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Bairro Novo do Pinhal
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Bairro Novo do Pinhal | |
|---|---|
Bairro | |
![]() | |
| Coordenadas: 38° 42′ 30″ N, 9° 23′ 13″ O | |
| País | Portugal |
| Região | Área Metropolitana de Lisboa |
| Distrito | Lisboa |
| Município | Cascais |
| Freguesia | Cascais e Estoril |
| População | |
| • Total (2013[1]) | 499 hab. |
O Bairro Novo do Pinhal (também conhecido como Bairro do Fim do Mundo e Bairro do Pinhal do Fim do Mundo) é um bairro de habitação social com 162 fogos[2][3] sito na Galiza, na atual Freguesia de Cascais e Estoril, no Município de Cascais.
O atual bairro situa-se no topo do Monte Leite, a leste da Galiza, onde se construíram os prédios de habitação destinados ao realojamento de algumas das famílias residentes no bairro de lata que o precedeu. A par das quintas das Marianas e das Tainhas, este foi um dos maiores bairros de barracas do município.[4][5] Foi igualmente onde se desenvolveu grande parte da vida e obra social da freira católica Elvira Nadais, agraciada posteriormente com o nome de uma rua e com um mural.[6][7][8]
Caracterização
A área onde surgiu o bairro insere-se em terrenos da antiga Quinta do Monte Leite e do Pinhal de Santa Rita[9][10][11] e era usada como lugar de desafogo e fruição.[12]
A data exata do aparecimento das primeiras construções é incerta, registando-se a sua existência na década de 1970.[13][14][5][15] A formação do bairro deveu-se originalmente à comunidade roma[12], tendo ficado conhecido como o Bairro do Fim do Mundo possivelmente em virtude da sua implantação e isolamento.[11][15] Na década seguinte sofreu forte crescimento devido ao processo de descolonização, que levou à fixação de guineenses, cabo-verdianos e angolanos.[5][15][16] As construções eram erguidas em madeira, tijolos e chapas de zinco e não dispunham de saneamento básico, água e eletricidade.[5][17]
O bairro foi incluído no Plano Especial de Realojamento (PER) em 1993, onde se contemplava a sua demolição e o realojamento dos seus moradores. No âmbito deste programa foi também feito um novo recenseamento, contando-se por então 141 barracas, onde moravam 619 pessoas divididas por 278 agregados familiares.[4] A construção do Bairro Novo do Pinhal surgiu de um projeto de intervenção comunitária (Projeto Nova Esperança da Galiza), entre o Centro Regional de Segurança Social e a Câmara Municipal de Cascais, com a finalidade de realojar a população recenseada em 1988.[2] Os habitantes do antigo bairro foram aí realojados, bem como no vizinho Bairro da Galiza[2] e noutras zonas do município (em particular no Cabeço de Bicesse e na Douroana).[18][19]
A execução do PER iniciou-se em 2002 e prolongou-se até 2009, ano em que foram demolidas as últimas construções e removidas as últimas famílias que nelas habitavam. Deste modo, reuniram-se as condições perseguidas pela Câmara Municipal de Cascais para a «erradicação de um foco de pobreza e degradação» e para a renaturalização do espaço, que está parcialmente inserido na Reserva Ecológica Nacional.[10][14][20] Este processo foi contestado pelos residentes ao longo dos anos, denunciando a pouca antecedência na colocação de avisos de demolição, despejos forçados ou levados a cabo na ausência dos seus moradores e a falta de alternativas oferecidas aos residentes (em particular aqueles que se instalaram no bairro depois do recenseamento do PER).[10][21][22][23][24][25]
Grande parte do espaço do antigo bairro encontra-se ocupado pelo Complexo da Senhora da Boa Nova, construído para apoiar a transformação da zona.[4] A restante área livre permitiu a construção da Avenida Gago Coutinho, uma via estruturante concelhia[26][27] e que o separa do Bairro de Habitação Social da Galiza.
Dispõe de vários equipamentos de apoio social: um gabinete de apoio social[28], uma creche, a Ludoteca da Galiza, o espaço TAKE.IT[29] e o Centro Comunitário da Senhora da Boa Nova. Esteve também equipado com um centro social e com alguns cafés e restaurantes.
Conta com murais de arte urbana em várias fachadas do bairro, realizados na segunda edição do Festival Infinito em 2020.[30][31][32]
Referências
- ↑ https://www.cascais.pt/sites/default/files/anexos/gerais/bairros_-_historia_e_caraterizacao.pdf
- 1 2 3 «História e caracterização dos bairros sob gestão da Cascais Envolvente» (PDF). Cascais Envolvente. 2013. Cópia arquivada (PDF) em 5 de julho de 2024
- ↑ Gonçalves, Alda Teixeira (1999). «Periferias centrais: notas sobre a habitação social no concelho de Cascais». Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa. Intervenção social (19): 129–139. ISSN 0874-1611. Cópia arquivada em 23 de janeiro de 2025
- 1 2 3 «História». Centro Paroquial do Estoril. Consultado em 21 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 15 de dezembro de 2025
- 1 2 3 4 «Bairro do Fim do Mundo sem fim à vista». Diário de Notícias. 30 de setembro de 2005. Consultado em 29 de outubro de 2014. Cópia arquivada em 30 de outubro de 2014
- ↑ Manuel Costa - Agência Ecclesia (maio de 2014). «Uma vida dedicada aos pobres». Consultado em 30 de outubro de 2014. Cópia arquivada em 30 de outubro de 2014
- ↑ «Boletim Salesiano de Itália: "Um bairro no fim do mundo"». Salesianos. 27 de abril de 2018. Consultado em 21 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 12 de dezembro de 2025
- ↑ «Rua Elvira Nadais Silva». Ludoteca da Galiza. Consultado em 21 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 20 de dezembro de 2023
- ↑ Correia, J. Diogo (1964). Toponímia do Concelho de Cascais (PDF). Cascais: Câmara Municipal de Cascais. p. 43, 56. Cópia arquivada (PDF) em 28 de setembro de 2017
- 1 2 3 «Cascais: demolidas as últimas barracas do Bairro do Fim do Mundo». Público. 10 de junho de 2009. Consultado em 30 de outubro de 2014. Cópia arquivada em 29 de julho de 2023
- 1 2 «Webfototeca». cgpr.dgterritorio.pt. Direção-Geral do Território. Consultado em 21 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 1 de fevereiro de 2023
- 1 2 «Pobreza e Progresso». RTP Arquivos. Consultado em 21 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 3 de agosto de 2025
- ↑ «Gente que faz toda a diferença». Diário de Notícias. 2 de dezembro de 2012. Cópia arquivada em 28 de setembro de 2017
- 1 2 Boaventura, Inês. «Demolidas últimas barracas do Bairro do Fim do Mundo». PÚBLICO. Consultado em 21 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 29 de julho de 2023.
Em comunicado, a autarquia sublinhou ter criado "as condições necessárias para erradicar este foco de pobreza e degradação", que surgiu no fim da década de 1970 e teve "uma franca expansão" na década seguinte. Segundo um recenseamento realizado em 1993, o Bairro do Fim do Mundo tinha na altura 141 barracas, nas quais moravam 619 pessoas de 278 agregados familiares.
- 1 2 3 «CONVERSAS DA REPÚBLICA - POLÍTICAS SOCIAIS». fundacaodomluis.pt. Consultado em 21 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 13 de dezembro de 2019
- ↑ José Vilhena Moreira (16 de janeiro de 2012). «O Bairro do Fim do Mundo». Consultado em 30 de outubro de 2014. Cópia arquivada em 30 de julho de 2023
- ↑ «CASCAIS LEVA LIMPEZA AO FIM DO MUNDO». www.cmjornal.pt. Consultado em 23 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 29 de julho de 2023
- ↑ «exPERts PER ATLAS - HOMEPAGE». expertsproject.ics.ulisboa.pt. Consultado em 21 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 5 de agosto de 2025
- ↑ «Carta da Habitação Municipal e PER» (PDF). Câmara Municipal de Cascais. 2014. Cópia arquivada (PDF) em 23 de janeiro de 2025
- ↑ «GeoCascais». geocascais.cascais.pt. Consultado em 23 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2026
- ↑ Lusa. «Câmara de Cascais recusou ouvir protesto de moradores dos bairros das Marianas e Fim do Mundo». PÚBLICO. Consultado em 23 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 29 de julho de 2023
- ↑ Stitchedmarks. «Demolições no Bairro Fim do Mundo - Cascais - video Dailymotion». Dailymotion (em inglês). Consultado em 23 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 29 de julho de 2023
- ↑ «Cascais: Demolição de barracas deixa moradores na rua». www.cmjornal.pt. Consultado em 23 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 29 de julho de 2023
- ↑ Ferreira, Nuno. «Moradores em barracas apelam à intervenção do Estado». PÚBLICO. Consultado em 23 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 29 de julho de 2023
- ↑ «Polémica no Fim do Mundo». TVI24. Televisão Independente. Consultado em 23 de fevereiro de 2021
- ↑ 01-04-01B Mobilidade (PDF). Plantas de Ordenamento do Plano Diretor Municipal. [S.l.]: Câmara Municipal de Cascais. Cópia arquivada (PDF) em 29 de julho de 2023
- ↑ «6.2.4.2 Rede de nível 2». Revisão do Plano Diretor Municipal (PDF). [S.l.]: Câmara Municipal de Cascais. 2013. pp. 13–14. Cópia arquivada (PDF) em 29 de julho de 2023
- ↑ «C.M.C. – Gabinete Mais Perto da Galiza | Rede Social». 23 de outubro de 2017. Consultado em 23 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 29 de julho de 2023
- ↑ «Take.it | Câmara Municipal de Cascais». www.cascais.pt. Consultado em 23 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 19 de janeiro de 2026
- ↑ «Street Art in Bairro do Fim do Mundo – Painted Neighborhoods in Cascais». DISRUPT PLATFORM. (em inglês). 4 de setembro de 2017. Consultado em 23 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 24 de outubro de 2021
- ↑ «As paredes de Cascais vão receber novos (e enormes) murais de street art». NiT. Consultado em 23 de fevereiro de 2021
- ↑ «Cascais é galeria de arte a céu aberto | Câmara Municipal de Cascais». www.cascais.pt. Consultado em 23 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 20 de abril de 2024


