Paulistano teria elogiado a iniciativa.[4]
Segundo o Diário de S. Paulo, em 20 de agosto, Itiberê tocou num concerto organizado pelo músico chileno Thomaz Rodenas em benefício da Sociedade Redemptora, que arrecadava dinheiro para comprar a liberdade de crianças escravizadas.[4][1][18]
Itiberê e Rodenas abriram o concerto com um duo para dois pianos baseado na ópera Lucia di Lammermoor. Depois, Itiberê tocou sua A supplica do escravo, anunciada como uma "meditação". Também participou da Serenata, de Franz Schubert, e encerrou sua parte no programa com o Segundo grande galope de concerto.[18]
A escolha de Súplica do escravo para um concerto que financiava alforrias aproximou sua música da campanha emancipacionista da qual participou nos meses finais da faculdade.[4]
Primeiros postos na Europa

Depois de concluir o curso de direito, em 1870, Itiberê mudou-se para o Rio de Janeiro e procurou apoio para continuar os estudos de música na Europa. Seu ingresso na diplomacia teria ocorrido depois de uma apresentação diante da família imperial, no início de 1871. Vasti de Sousa Almeida escreveu que Pedro II lhe concedeu uma bolsa e ofereceu o posto de adido de primeira classe na legação brasileira em Berlim.[9][2]
O posto de adido de primeira classe fazia parte da carreira diplomática do Império. O adido auxiliava os secretários e os chefes de legação na correspondência, na preparação de documentos e nas tarefas administrativas da missão.[19]
Itiberê deixou o Brasil nos últimos dias de julho de 1871. Passou por Lisboa, Madri, Paris, Londres e Bruxelas antes de chegar a Berlim, capital do recém-criado Império Alemão. Começou a trabalhar na legação brasileira em 7 de setembro.[2][3]
A primeira passagem por Berlim foi curta. Em novembro de 1872, o chefe da legação informou ao ministro dos Negócios Estrangeiros que a saúde de Itiberê havia piorado com o inverno e pediu sua transferência urgente para Roma. Um decreto de 2 de outubro de 1873 autorizou-o a trabalhar na representação brasileira junto ao Reino da Itália. Em dezembro, ele já estava em exercício na capital italiana.[2]
A transferência para Roma ocorreu em 1873, mas sua saída definitiva da legação de Berlim só foi formalizada em novembro de 1875. Naquele ano, o barão de Javari, chefe da missão brasileira na Itália, autorizou-o a fazer tratamento nas águas termais de Vichy, na França. Quando recebeu a notícia da remoção definitiva, Javari elogiou seu trabalho e declarou que desejava mantê-lo na legação.[2]
Itiberê ficou em Roma até 1882. Trabalhou na legação, estudou música, frequentou concertos e conviveu com músicos, escritores e artistas brasileiros e europeus. Manteve contato com Carlos Gomes e ajudou a fazer circular informações sobre suas óperas. Também apresentou composições próprias e obras de outros músicos brasileiros nos ambientes que frequentava.[3][9]
Seu acervo pessoal guarda uma carta de 13 de dezembro de 1873, atribuída ao diretor da Ópera de Berlim, sobre possíveis apresentações de Il Guarany e Fosca na Alemanha. Há também uma carta enviada por Gomes em 5 de abril de 1879, poucos dias depois da estreia de Maria Tudor no Teatro alla Scala, em Milão.[9] Itiberê usava seus contatos para aproximar artistas brasileiros de músicos e instituições europeias. José Maria Neves comparou esse trabalho ao que os adidos culturais fariam no século XX, embora Itiberê nunca tenha ocupado um cargo com esse nome.[9]
Em Roma, Itiberê frequentou ambientes onde se comunicava com Giovanni Sgambatti, Franz Liszt e Anton Rubinstein, além de salões aristocráticos e ateliês de artistas brasileiros.[2][3] Em 1.º de fevereiro de 1882, foi admitido como sócio-pianista da Accademia Nazionale di Santa Cecilia.[2]
Bélgica
Depois de uma licença e de uma visita ao Brasil, Itiberê voltou à Europa e assumiu suas funções na legação brasileira em Bruxelas em 3 de janeiro de 1883. Trabalhou como secretário, substituiu o chefe da missão em alguns períodos e foi promovido a primeiro-secretário em 1890.[2] Em 1886, a legação era chefiada por Júlio Constâncio de Villeneuve, conde de Villeneuve. Itiberê ocupava a secretaria e Carlos Dias Delgado de Carvalho servia como adido.[20]
Itiberê dirigiu a legação como encarregado de negócios entre 14 de dezembro de 1889 e 15 de março de 1891.[6] Nesse intervalo, a proclamação da República encerrou o regime ao qual Villeneuve estava ligado. O conde deixou o serviço diplomático, e Itiberê ficou responsável pela representação durante parte da mudança de governo.[2]
A Bélgica mantinha negócios no Brasil por meio de bancos, empresas, engenheiros e investidores. Capitais belgas foram aplicados em ferrovias, serviços urbanos e indústrias durante a segunda metade do século XIX.[21] Eddy Stols incluiu Itiberê entre os diplomatas que trabalharam para manter essas relações no fim do século XIX.[21]
Itiberê acompanhou de perto o ensino técnico belga. Defendeu bolsas no exterior para jovens ligados à agricultura, ao comércio e à indústria, nos moldes das que já eram concedidas a estudantes de artes e ciências. Também propôs que oficiais brasileiros com formação matemática estudassem eletricidade na Universidade de Liège. Dois oficiais da Marinha fizeram o curso.[2]
Escreveu uma monografia sobre o ensino agrícola na Bélgica e a enviou ao Ministério da Agricultura. Em 1889, preparou o estudo A indústria do açúcar na Bélgica. Também organizou uma seção brasileira no Museu Comercial de Bruxelas, com produtos, informações comerciais e uma sala de leitura. Defendeu ainda a criação de cargos de adido comercial e técnico nas legações e nos consulados brasileiros.[2]
Itiberê continuou a tocar em recitais e concertos durante os anos em Bruxelas. Publicou composições pela Schott Frères e escreveu sobre literatura e artes brasileiras para a Revue générale.[2][3] Permaneceu na Bélgica até 1892.
Missões na Bolívia e no Peru
Promovido a enviado extraordinário e ministro plenipotenciário de segunda classe, Itiberê assumiu a legação brasileira na Bolívia em 15 de março de 1892. A nomeação encerrou cerca de vinte anos de trabalho na Europa. Permaneceu oficialmente no posto até 27 de dezembro de 1894.[6] Depois de uma longa viagem, chegou a Oruro em 5 de dezembro de 1892 e seguiu para La Paz.[2]
Nos primeiros meses, participou de recepções diplomáticas e tocou em encontros musicais. Em janeiro de 1893, foi recebido pelo representante do Chile, decano do corpo diplomático. Os jornais El Comercio e El Nacional publicaram notícias sobre apresentações nas quais executou obras próprias e peças de outros compositores.[2]
O trabalho da legação também envolvia conflitos na fronteira amazônica e comunicações difíceis com o território brasileiro. Em 1893, Itiberê cuidou de incidentes nas regiões do Beni e de Madre de Dios, onde brasileiros haviam sido atacados. Poucos anos depois, as disputas por terras e pela exploração da borracha na mesma região dariam origem à Questão do Acre.[2]
Em 27 de dezembro de 1894, Itiberê foi transferido para a legação brasileira no Peru e permaneceu no posto até 29 de março de 1895.[6] Sua saída da Bolívia, porém, foi acompanhada por uma disputa com as autoridades aduaneiras. Itiberê recusou a inspeção de sua bagagem por considerá-la discriminatória e protestou junto ao ministro boliviano das Relações Exteriores, Emeterio Cano. Outros diplomatas apoiaram sua reclamação, mas o episódio acabou pesando em sua exoneração do posto no Peru.[2]
Paraguai
Itiberê chefiou a legação brasileira no Paraguai de 16 de março de 1896 a 17 de abril de 1905. Afastou-se por licença em 1897 e entre 1901 e 1902.[6] Foi sua chefia de missão mais longa. O país atravessava crises políticas e financeiras, enquanto Brasil e Argentina disputavam espaço junto ao governo paraguaio.[7]
O Paraguai ainda sofria os efeitos da Guerra do Paraguai. A moeda havia perdido valor, uma seca prolongada atingia as plantações e nuvens de gafanhotos destruíam parte das lavouras. Itiberê enviou ao governo brasileiro informações sobre a pobreza no interior e sobre a dificuldade do governo paraguaio para pagar suas dívidas.[7]
A legação acompanhava a navegação entre o Paraguai e Mato Grosso. Antes da abertura de rotas terrestres permanentes, os rios Paraguai e Paraná eram usados para transportar passageiros, mercadorias e correspondência entre a região e o restante do Brasil. O governo brasileiro procurava manter livre essa passagem.[7]
Itiberê tratou ainda dos interesses da Companhia Matte Larangeira, produtora de erva-mate no sul de Mato Grosso. Parte da mercadoria atravessava o Paraguai em direção ao Rio da Prata. Na disputa presidencial paraguaia de 1898, ele se preocupou com a candidatura de Agustín Cañete, acionista da La Industrial Paraguaya. Temia que sua eleição dificultasse o transporte da produção da empresa brasileira e favorecesse uma concorrente paraguaia.[7]
A dívida deixada pela guerra voltou às negociações em 1898 e 1899. O governo paraguaio pediu ao Brasil o perdão dos valores devidos e propôs um novo tratado comercial. O ministro das Relações Exteriores, Olinto de Magalhães, respondeu que a remissão precisava ser aprovada pelo Congresso Nacional. Itiberê transmitiu essa resposta ao governo de Emilio Aceval e participou das primeiras conversas, que não chegaram a um acordo.[7]
Em Assunção, tornou-se membro honorário do Instituto Paraguaio, escreveu uma monografia que tratava, entre outros assuntos, do potencial hidráulico do país e presidiu a Escola de Pintura de Assunção.[2] Entre julho de 1901 e junho de 1902, ficou afastado da legação e visitou o Brasil e a Europa.[2]

Em Assunção, Itiberê casou-se com Leopoldina Bárbara Heyn Denis, de uma família estabelecida na capital paraguaia. O casal teve três filhas, Maria Leopoldina, Maria Brasília e Maria Adelaide.[22] Leopoldina acompanhou o marido em parte da carreira diplomática. [23]
A crise política se agravou com a revolução de 1904, conduzida por setores do Partido Liberal contra o presidente Juan Antonio Escurra. Como decano do corpo diplomático em Assunção, Itiberê manteve contato com o governo, os rebeldes e as missões estrangeiras. O barão do Rio Branco orientou-o a buscar um acordo sem envolver o Brasil em favor de qualquer facção.[7]
Em 12 de setembro, Itiberê, o ministro argentino e outros diplomatas embarcaram no navio brasileiro Carioca com o chanceler paraguaio Antolín Irala. O grupo seguiu até Villeta, onde entregou a Benigno Ferreira, comandante dos revolucionários, propostas de paz preparadas pelo governo. Ferreira não as aceitou, e os combates continuaram.[7]
A legação brasileira abrigou pessoas ameaçadas pela violência. No começo de outubro, catorze paraguaios estavam na residência de Itiberê e outros 24 na sede da missão. Entre eles estavam o ex-presidente Emilio Aceval, o dirigente liberal Antonio Taboada, o intelectual Juan Silvano Godoi, parlamentares, magistrados e opositores do governo. Itiberê afirmou ter retirado alguns deles da prisão.[7]
O asilo provocou protestos de autoridades paraguaias e alimentou acusações de que o ministro brasileiro favorecia os rebeldes. Itiberê respondeu que procurava proteger os asilados sem abandonar a neutralidade.[7]
A revolução também atingiu navios mercantes brasileiros. Depois que embarcações foram interceptadas, Itiberê pediu autorização para que navios de guerra lhes dessem escolta. Rio Branco aprovou o pedido. A medida não chegou a ser usada porque Benigno Ferreira prometeu deixar os navios brasileiros seguir viagem.[7]
Em 12 de dezembro de 1904, representantes do governo e dos revolucionários assinaram o Pacto de Pilcomayo a bordo do monitor argentino El Plata, acompanhado por embarcações argentinas e brasileiras. Itiberê recebeu o texto público como uma proposta de conciliação. Depois, informou ao governo brasileiro que havia uma ata secreta que alterava parte do acordo em favor dos revolucionários.[7]
Sua conduta durante a revolução foi criticada no Rio de Janeiro, onde surgiram acusações de simpatia pelos liberais. Francisco Doratioto admite a possibilidade de que os anos passados no Paraguai tenham afetado o distanciamento do diplomata, mas não apresenta essa hipótese como uma conclusão.[7]
Itiberê deixou Assunção em 17 de abril de 1905. Augusto Cochrane de Alencar assumiu a legação interinamente.[6][7] O presidente Juan Bautista Gaona ofereceu-lhe um banquete de despedida e elogiou sua correção e imparcialidade. Cochrane escreveu que a homenagem era incomum, pois o governo paraguaio não costumava oferecer recepções desse tipo aos chefes de missão que deixavam o país.[7]
Congressos de expansão econômica
Depois de deixar Assunção, Itiberê representou o governo brasileiro em congressos sobre expansão econômica. Participou do encontro realizado no Rio de Janeiro em 1905 e dos congressos de Mons e Liège, na Bélgica, entre 1906 e 1907.[8][2]
Reuniu as notas e propostas discutidas nesses encontros em Economia social: expansão econômica mundial (segundo os congressos de Mons e do Rio de Janeiro), publicada em dois volumes pela Imprensa Nacional, em 1907 e 1908.[24] Nos dois volumes, comparou sistemas de ensino europeus e escreveu sobre educação popular, escolas comerciais, organização do trabalho e formação técnica.[8]
Para Itiberê, terras férteis, matérias-primas e clima favorável não bastavam para enriquecer um país. Esses recursos precisavam ser trabalhados com conhecimento, tecnologia, poupança e organização. Parte de seu argumento retomava ideias de Juan Bautista Alberdi, que criticava a tendência das elites sul-americanas de confundir recursos disponíveis com riqueza já produzida.[8]
Itiberê também criticou o peso dado aos cursos jurídicos na formação dos dirigentes brasileiros. Defendia mais escolas técnicas, científicas e comerciais. Queria ainda que cônsules e diplomatas reunissem informações sobre mercados, divulgassem produtos brasileiros e aproximassem comerciantes e produtores. Propôs instituições de crédito e cursos profissionais para apoiar essas atividades.[8][2]
Paulo Roberto de Almeida incluiu esses textos entre as primeiras análises comparativas escritas por um diplomata brasileiro sobre educação, produtividade e atraso econômico.[8]
Portugal e Alemanha
Itiberê assumiu a legação brasileira em Portugal em 3 de dezembro de 1907, como enviado extraordinário e ministro plenipotenciário. Ficou em Lisboa até 25 de maio de 1908.[6] Sua passagem coincidiu com os últimos meses do reinado de Carlos I e com a subida de Manuel II ao trono, depois do Regicídio de 1908.
Em julho de 1908, a revista lisboeta O Occidente informou que Itiberê havia sido promovido a ministro de primeira classe e recebido por Manuel II. Na entrega das credenciais, o rei e o diplomata falaram sobre as relações entre Portugal e o Brasil.[23]
Itiberê também participou das comemorações do centenário da Abertura dos portos às nações amigas. Em um banquete no Avenida Palace, recebeu o comandante e os oficiais do cruzador português Rainha D. Amélia, enviado ao Rio de Janeiro para as celebrações. Em seu discurso, falou sobre a recepção que a tripulação teria no Brasil e sobre as relações entre os dois países.[23]
No fim de maio, foi transferido para Berlim, onde havia iniciado a carreira diplomática em 1871. Chefiou a missão brasileira na Alemanha de 26 de maio de 1908 até sua morte, em 11 de agosto de 1913.[6] Seu título oficial era enviado extraordinário e ministro plenipotenciário, usado então pelos chefes de legação, o atual cargo de Embaixador.[25]
Itiberê apresentou suas credenciais ao imperador Guilherme II em 8 de dezembro de 1908. O chanceler Bernhard von Bülow participou da cerimônia. Em seu relato ao governo brasileiro, Itiberê escreveu que o imperador conhecia passagens de sua carreira e o recebera cordialmente.[2]
José Pinto da Fonseca Guimarães respondeu pela legação durante duas ausências de Itiberê, de 17 de outubro a 25 de novembro de 1908 e de 9 a 23 de agosto de 1910.[26]
Em 1910, Itiberê acompanhou a visita de Hermes da Fonseca à Alemanha e à França. Um dos assuntos discutidos era a contratação de uma missão alemã para auxiliar na reforma do Exército brasileiro. Em cartas a Rio Branco, Itiberê procurou esclarecer a posição de Hermes e evitar atritos causados pela disputa entre os modelos militares alemão e francês.[2] O Brasil não contratou a missão alemã naquele momento, e a disputa pela reforma do Exército prosseguiu entre grupos favoráveis à Alemanha e à França.[27]
Em julho de 1910, Itiberê assinou em Berlim uma convenção geral de arbitramento entre o Brasil e a Grécia. Também respondeu a denúncias da imprensa alemã sobre o tratamento de imigrantes no Brasil. Enviou informações e procurou publicar respostas no Berliner Tageblatt, no Morgenpost, no Lokal-Anzeiger e no Tägliche Rundschau.[2]
Na Exposição Internacional de Higiene de Dresden, em 1911, o pavilhão brasileiro apresentou trabalhos sobre doenças tropicais, saneamento e pesquisa médica. O material vinha do Instituto Oswaldo Cruz, do Instituto Butantan e de repartições sanitárias brasileiras. Itiberê participou da abertura do pavilhão em 14 de junho e discursou ao lado de Karl August Lingner, presidente da exposição, e de autoridades da Saxônia.[28]
Itiberê escreveu sobre música, literatura e artes brasileiras para periódicos alemães, entre eles Der Musiksalon e Illustrirte Zeitung. Também promoveu noites de música brasileira na legação.[3]
Permaneceu no cargo até morrer em Berlim, em 11 de agosto de 1913.[25][6]
Atuação musical
Pianista e relações com músicos europeus
A diplomacia era sua profissão, mas Itiberê continuou a tocar, compor e apresentar música brasileira durante quase toda a carreira. Antes de partir para a Europa, já havia se apresentado no Paraná, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em Roma, onde viveu entre 1873 e 1882, passou a frequentar concertos, salões aristocráticos, academias e ateliês de artistas.[2][9]
Nessas reuniões, tocava obras próprias e peças de Beethoven, Anton Rubinstein e outros compositores. Seu repertório incluía Ballade des tropiques, Soirées à Venise, Poème d'amour e Étude de concert. Uma filha do escultor Adamo Tadolini transcreveu Poème d'amour para harpa. Em março de 1882, o pianista Alfredo de Lucca tocou Barcarolle Vénitienne e Étude de concert na Sala Ducci, em Roma.[2]
Itiberê conviveu com Carlos Gomes, que morava na Itália. Assistiu à estreia de Maria Tudor no Teatro alla Scala, em março de 1879, e visitou o compositor depois da abertura da ópera. Gomes escreveu-lhe em 5 de abril, poucos dias após a estreia. A carta, guardada no acervo de Itiberê, mostra a familiaridade entre os dois.[9][2]
Outra carta, datada de 13 de dezembro de 1873 e atribuída ao diretor da Ópera de Berlim, trata de possíveis apresentações de Il Guarany e Fosca na Alemanha.[9] Itiberê usava seus contatos para fazer chegar notícias e obras de músicos brasileiros aos teatros e salões europeus.
Em Roma, conheceu Giovanni Sgambatti, Franz Liszt e Anton Rubinstein. Seu acervo guarda uma carta de Sgambati e uma cópia autenticada de um bilhete de Liszt. No bilhete, Liszt agradece uma remessa enviada por Itiberê e lhe oferece duas composições.[9] O Étude de concert d'après E. Bach, op. 33, traz uma dedicatória a Rubinstein.[2]
“Mil agradecimentos por sua magnífica remessa.”
— Franz Liszt, em bilhete dirigido a Brasílio Itiberê.[4]
O primeiro encontro com Liszt teria ocorrido depois de um concerto beneficente no qual o compositor húngaro e Sgambati tocaram Les Préludes.[2] Itiberê voltou a encontrá-los em concertos e reuniões particulares na capital italiana.
Em textos escritos mais tarde, Itiberê contou que Liszt visitou seu apartamento na Via del Corso, comentou Soirées à Venise e Nuits orientales e recomendou algumas de suas peças a alunos. Em fevereiro de 1880, Itiberê tocou o Étude de concert numa recepção da princesa Charlotte Primoli Bonaparte e teria recebido elogios públicos de Liszt.[2]
Outra história repetida em suas biografias afirma que Liszt tocou A Sertaneja no apartamento de Itiberê, diante de Sgambati e Rubinstein.[4][9]
Em 1.º de fevereiro de 1882, Itiberê foi admitido como sócio-pianista da Accademia Nazionale di Santa Cecilia.[2] Em 10 de julho, durante uma licença no Brasil, apresentou-se no Teatro São Pedro de Alcântara, no Rio de Janeiro, com a cantora francesa Alina Alhaiza. Tocou uma Gavotte, uma Barcarolle e um estudo em lá bemol de sua autoria.[2]
Em Bruxelas, continuou a se apresentar em concertos, reuniões particulares e igrejas, entre elas a Catedral de São Miguel e Santa Gudula. Frequentou o círculo musical do príncipe de Chimay, ministro belga das Relações Exteriores, e acompanhou apresentações de Liszt em Londres e Antuérpia em 1886.[2]
Também publicou composições na Europa e promovia músicos brasileiros em recepções e encontros realizados nas legações. José Maria Neves comparou esse trabalho ao dos adidos culturais do século XX, embora Itiberê nunca tenha ocupado oficialmente um cargo com esse nome.[9]
Estilo e linguagem musical
A maior parte do catálogo conhecido de Itiberê foi escrita para piano. Valsas, mazurcas, polcas, barcarolas, noturnos, meditações, gavotas, berceuses, caprichos, fantasias e estudos de concerto aparecem entre as partituras preservadas. Muitos títulos estão em francês, como Poème d'amour, Ballade des tropiques, Nuits orientales, Soirées à Venise e Sur les rives du Plata.[4]
Algumas peças são curtas e têm caráter lírico ou dançante. Outras foram escritas para pianistas com maior domínio técnico e usam oitavas, acordes repetidos, cruzamentos das mãos e passagens de bravura. O catálogo reúne música para os salões do século XIX e obras destinadas à execução em concerto.[4]
Poucas composições receberam análise detalhada. Quase toda a discussão sobre sua escrita musical parte de A Sertaneja. Nessa obra, Borém e Marochi encontraram recursos semelhantes aos usados por Franz Liszt no Sonetto 104 del Petrarca, entre eles mãos sobrepostas, intervalos paralelos e repetição de trechos em diferentes regiões do teclado. Essas passagens criam efeitos próximos aos tremolos e trinados de uma orquestra de cordas.[4]
Outros trechos de A Sertaneja têm melodias ornamentadas sobre baixos arpejados e acordes no registro médio. A escrita se aproxima dos noturnos de Frédéric Chopin, mas também pode lembrar a modinha, que já havia incorporado elementos do romantismo europeu.[4]
Itiberê escreveu dentro da linguagem internacional do piano romântico, mas recorreu algumas vezes a temas e referências brasileiras ou sul-americanas. O exemplo mais claro é A Sertaneja, construída a partir de fragmentos de "Balaio, meu bem, balaio". Títulos como Danse americaine, Ballade des tropiques, A Serrana e Súplica do escravo também remetem ao Brasil ou às Américas. Como essas peças ainda foram pouco estudadas, seus títulos não bastam para classificá-las como nacionalistas.[4]
O catálogo, portanto, não segue uma única linha. Parte das obras pertence aos gêneros correntes dos salões europeus. Em A Sertaneja, Itiberê uniu esse repertório técnico a uma melodia popular brasileira.[29]
Durante muito tempo, sua música foi tratada de duas formas opostas. Itiberê aparecia como precursor do nacionalismo brasileiro ou como compositor amador de peças ligeiras. A análise de Borém e Marochi encontrou em A Sertaneja uma organização mais cuidada, baseada na repetição e transformação de poucos motivos rítmicos e melódicos.[4]
A Sertaneja

Itiberê publicou A Sertaneja, op. 15, aos 23 anos, em 1869, quando ainda estudava na Faculdade de Direito de São Paulo. O Correio Paulistano anunciou seu lançamento em 17 de junho. A Casa Levy ofereceu a partitura como uma "grande fantasia característica" escrita pelo estudante Brasílio Itiberê. Pouco depois, a loja de Madame Fertin também passou a vendê-la.[4][29]
A obra foi escrita para piano solo, recebeu o subtítulo Fantasia característica sobre temas brasileiros e foi dedicada ao político e abolicionista Saldanha Marinho.[5][30]
O tema brasileiro vem de "Balaio, meu bem, balaio", canção popular que circulava em diferentes versões pelo país. Helza Camêu encontrou na obra dois fragmentos da melodia entre sete temas folclóricos reunidos por Itiberê para uma publicação de Frederico José de Santana Néri. Borém e Marochi chamaram esses trechos de "Balaio 1" e "Balaio 2".[4]
“Um estilo composicional mais sofisticado, estruturado e unificado.”
— Fausto Borém e Mario Luiz Marochi Junior, sobre a escrita musical de Itiberê em A Sertaneja.[4]
O primeiro fragmento ocupa uma das partes principais da fantasia. O segundo surge depois e volta transformado perto do fim. Itiberê também aproveitou seus intervalos e ritmos em transições, acompanhamentos e passagens virtuosísticas. Em alguns momentos, a canção é facilmente reconhecida. Em outros, resta apenas um motivo deslocado para outra região do teclado ou incorporado a uma figuração mais rápida.[4] Na coda, o primeiro fragmento retorna em acordes e conduz a uma passagem ascendente de grande velocidade.[29]
A forma da peça recebeu leituras diferentes. Camêu a chamou de "rondó imperfeito". José Maria Neves aproximou-a da rapsódia e da forma mais livre da fantasia.[4] Borém e Marochi dividiram a obra em introdução, primeira seção, parte central, retorno modificado e coda. Dentro dessa estrutura, encontraram dez áreas temáticas construídas com poucos motivos, que reaparecem em ordem semelhante à de um arco.[4]
A escrita mistura a melodia brasileira com recursos do piano romântico europeu. Algumas passagens usam cruzamentos das mãos, intervalos paralelos e repetições em diferentes regiões do teclado. Borém e Marochi compararam esses procedimentos aos do Sonetto 104 del Petrarca, de Franz Liszt. O efeito se aproxima de trinados e tremolos de uma orquestra de cordas.[4]
Outros trechos têm melodias ornamentadas sobre baixos arpejados e acordes no registro médio. Essa escrita lembra os noturnos de Frédéric Chopin, mas também se aproxima do lirismo da modinha. As duas referências se cruzam porque a própria modinha já havia absorvido elementos do romantismo europeu.[4][29]
A Sertaneja foi uma das primeiras obras da música de concerto brasileira a empregar de maneira explícita uma melodia popular. Ela não foi a primeira composição escrita no Brasil com material local. O amor brazileiro, de Sigismund von Neukomm, já havia usado um tema de lundu em 1819. Carlos Gomes publicou A Cayumba em 1857, com ritmos de danças negras adaptados à polca de salão.[4]
José Maria Neves chamou Itiberê de "patriarca" do nacionalismo musical brasileiro. Heitor Villa-Lobos colocou seu nome ao lado de Alexandre Levy e Alberto Nepomuceno entre os compositores que iniciaram esse caminho.[4]
Itiberê também foi tratado por parte da crítica como compositor amador de música ligeira. A análise de Borém e Marochi encontrou uma construção mais cuidada, com motivos que voltam, mudam de forma e mantêm unidas as diferentes partes da fantasia.[4]
A Sertaneja tornou-se sua obra mais executada, estudada e gravada. O projeto Música Brasilis publicou uma nova editoração preparada por Simonne Fonseca, com revisão de Thadeu de Moraes Almeida. Edições antigas também podem ser consultadas em repositórios digitais de partituras.[5][30]
Outras composições

Itiberê começou a compor antes de entrar na Faculdade de Direito. Amizade, uma polca, e Nocturne-Saudade datam de 1864. Em 1865, escreveu O eco dos salões, op. 3, uma valsa de bravura. Os pífaros da esquadra, op. 5, foi publicado em 1867 como polca brilhante.[31]
Entre as peças dos anos de faculdade estão Valsa acadêmica, dedicada aos estudantes de São Paulo, A graciosa, Stella maris, Mazurka, op. 12, Barcarolle, op. 13, Danse americaine, op. 14, e Valse-Caprice, op. 16, também chamada A misteriosa.[31] Carlos Penteado de Rezende atribuiu-lhe ainda um Hino Acadêmico, cuja partitura não foi localizada.[17]
Algumas obras desse período acompanharam seu envolvimento com a campanha abolicionista. No concerto de 1870 em benefício da Sociedade Redemptora, Itiberê tocou Súplica do escravo, anunciada no programa como uma meditação, e o Segundo grande galope de concerto.[18][4] Também escreveu a Marcha fúnebre à memória de Louis Moreau Gottschalk, op. 21, depois da morte do pianista norte-americano no Rio de Janeiro, em dezembro de 1869.[32][31]
Os títulos das obras posteriores acompanham as viagens e os ambientes frequentados por Itiberê. Sur les rives du Plata, op. 18, refere-se ao Rio da Prata. Soirées à Venise, op. 24, e Nuits orientales, op. 27, remetem à Itália e ao Oriente. O mesmo grupo reúne Une larme, op. 19, Ballade des tropiques, op. 20, e Poème d'amour, op. 22.[31]
Danse americaine, Ballade des tropiques, A Serrana e Súplica do escravo têm títulos ligados ao Brasil ou às Américas. As partituras ainda receberam pouca análise, e os títulos, sozinhos, não permitem saber até que ponto Itiberê empregou nelas ritmos ou melodias locais.[4]
Itiberê também escreveu gavotas, mazurcas, serenatas, berceuses e caprichos. Entre elas estão Gavotte sur l'air célèbre de Louis XIII, op. 23, e Gavotte, op. 30.[31] As dedicatórias aproximam as partituras dos círculos diplomáticos que frequentava. A 6ª Mazurca, op. 31, foi dedicada à condessa Coello de Portugal. A Gavotte, op. 30, foi oferecida ao conde de Villeneuve, e a Serenade, op. 34, à condessa de Villeneuve.[33]

O Étude de concert d'après E. Bach, em dó menor, parte do Solfeggio em dó menor, H. 220, de Carl Philipp Emanuel Bach. A partitura traz uma dedicatória a Anton Rubinstein.[34][33] A obra usa oitavas, acordes e deslocamentos rápidos pelo teclado. Como ocorre nos estudos de concerto do século XIX, a dificuldade técnica faz parte da própria peça, que foi escrita para apresentação pública.
Impromptu-Nocturne, de 1903, é uma das poucas composições tardias com data conhecida.[31] Itiberê escreveu principalmente para piano solo, mas seu catálogo também contém três arranjos para violino e piano e cinco obras vocais. Esse repertório vocal e camerístico recebeu menos edições, estudos e gravações do que suas peças para piano.[4]
Catálogo e conservação das obras
Não se sabe ao certo quantas obras Itiberê escreveu. O levantamento usado por Borém e Marochi chega a cerca de sessenta, mas parte das partituras nunca foi localizada. Na época do estudo, a Biblioteca Casa da Memória, da Fundação Cultural de Curitiba, guardava aproximadamente trinta. Um grupo menor estava na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.[4]
Mercedes Reis Pequeno preparou um catálogo para o livro de José Maria Neves. A lista reúne 21 peças para piano solo com número de opus, onze sem essa numeração, três arranjos para violino e piano e cinco obras vocais. Entre as peças vocais, três são religiosas, uma foi escrita para o Natal e outra é profana. As formações usam voz, piano e instrumentos de cordas em combinações diferentes.[4]
A numeração chega ao opus 41, mas tem longas lacunas. Borém e Marochi calcularam que pelo menos vinte obras podem ter se perdido. Os números ausentes, porém, não provam que todas tenham sido terminadas ou publicadas. Duas peças sem número de opus são conhecidas apenas por anúncios de jornal e não foram encontradas nos arquivos consultados.[4]
A grafia dos títulos muda de uma edição para outra, e parte das partituras não traz uma data clara. Há ainda o risco de confusão com seu sobrinho, o compositor Brasílio Itiberê da Cunha Luz. Esses problemas tornam mais difícil saber quando uma obra foi escrita, publicada ou reeditada.
Em 1953, a família entregou o arquivo pessoal de Itiberê à Sociedade de Cultura Artística Brasílio Itiberê. O conjunto reunia partituras, programas, cartas e outros papéis. Entre as correspondências estavam materiais relacionados a Carlos Gomes, Franz Liszt e Giovanni Sgambatti.[9]
Esse arquivo pessoal não deve ser confundido com os documentos produzidos pela própria sociedade. A SCABI encerrou suas atividades em 1976 e transferiu seu arquivo para a Fundação Cultural de Curitiba em 1983. Parte do material passou pelo Museu Alfredo Andersen antes de voltar à fundação. Os papéis da entidade estão no Centro de Documentação e Pesquisa da Casa da Memória.[35]
As mudanças de endereço e de instituição dificultaram a organização do material. Alan Rafael de Medeiros levantou a possibilidade de que uma parte tenha se perdido nessas transferências.[35]
O Música Brasilis publicou novas editorações de sete peças para piano: A Sertaneja, Mazurka, op. 12, Poème d'amour, op. 22, Gavotte, op. 30, 6ª Mazurca, op. 31, Étude de concert e Serenade, op. 34.[33] O IMSLP oferece reproduções digitais de algumas edições antigas em domínio público. Sua lista de obras é preliminar e permanece incompleta.[31]
Ainda falta um catálogo crítico que compare manuscritos, primeiras edições, reimpressões, programas de concerto e anúncios de jornal. Sem esse trabalho, parte da cronologia, da autoria e da história editorial das obras continuará incerta.
Escritos e atuação cultural
Itiberê escreveu sobre educação, comércio, economia, literatura, artes visuais e música. Parte desses textos nasceu de seu trabalho diplomático, das viagens e do contato com escolas, museus, empresas e artistas estrangeiros.[2][3]
“Acima de tudo, em teu trabalho, busca apaixonada e desinteressadamente a Beleza tal como a desejas.”
— Brasílio Itiberê da Cunha, em La Littérature et les Beaux-Arts au Brésil (1912), tradução livre do francês.[36]
Na Bélgica, interessou-se pelo ensino técnico e pela organização econômica do país. Escreveu uma monografia sobre o ensino agrícola belga e a enviou ao Ministério da Agricultura. Em 1889, publicou A indústria do açúcar na Bélgica. Defendia a formação de agricultores, comerciantes, operários e industriais, enquanto criticava o peso dado aos cursos jurídicos na educação das elites brasileiras.[2]
“Quando afirmamos que o Brasil é um país riquíssimo, confundimos riqueza com instrumento ou fator de riqueza.”
— Brasílio Itiberê da Cunha, em Economia social: expansão econômica mundial (1907–1908).[24]
Também organizou uma seção brasileira no Museu Comercial de Bruxelas. O espaço exibia produtos nacionais, oferecia informações sobre o Brasil e mantinha uma sala de leitura. Itiberê propôs ainda a criação de cargos de adido comercial e técnico nas legações e nos consulados. Esses funcionários estudariam os mercados estrangeiros, divulgariam produtos brasileiros e aproximariam produtores, comerciantes e escolas profissionais.[2]
Depois de participar dos congressos de expansão econômica do Rio de Janeiro, em 1905, de Mons, em 1906, e de Liège, em 1907, reuniu suas ideias em Economia social: expansão econômica mundial (segundo os congressos de Mons e do Rio de Janeiro). A Imprensa Nacional publicou a obra em dois volumes, em 1907 e 1908.[8][24]
Itiberê comparou modelos de ensino, organização do trabalho e comércio adotados em países europeus. Para ele, terras férteis, clima favorável e matérias-primas não bastavam para produzir riqueza. Era preciso combiná-los com trabalho, educação, poupança, organização e tecnologia.[8][24]
Parte de seu argumento retomava ideias de Juan Bautista Alberdi. Itiberê criticava as elites sul-americanas por confundirem recursos disponíveis com riqueza já produzida. Defendia escolas populares, agrícolas, industriais e comerciais, capazes de preparar trabalhadores e aumentar a produtividade.[8]
Também queria ampliar o trabalho econômico das representações brasileiras no exterior. Diplomatas e cônsules deveriam estudar mercados, divulgar mercadorias, acompanhar novas técnicas e pôr empresários brasileiros em contato com compradores estrangeiros. Itiberê propôs ainda bancos de crédito e escolas profissionais voltados à agricultura, à indústria e ao comércio.[8][2] Paulo Roberto de Almeida incluiu esses textos entre as primeiras análises comparativas escritas por um diplomata brasileiro sobre educação, produtividade e atraso econômico.[8]
Itiberê também escreveu sobre artistas brasileiros. Em Roma, publicou no Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, um artigo favorável ao quadro A oferta da viúva, de Zeferino da Costa. A obra entrou depois para a pinacoteca da Academia Imperial de Belas Artes.[2]
Em Bruxelas, colaborou com a Revue générale e escreveu sobre literatura brasileira. Um de seus textos tratava de Inocência, de Taunay.[2] Seu irmão João Itiberê da Cunha também vivia na Bélgica e participava do grupo da revista La Jeune Belgique.
Entre 1910 e 1912, Itiberê publicou em francês a série La Littérature et les Beaux-Arts au Brésil, na revista berlinense Der Musiksalon. O editor o convidou depois de uma noite musical realizada na legação brasileira.[2] Os artigos tratavam de escritores, pintores, escultores, arquitetos e compositores brasileiros.
Trechos da série foram reproduzidos no Rio de Janeiro pelo periódico francês L'Étoile du Sud, entre 1911 e 1912.[37][36]
Itiberê escreveu sobre a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, a Missão Artística Francesa e a criação das primeiras instituições de ensino artístico do país. Também tratou de artistas que conhecera em Roma, como Zeferino da Costa, Rodolfo Amoedo, Henrique Bernardelli e Rodolfo Bernardelli. Comentou ainda as bolsas que permitiam a alunos premiados da Academia Imperial de Belas Artes estudar na Europa.[37][36]
Nos artigos, discutiu a fórmula francesa l'art pour l'art. Não a rejeitava por completo, mas criticava interpretações que reduziam a arte ao materialismo. Defendia a liberdade do artista diante de escolas e sistemas e afirmava que cada autor deveria desenvolver uma voz própria.[36][2]
Itiberê enviava partituras, apresentava músicos, escrevia sobre exposições e procurava espaço para artistas brasileiros em teatros e jornais europeus. Em Assunção, tornou-se membro honorário do Instituto Paraguaio e presidiu a Escola de Pintura. Em Berlim, promoveu noites musicais na legação e escreveu para periódicos alemães.[2][3]
Celso de Tarso Pereira escreveu que Itiberê viajou ao Egito e compôs ali parte da suíte Nuits orientales. Uma das peças, Le Jardin des Tropiques, teria sido escrita a bordo da dahabieh Stella, durante uma viagem pelo Nilo.[2]
Anaïs Fléchet escreveu que iniciativas desse tipo dependiam, naquela época, da formação e dos contatos pessoais de cada diplomata. O Ministério das Relações Exteriores ainda não mantinha uma política permanente para a promoção da música e das artes brasileiras.[3]
Obras
Itiberê escreveu sobretudo para piano. Seu catálogo também reúne arranjos para violino e piano e um pequeno grupo de peças vocais. Cerca de sessenta obras lhe foram atribuídas. Aproximadamente trinta partituras estavam guardadas na Biblioteca Casa da Memória, da Fundação Cultural de Curitiba, e um grupo menor pertencia à Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.[4]
O catálogo preparado por Mercedes Reis Pequeno reúne 21 peças para piano solo com número de opus, onze sem essa numeração, três arranjos para violino e piano e cinco obras vocais.[4] Entre as peças para piano há valsas, mazurcas, caprichos, meditações, barcarolas, gavotas, fantasias e estudos de concerto. Títulos como Danse americaine, Ballade des tropiques, A Serrana e Súplica do escravo remetem ao Brasil ou às Américas, embora poucas dessas partituras tenham recebido análise detalhada.[4]
Sua obra mais executada é A Sertaneja, op. 15, publicada em 1869 com o subtítulo Fantasia característica sobre temas brasileiros. Escrita para piano solo e dedicada a Saldanha Marinho, a peça emprega fragmentos da canção popular "Balaio, meu bem, balaio" dentro da escrita pianística romântica do século XIX.[4][30][5]
O projeto Música Brasilis publicou novas editorações de A Sertaneja, Mazurka, op. 12, Poème d'amour, op. 22, Gavotte, op. 30, 6ª Mazurca, op. 31, Étude de concert e Serenade, op. 34.[33] Edições antigas de parte do repertório também podem ser consultadas no IMSLP.[31]
Obras selecionadas
| Obra | Data | Gênero ou forma | Observações |
|---|---|---|---|
| Amizade[a] | 1864 | Polca[b] | Incluída entre as obras sem número de opus.[31] |
| Nocturne-Saudade[c] | 1864 | Noturno | Incluída entre as obras sem número de opus.[31] |
| O eco dos salões, op. 3[d] | 1865 | Valsa | Uma valsa de bravura.[e][31] |
| Os pífaros da esquadra, op. 5[f] | 1867 | Polca | Uma polca brilhante.[g][31] |
| Valsa acadêmica, op. 9[h] | Sem data | Valsa | Dedicada aos estudantes de São Paulo.[31] |
| A graciosa, op. 10 | Sem data | Peça para piano | Incluída entre as obras com número de opus.[31] |
| Stella maris, op. 11[i] | Sem data | Mazurca | Uma grande mazurka de salão.[j][31] |
| Mazurka, op. 12 | Sem data | Mazurca | Uma partitura moderna para piano está disponível no projeto Música Brasilis.[31][33] |
| Barcarolle, op. 13 | Sem data | Barcarola | Incluída entre as obras com número de opus.[31] |
| Danse americaine, op. 14 | Sem data | Dança | Um dos títulos relacionados ao interesse de Itiberê por elementos musicais locais ou regionais.[31][4] |
| A Sertaneja, op. 15 | 1869 | Fantasia para piano | Publicada como Fantasia característica sobre temas brasileiros e baseada em elementos de "Balaio, meu bem, balaio".[4][30][5] |
| Valse-Caprice, op. 16[k] | 1869 | Valsa | Também conhecida como A misteriosa.[31] |
| Sur les rives du Plata, op. 18[l] | Sem data | Meditação | Incluída entre as obras com número de opus.[31] |
| Une larme, op. 19[m] | Sem data | Meditação | Incluída entre as obras com número de opus.[31] |
| Ballade des tropiques, op. 20 | Sem data | Balada[n] | Citada juntamente com Danse americaine, A Serrana e Súplica do escravo como uma obra que merece maior atenção para além de A Sertaneja.[31][4] |
| Marcha fúnebre à memória de Louis Moreau Gottschalk, op. 21 | 1870 | Marcha fúnebre | Escrita em homenagem a Louis Moreau Gottschalk, que morreu no Rio de Janeiro em dezembro de 1869.[31][32] |
| Poème d'amour, op. 22 | Sem data | Fantasia | Uma partitura moderna para piano está disponível no projeto Música Brasilis.[31][33] |
| Gavotte sur l'air célèbre de Louis XIII, op. 23[o] | Sem data | Gavota | Incluída entre as obras com número de opus.[31] |
| Soirées à Venise, op. 24[p] | Sem data | Três peças para piano | Classificada como trois morceaux, expressão francesa que significa "três peças".[31] |
| Nuits orientales, op. 27[q] | Sem data | Suíte[r] | Incluída entre as obras com número de opus.[31] |
| Le filleul, op. 28[s] | Sem data | Berceuse[t] | Incluída entre as obras com número de opus.[31] |
| Gavotte, op. 30 | Sem data | Gavota | Uma partitura moderna para piano está disponível no projeto Música Brasilis.[31][38] |
| Mazurka No. 6, op. 31 | Sem data | Mazurca | Uma partitura moderna para piano está disponível no projeto Música Brasilis.[31][39] |
| Caprice à la Mazurka No. 3, op. 32 | Sem data | Capricho | Incluída entre as obras com número de opus.[31] |
| Etude de concert, op. 33 | Sem data | Estudo de concerto | Subintitulada d'après E. Bach[u] e dedicada a Anton Rubinstein.[31][40] |
| Serenade, op. 34 | Sem data | Serenata[v] | Uma partitura moderna para piano está disponível no projeto Música Brasilis.[31][41] |
| Grande Mazurca de Salão, op. 41 | Sem data | Mazurca | Incluída entre as obras com número de opus.[31] |
| Impromptu-Nocturne[w] | 1903 | Impromptu-noturno | Incluída entre as obras sem número de opus.[31] |
| A Serrana | Sem data | Fantasia | Citada juntamente com Danse americaine, Ballade des tropiques e Súplica do escravo.[4][31] |
| Súplica do escravo | 1870 | Meditação | Executada em São Paulo durante um concerto beneficente em favor da Sociedade Redemptora.[4][31] |
Gravações e edições modernas
Após a morte de Itiberê, a circulação de sua música tornou-se desigual. A Sertaneja permaneceu presente em histórias da música brasileira, antologias pianísticas e discussões sobre o nacionalismo musical, enquanto grande parte do restante do catálogo continuou pouco conhecida. Borém e Marochi observaram que sua produção permaneceu durante muito tempo mais citada do que analisada, em parte porque muitas obras não haviam sido localizadas, editadas ou gravadas.[4]
Entre os primeiros registros fonográficos conhecidos de sua música encontra-se a gravação de A Sertaneja realizada por Arnaldo Estrella para o álbum Antologia da Música Erudita Brasileira na interpretação de Arnaldo Estrella — Vol. 1: Sinopse, lançado pelo selo Festa em 1958. A obra dividia o programa com composições de Sigismund von Neukomm, Leopoldo Miguez, Henrique Oswald, Alexandre Levy, Alberto Nepomuceno, Barrozo Netto e Heitor Villa-Lobos.[42][43]
Em 1965, a pianista Eny da Rocha voltou a incluir A Sertaneja em uma antologia de autores brasileiros, lançada pela RGE. O disco, que recebeu o Prêmio APCA na categoria de música brasileira, reuniu também obras de Miguez, Levy, Villa-Lobos, Oscar Lorenzo Fernandez, Osvaldo Lacerda, Camargo Guarnieri, Theodoro Nogueira, Sérgio de Vasconcellos-Corrêa e João de Souza Lima.[44] Esses primeiros registros concentraram-se na composição que já ocupava lugar central na recepção histórica de Itiberê.
Uma mudança de escala ocorreu em 1995, quando Arthur Moreira Lima gravou um programa substancialmente dedicado ao compositor. Produzido pela Fundação Cultural de Curitiba e pela Paraná Clínicas, o álbum reuniu oito obras de Itiberê, entre elas peças raramente registradas até então, e encerrou-se com a Grande fantasia triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro, de Louis Moreau Gottschalk.[45][46] O lançamento ampliou a representação fonográfica do autor para além de A Sertaneja, incluindo fantasias, mazurcas, meditações, estudos e uma peça da suíte Nuits orientales.
A pianista Giséle Rizental realizou posteriormente o levantamento fonográfico mais extenso dedicado exclusivamente à produção pianística de Itiberê. O primeiro volume de sua série foi lançado pela Gramofone em 2013, e outros dois foram publicados em 2018. Juntos, os três discos somam 27 faixas e incluem obras dos anos de formação, peças relacionadas às viagens e à vida diplomática, danças de salão, estudos de concerto e os três números conhecidos de Nuits orientales.[47][48][49][50]
Também em 2018, a pianista Sonia Rubinsky lançou The Itiberês: 80 Years of Brazilian Music, pela Arabesque Recordings. Em vez de apresentar Brasílio isoladamente, o álbum reuniu obras dele, de seu irmão João Itiberê da Cunha e de seu sobrinho Brasílio Itiberê da Cunha Luz. A organização permitiu situar os três compositores dentro de uma tradição musical familiar e, ao mesmo tempo, distinguir repertórios frequentemente confundidos em catálogos e discografias.[51]
Paralelamente às gravações, novas edições contribuíram para tornar as partituras novamente utilizáveis por intérpretes e pesquisadores. Em 1996, Norton Dudeque preparou para a Universidade Federal do Paraná uma edição de A Sertaneja, utilizada posteriormente como base para os exemplos musicais da análise de Borém e Marochi.[52][4]
O projeto Música Brasilis passou a oferecer novas editorações de sete obras para piano: A Sertaneja, Mazurka, op. 12, Poème d'amour, op. 22, Gavotte, op. 30, 6ª Mazurca, op. 31, Étude de concert e Serenade, op. 34.[33] As páginas individuais registram números internacionais normalizados de música, nova editoração, revisão musical e disponibilização sob licença livre. Nas edições de A Sertaneja e Étude de concert, por exemplo, a editoração foi realizada por Simonne Fonseca e a revisão por Thadeu de Moraes Almeida.[5][40]
O IMSLP reúne reproduções digitais de edições em domínio público de obras como Ballade des tropiques, Étude de concert, Gavotte, Mazurka, Nuits orientales, Poème d'amour, Sérénade e A Sertaneja.[53] O próprio repositório adverte para o risco de confundir Itiberê com seu sobrinho homônimo.[53] Diferentemente das novas editorações do Música Brasilis, esses arquivos são principalmente reproduções de partituras históricas e não constituem, em conjunto, uma edição crítica do catálogo.
A discografia e as edições modernas conhecidas permanecem concentradas quase inteiramente no piano solo. As obras vocais e os arranjos para violino e piano relacionados no catálogo de Mercedes Reis Pequeno não receberam divulgação comparável. Apesar dessa lacuna, os lançamentos realizados desde a década de 1990, as partituras digitais e os estudos analíticos ampliaram consideravelmente o conjunto de fontes disponíveis para a execução e a pesquisa da música de Itiberê.[4]
| Ano | Gravação | Intérprete | Selo ou produção | Obras de Itiberê incluídas |
|---|---|---|---|---|
| 1958 | Antologia da Música Erudita Brasileira na interpretação de Arnaldo Estrella — Vol. 1: Sinopse | Arnaldo Estrella, piano | Festa, LDR-5004 | A Sertaneja, op. 15.[42][43] |
| 1965 | Antologia de autores nacionais | Eny da Rocha, piano | RGE, XRLP-100-013 | A Sertaneja, op. 15.[44] |
| 1995 | Arthur Moreira Lima interpreta Brazílio Itiberê | Arthur Moreira Lima, piano | Fundação Cultural de Curitiba e Paraná Clínicas, NM-18095 | A Sertaneja, op. 15; Poème d'amour, op. 22; Étude de concert; Caprices à la mazurka, op. 32, n.º 3; Une larme, op. 19; Grande mazurka de salão, op. 41; A Serrana; e La Dahabieh (La Gondole du Nil), de Nuits orientales, op. 27. O programa termina com a Grande fantasia triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro, de Gottschalk.[45][46] |
| 2013 | Giséle Rizental interpreta Brasílio Itiberê da Cunha, vol. 01 | Giséle Rizental, piano | Gramofone | Gavotte, op. 30; Berceuse, op. 28; Une larme, op. 19; 5ª Mazurka; Sérénade; os três números de Nuits orientales, op. 27; 6ª Mazurka, op. 31; e A Sertaneja, op. 15.[47][48] A Sérénade é identificada como op. 54 nos metadados do lançamento, mas aparece como op. 34 no Música Brasilis e no IMSLP.[33][53] |
| 2018 | Giséle Rizental interpreta Brasílio Itiberê da Cunha, vol. 02 | Giséle Rizental, piano | Gramofone | Echo de salões; Valsa acadêmica; Marcha fúnebre; Barcarolle; Soirées à Venise; Gavotte; Estella Maris; e A Mysterioza.[49] |
| 2018 | Giséle Rizental interpreta Brasílio Itiberê da Cunha, vol. 03 | Giséle Rizental, piano | Gramofone | A Serrana: fantasia característica; Polka Amizade; Ballade des tropiques; A Gracioza; Noturno: Saudade; Caprices à la mazurka; Poème d'amour; Mazurka em lá maior; e Étude de concert.[50] |
| 2018 | The Itiberês: 80 Years of Brazilian Music | Sonia Rubinsky, piano | Arabesque Recordings | A Sertaneja, op. 15; Le Jardin des Tropiques, op. 27, n.º 3; La Dahabieh, op. 27, n.º 2; Mazurka; e Étude de concert d'après C. P. E. Bach, op. 33. O álbum também contém obras de João Itiberê da Cunha e Brasílio Itiberê da Cunha Luz.[51] |
Morte
Em 1.º de junho de 1913, Itiberê assistiu a uma parada militar em Berlim sob forte sol. Celso de Tarso Pereira relacionou o episódio à doença que o manteve quase sempre acamado nos dois meses seguintes e o afastou da legação.[2]
Itiberê morreu em 11 de agosto de 1913, durante uma operação, depois de passar por uma trepanação. Ainda chefiava a legação brasileira na Alemanha como enviado extraordinário e ministro plenipotenciário.[6][25][54]
O corpo foi embalsamado e enviado ao Brasil.[55] Os despojos partiram da Alemanha em um navio de guerra alemão.[54] Depois de passar pelo Rio de Janeiro, o caixão seguiu para Paranaguá no cruzador brasileiro Tiradentes, que chegou ao porto em 25 de setembro.[56][57]
Em Paranaguá, o corpo foi levado para a igreja da Ordem Terceira, onde ficou em velório. Na manhã de 26 de setembro, seguiu de trem para Curitiba.[56] O caixão chegou coberto pela bandeira brasileira e foi recebido na estação por autoridades, militares e uma multidão. O cortejo passou pela catedral para uma cerimônia religiosa e terminou no Cemitério São Francisco de Paula. Soldados do 13.º Regimento de Cavalaria prestaram as honras fúnebres.[56][55]
“Em quanto o coveiro cumpre o seu dever, saibamos nós tambem cumprir o nosso, imitando o exemplo de Brasilio Itiberê da Cunha.”
— Claudino dos Santos, encerrando a oração fúnebre de Itiberê, em 1913.[56]
Mantida a grafia registrada na fonte.
A cerimônia foi ao nível de um funeral de Estado. Estavam presentes o presidente do Paraná, autoridades civis e militares, integrantes da Marinha e agentes das forças de segurança.[56] No cemitério, o político e escritor Claudino dos Santos pronunciou a oração fúnebre. A revista curitibana A Bomba publicou, em 30 de novembro, uma reportagem com nove fotografias do desembarque, do cortejo e do sepultamento.[56]
O governo do Paraná anunciou que construiria um mausoléu para Itiberê, mas o projeto não saiu do papel. Anos depois, a família transferiu seus restos mortais para o túmulo da esposa no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro.[4][57]
Recepção e legado
Recepção em vida
Itiberê já tinha alguma projeção como músico antes de entrar para a diplomacia. Em São Paulo, tocou em concertos acadêmicos e beneficentes e publicou peças para piano vendidas nas lojas da cidade. Lançada em 1869 e anunciada pela Casa Levy, A Sertaneja circulou mais do que outras composições brasileiras anteriores que também usavam elementos locais.[4][2] A peça e outras obras de sua autoria passaram a ser tocadas por pianistas no Brasil e na Europa.
Em Roma, Itiberê se apresentou em salões, academias e recitais. Outros músicos também incluíram suas composições nos programas. Em 1882, foi admitido como sócio-pianista da [[Accademia Nazionale di Santa Cecilia.[2] Na Bélgica, continuou a tocar e teve partituras publicadas por editoras europeias.
As relações com Franz Liszt, Giovanni Sgambatti, Anton Rubinstein e Carlos Gomes contribuíram para a construção posterior de sua imagem pública. A correspondência preservada comprova contatos diretos com Liszt, Sgambati e Gomes.[9] Relatos sobre elogios de Liszt e sobre a execução de A Sertaneja pelo compositor húngaro ajudaram a consolidar a reputação de Itiberê.[4]
Itiberê também promovia compositores, escritores e artistas brasileiros nos salões, jornais e recepções que frequentava. Anaïs Fléchet incluiu esse trabalho entre as iniciativas que antecederam a diplomacia cultural brasileira. Naquela época, atividades desse tipo dependiam dos interesses e dos contatos pessoais de cada diplomata.[3]
Entre suas composições, A Sertaneja recebeu a maior atenção. As demais tiveram circulação menor, e parte delas permaneceu inédita ou foi publicada de forma irregular. A carreira diplomática obrigou Itiberê a mudar de país com frequência, o que também dificultou a reunião e a divulgação das partituras.[2][4]
Essa preferência por A Sertaneja já estava presente nas homenagens feitas após sua morte. Nas cerimônias realizadas no Paraná em 1913, foram tocadas A Sertaneja e uma Gavotte de sua autoria. O programa também trouxe obras de Chopin e Liszt e uma elegia composta por Leo Kessler para a ocasião.[2] Itiberê foi homenageado como compositor brasileiro, pianista de formação romântica e figura pública do estado.
Redescoberta musicológica
Depois da morte de Itiberê, o interesse por sua música ficou quase todo concentrado em A Sertaneja. A peça continuou a ser citada em livros sobre música brasileira e sobre as origens do nacionalismo musical. Grande parte das demais composições permaneceu inédita, dispersa ou fora dos programas de concerto. Por décadas, os textos sobre Itiberê repetiram seu nome com mais frequência do que examinaram suas partituras.[4]
Em 1923, Luciano Gallet escreveu a Rapsódia sertaneja, para piano solo e para piano a quatro mãos. Em carta a Mário de Andrade, explicou que pretendia valorizar a música de Itiberê, e não escrever uma peça inteiramente independente.[2] A composição retomava A Sertaneja num momento em que músicos brasileiros procuravam formar um repertório nacional.
As avaliações sobre Itiberê seguiram caminhos diferentes. Vincenzo Cernicchiaro, em sua história da música no Brasil publicada em 1926, colocou-o entre os compositores diletantes e tratou sua música como ligeira e modesta. Andrade Muricy fez uma leitura mais favorável. Para ele, A Sertaneja estava acima de grande parte da música brasileira para piano escrita na mesma época e trazia um dos primeiros usos eruditos de procedimentos harmônicos vindos da música popular.[2][4]
Em 1970, Helza Camêu publicou Importância histórica de Brasílio Itiberê da Cunha e da sua fantasia característica A Sertaneja. Camêu pesquisou a origem do tema popular usado na obra, comparou versões de "Balaio, meu bem, balaio" e propôs uma primeira divisão formal da fantasia.[58] O estudo levou a discussão para dentro da partitura, além da antiga disputa sobre quem teria iniciado o nacionalismo musical brasileiro.
José Maria Neves publicou Brasílio Itiberê: vida e obra em 1996. Foi o primeiro livro extenso dedicado ao compositor. Neves reuniu dados biográficos, reproduções de fontes e análises de partituras. O volume trouxe ainda um catálogo preparado pela musicóloga e bibliotecária Mercedes Reis Pequeno.[22] Pesquisas posteriores corrigiram ou reformularam parte das informações biográficas e das leituras musicais apresentadas no livro.
Fausto Borém e Mario Luiz Marochi Junior voltaram a examinar A Sertaneja em detalhe. Compararam as divisões propostas por Camêu e Neves com a repetição e a transformação de motivos rítmicos e intervalares. Encontraram uma construção mais coesa e trabalhada do que aquela apontada em avaliações anteriores.[4] Também rejeitaram duas leituras simplificadoras, a de Itiberê como inventor isolado do nacionalismo brasileiro e a de um amador dedicado apenas à música ligeira.
“O mais importante compositor nascido no Paraná no século XIX.”
— Osvaldo Colarusso, em avaliação publicada pela Gazeta do Povo em 2017.[59]
A Sertaneja não foi a primeira composição feita no Brasil com um tema ou gênero local. Sua circulação, porém, foi maior do que a de parte dos exemplos anteriores, e compositores de outras gerações voltaram a ela. Heitor Villa-Lobos colocou Itiberê ao lado de Alexandre Levy e Alberto Nepomuceno entre os primeiros nomes do nacionalismo musical brasileiro.[4] A posição atribuída ao compositor passou a depender menos da ideia de que teria sido o primeiro e mais do uso posterior de sua obra.
Em 2004, cartas que eram dadas como perdidas foram encontradas novamente na Casa da Memória de Curitiba. Entre elas havia correspondência de Carlos Gomes, Sgambati e Liszt, além de uma carta sobre a Ópera de Berlim. Fernando Menon e Álvaro Carlini examinaram esse material.[9]
Desde a década de 1990, gravações de Arthur Moreira Lima, Giséle Rizental e outros pianistas, novas edições e partituras digitalizadas tornaram parte do repertório mais acessível. O interesse ainda se concentra nas obras para piano solo, sobretudo em A Sertaneja. As peças vocais, os arranjos para pequenos conjuntos e parte das demais composições receberam poucos estudos e gravações.
Homenagens e instituições

A Academia Paranaense de Letras escolheu Itiberê como patrono da cadeira 16.[11] Em 1924, Paulo Ildephonso d'Assumpção, fundador da cadeira, pronunciou um elogio ao compositor durante uma sessão da antiga Academia de Letras do Paraná.[60]
Itiberê também é patrono da cadeira 19 da Academia Brasileira de Música. A cadeira foi fundada por Benedito Nicolau dos Santos e teve entre seus ocupantes a compositora e musicóloga Helza Camêu, autora de um dos primeiros estudos detalhados de A Sertaneja.[12]
Em 30 de outubro de 1944, foi fundada em Curitiba a Sociedade de Cultura Artística Brasílio Itiberê, conhecida pela sigla SCABI. Seus estatutos explicavam a escolha do nome pela posição atribuída ao compositor na música brasileira e pela autoria de A Sertaneja.[10]
A SCABI realizou temporadas de concertos em Curitiba entre 1945 e 1976. Organizou atividades educativas, abriu espaço para jovens intérpretes e trouxe à cidade músicos brasileiros e estrangeiros. Sua orquestra sinfônica funcionou entre 1946 e 1950. Alan Rafael de Medeiros a apontou como a primeira orquestra sinfônica de repertório erudito criada em Curitiba.[10] Quando encerrou suas atividades, a sociedade havia realizado 487 concertos.
Os papéis produzidos pela SCABI e materiais pessoais de Itiberê estão no Centro de Documentação e Pesquisa da Casa da Memória, mantido pela Fundação Cultural de Curitiba.[10] A Sala SCABI funciona no Solar do Barão e recebeu o nome da sociedade.[61]
Durante as comemorações do centenário de nascimento do compositor, a SCABI participou da campanha para que uma rua de Curitiba recebesse seu nome.[10] A Rua Brasílio Itiberê fica no bairro Rebouças.[62]
O Colégio Estadual Brasílio Itiberê, em Maringá, pertence à rede pública de ensino do Paraná.[63] Em Paranaguá, a casa onde viveram Brasílio e seu irmão, o monsenhor Celso Itiberê, foi tombada pelo estado em 1972.[15]
O nome de Itiberê também passou para a Arena da Baixada. A arquibancada construída na reta da Rua Brasílio Itiberê recebeu o nome de Setor Brasílio Itiberê. Sua parte inferior foi inaugurada em 23 de agosto de 2009, na partida em que o Athletico Paranaense venceu o São Paulo por 1 a 0, e acrescentou 4.700 lugares ao estádio.[64][65] O clube usa as denominações Brasílio Itiberê Inferior e Brasílio Itiberê Superior.[66]
Fora do Paraná, seu nome costuma ser lembrado pela posição atribuída a A Sertaneja nos primeiros anos do nacionalismo musical brasileiro. No estado onde nasceu, também aparece em academias, espaços culturais, uma escola e uma rua.
Essas homenagens refletem duas dimensões complementares de seu legado. No âmbito nacional, Itiberê é lembrado principalmente pelo papel atribuído a A Sertaneja na formação de uma linguagem musical brasileira. No Paraná, sua memória abrange igualmente a condição de músico parnanguara, diplomata, escritor e símbolo de instituições que contribuíram para estruturar a vida artística do estado.
Notas
- ↑ O título remete ao vínculo de amizade.
- ↑ A polca é uma dança animada em compasso binário que se tornou popular na Europa e nas Américas durante o século XIX.
- ↑ O noturno é uma peça de caráter contemplativo ou associado à noite. Saudade expressa um sentimento profundo de ausência ou desejo por alguém ou algo distante.
- ↑ O título remete aos salões sociais e musicais do século XIX.
- ↑ Uma valsa de bravura é uma valsa de caráter virtuosístico, destinada a exibir a habilidade do intérprete.
- ↑ O pífaro é uma pequena flauta de registro agudo tradicionalmente utilizada em música militar.
- ↑ A expressão indica uma polca de caráter vivo e virtuosístico.
- ↑ Nesse contexto, o termo "acadêmica" se refere aos estudantes e à vida universitária, e não à produção acadêmica.
- ↑ Stella maris significa "Estrela do Mar" em latim e é um título tradicionalmente atribuído à Virgem Maria.
- ↑ A expressão designa uma mazurca de salão elaborada, destinada à apresentação social ou doméstica.
- ↑ O título em francês significa "Valsa-capricho".
- ↑ O título em francês significa "Às margens do Prata". O Rio da Prata é o amplo estuário situado entre a Argentina e o Uruguai.
- ↑ O título em francês significa "Uma lágrima".
- ↑ A balada é um gênero instrumental do período romântico, frequentemente marcado por um caráter narrativo ou dramático.
- ↑ O título em francês significa "Gavota sobre a célebre ária de Luís XIII". Nesse contexto, air designa uma melodia.
- ↑ O título em francês significa "Noites em Veneza".
- ↑ O título em francês significa "Noites orientais". Na música europeia do século XIX, o termo "oriental" frequentemente representava um Oriente imaginado, e não um lugar específico.
- ↑ Uma suíte é um conjunto de peças curtas concebidas para serem executadas em sequência.
- ↑ O título em francês significa "O afilhado".
- ↑ Uma berceuse é uma peça de caráter semelhante ao de uma canção de ninar.
- ↑ A expressão francesa significa "segundo E. Bach" ou "a partir de E. Bach", indicando que a peça se baseia, foi inspirada ou adaptada de música atribuída a E. Bach.
- ↑ A serenata é uma peça frequentemente associada à música noturna ou oferecida em homenagem a alguém.
- ↑ Um impromptu é uma peça que sugere um caráter espontâneo ou de livre desenvolvimento.
Referências
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Bibliografia adicional
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- Marcondes, Marcos Antônio, ed. (1977). Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. São Paulo: Art Editora. p. 382
- Pires, João Ricardo Ferreira (2007). «Brazílio Itiberê». In: Millarch, Aramis. Biblioteca Pública do Paraná: 150 anos de história. Curitiba: Secretaria de Estado da Cultura e do Esporte
- Muricy, Andrade (1946). «Brasílio Itiberê da Cunha». Caminho de música. [S.l.]: Schmidt
