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Balafom
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Balafom[1] (balafon) é um instrumento musical comum na África sub-saariana e precursor do xilofone. Possui um reduzido número de teclas e utiliza uma solução de cabaças para os ressonadores. Isto exige um formato curvo e amarrações em couro e cordas. Alguns músicos de jazz têm demonstrado interesse por este instrumento musical africano, tendo introduzido-o em seus trabalhos vanguardistas. É tocado com duas baquetas.
Resumo
O balafon é um instrumento musical tradicional da África Ocidental. É encontrado principalmente em países como Mali, Burkina Faso, Guiné, Costa do Marfim, Senegal e Gâmbia. O instrumento é composto por lâminas de madeira de diferentes tamanhos apoiadas sobre uma estrutura de madeira, com cabaças secas posicionadas abaixo das teclas para funcionar como caixas de ressonância. Em algumas versões tradicionais, pequenas membranas são fixadas às cabaças para produzir um efeito sonoro vibrante característico.
O balafon possui grande importância histórica e cultural, sendo utilizado em cerimônias religiosas, festivais, casamentos, funerais e outras celebrações comunitárias. Além de seu uso musical, desempenha um papel importante na preservação da tradição oral e da identidade cultural de diversos povos da África Ocidental.
História
A origem do balafon remonta a vários séculos e está ligada às antigas sociedades da África Ocidental. Entre os povos mandingas, o instrumento está associado às tradições do antigo Império do Mali, fundado no século XIII. Ao longo da história, tornou-se um dos principais instrumentos utilizados pelos griôs, músicos e narradores responsáveis por preservar a memória coletiva, as genealogias familiares e os acontecimentos históricos por meio da música e da oralidade.
Pesquisas em etnomusicologia demonstram que o balafon não é apenas um instrumento musical, mas também um importante meio de comunicação cultural. Em determinadas comunidades, especialmente entre os povos Senufo da Costa do Marfim, os músicos conseguem reproduzir no balafon padrões rítmicos e tonais da língua falada, permitindo que determinadas mensagens sejam reconhecidas pelos ouvintes. Esse fenômeno evidencia a estreita relação entre música, linguagem e tradição oral.
Em reconhecimento à sua importância cultural, as práticas e expressões culturais relacionadas ao balafon foram inscritas na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, destacando seu valor para a preservação da diversidade cultural e da transmissão de conhecimentos entre gerações.
Características
O balafon é formado por uma estrutura de madeira sobre a qual são colocadas teclas confeccionadas com madeiras resistentes e cuidadosamente afinadas. Abaixo das teclas ficam cabaças naturais que funcionam como ressonadores, amplificando o som produzido quando as teclas são golpeadas com baquetas revestidas por borracha, couro ou outro material macio.
O número de teclas varia conforme a região e a tradição musical. Existem instrumentos destinados ao acompanhamento de cantores e dançarinos e outros utilizados para apresentações solo. A fabricação de um balafon exige conhecimento especializado, transmitido entre gerações de artesãos.
Importância cultural
O balafon ocupa posição central na vida social de diversas comunidades africanas. O instrumento acompanha cerimônias religiosas, festivais, rituais de iniciação, casamentos, funerais e celebrações comunitárias.
Entre os povos mandingas, os griôs utilizam o balafon para acompanhar narrativas históricas e preservar acontecimentos importantes da comunidade. Dessa forma, o instrumento representa não apenas um meio de expressão artística, mas também um patrimônio cultural responsável pela transmissão de conhecimentos, valores e tradições.
Além do contexto tradicional, o balafon também passou a ser utilizado em apresentações internacionais e em estilos musicais contemporâneos, como jazz, música popular africana e música de concerto, ampliando sua divulgação para diferentes públicos.
Construção
A construção de um balafon tradicional envolve a seleção cuidadosa das madeiras utilizadas nas teclas e das cabaças responsáveis pela ressonância. Cada tecla é afinada manualmente para produzir uma nota específica. Em muitos instrumentos tradicionais, membranas naturais são aplicadas às cabaças para produzir um som vibrante característico.
O processo de fabricação é considerado uma prática cultural importante e é transmitido de mestres artesãos para seus aprendizes, preservando técnicas tradicionais desenvolvidas ao longo de muitas gerações.
Referências
Bibliografia
- «Balafom». Priberam
CHARRY, Eric. Mande Music: Traditional and Modern Music of the Maninka and Mandinka of Western Africa. Chicago: University of Chicago Press, 2000.
KUBIK, Gerhard. Theory of African Music. Chicago: University of Chicago Press, 2010.
NKETIA, J. H. Kwabena. The Music of Africa. New York: W. W. Norton & Company, 1974.
ZEMP, Hugo; SORO, Sikaman. Talking Balafons. African Music: Journal of the International Library of African Music, v. 8, n. 4, p. 6–23, 2010. DOI: 10.21504/amj.v8i4.1864.
Fonte científica utilizada
O principal artigo científico utilizado foi:
ZEMP, Hugo; SORO, Sikaman. Talking Balafons. African Music: Journal of the International Library of African Music, v. 8, n. 4, p. 6–23, 2010.
Esse estudo demonstra que, entre os povos Senufo da Costa do Marfim, o balafon pode reproduzir padrões da linguagem falada, mostrando que sua função vai além da produção musical e possui importante papel na comunicação e na preservação da cultura tradicional.
A variante designada sosso-bala foi integrada pela UNESCO na lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade em 2008.[1]
- ↑ UNESCO. «El espacio cultural del sosso-bala». Consultado em 31 de março de 2019
