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Babur
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| Babur | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| Gazi[1] | |||||
| Imperador mogol (padixá) | |||||
| Reinado | 21 de Abril de 1526 – 26 de Dezembro de 1530 | ||||
| Antecessor(a) | Ibraim Lodi como Sultão de Deli | ||||
| Sucessor(a) | Humaium | ||||
| Emir de Cabul | |||||
| Reinado | Outubro de 1504 - 21 de Abril de 1526 | ||||
| Predecessor(a) | Muquim Begue | ||||
| Sucessor(a) | Ele mesmo como imperador mogol | ||||
| Emir de Fergana | |||||
| Reinado | 10 de Junho de 1494 - Fevereiro de 1497 | ||||
| Predecessor(a) | Umar Xaique Mirza | ||||
| Sucessor(a) | Jaanguir Mirza II | ||||
| Emir de Samarcanda | |||||
| Reinado | Novembro de 1496 - Fevereiro de 1497 | ||||
| Predecessor(a) | Baiçungur Mirza | ||||
| Sucessor(a) | Ali Mirza | ||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | Zahīr ud-Dīn Muhammad Bābur 14 de fevereiro de 1483 Andijã, Império Timúrida | ||||
| Morte | 26 de dezembro de 1530 (47 anos) Agra, Império Mogol | ||||
| Sepultamento | Cabul, Afeganistão | ||||
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| Consorte de | Maã Begum (c. 1506) | ||||
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| Casa | Dinastia mogol | ||||
| Dinastia | Dinastia timúrida | ||||
| Pai | Umar Xaique Mirza | ||||
| Mãe | Cutluque Nigar Canum | ||||
| Filho(s) |
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| Religião | Sunismo[3] | ||||
| Assinatura | |||||
Babur (em persa: ببر, bɑː.βuɾ; 14 de fevereiro de 1483 – 26 de dezembro de 1530; nascido como Zahīr ud-Dīn Muhammad) foi o fundador do Império Mogol no subcontinente indiano. Ele era um descendente de Tamerlão e de Gêngis Cã por parte de pai e por parte de mãe, respectivamente.[4][5] Ele também recebeu o nome póstumo de Firdaws Makani ('Morador do Paraíso').[6]
Nascido em Andijã no Vale de Fergana (no atual Uzbequistão), Babur era o filho mais velho de Umar Xaique Mirza (1456–1494, governante timúrida de Fergana de 1469 até 1494) e um descendente de Tamerlão (1336–1405). Babur ascendeu ao trono de Fergana na capital de Axsikat em 1494 aos doze anos e enfrentou rebelião. Ele conquistou Samarcanda dois anos depois, e no processo perdeu o controle de Fergana. Em sua falha tentativa de reconquistar Fergana, ele perdeu Samarcanda. Em 1501, mais uma tentativa de recapturar ambas as regiões falhou, quando o príncipe uzbeque Xaibani Cã derrotou-o e fundou o Canato de Bucara.
Em 1504, ele conquistou Cabul, que estava sob o domínio putativo de Abdur Razaque Mirza, o herdeiro infante de Ulugue Begue II. Babur formou uma parceria com o imperador safávida Ismail I e reconquistou partes do Turquestão, incluindo Samarcanda, e logo em seguida perdeu os ditos territórios novamente para os xaibânidas.
Após sua terceira perda de Samarcanda, Babur virou sua atenção para a Índia e empregou a assistência do Império Safávida e do Império Otomano.[7] Ele derrotou Ibraim Lodi, o sultão de Deli, na Primeira batalha de Panipate em 1526 e fundou o Império Mogol. Antes da derrota de Lodi em Deli, o Sultanato de Deli já era uma potência em declínio.
O governante do Reino de Mewar, Rana Sanga, avançou em Babur com uma grande coalizão de senhores da guerra afegãos e rajaputes. Eles entraram em combate na Batalha de Khanwa. Babur conquistou uma vitória decisiva devido ao seu posicionamento minucioso das tropas e de seu uso de pólvora.[8] Esta batalha foi um dos momentos mais decisivos da história indiana e um evento crucial para o estabelecimento do Império Mogol.[9][10][11]
Religiosamente, Babur começou a vida como um muçulmano sunita convicto, mas ele passou por evolução significativa. Babur tornou-se mais tolerante a outras religiões a medida em que conquistava territórios e ao passar das idades. Ele permitia que adeptos de várias religiões participassem de sua corte.[12] Ele também demonstrava ter uma inclinação para teologia, poesia, geografia, história, e biologia—disciplinas que ele promovia em sua corte—de modo a torná-lo um associado dos representantes do Renascimento Timúrida.[13] Suas posições filosóficas e religiosas são comumente associadas ao humanismo.[14]
Babur casou-se várias vezes. Seus filhos mais notáveis são seu sucessor Humaium e a autora Gulbadã Begum. Babur morreu em 1530 em Agra e deixou o trono ao seu filho mais velho Humaium. Ele foi inicialmente enterrado em Agra, mas foi depois levado até Cabul e reenterrado lá, como assim desejava. Ele é considerado um herói nacional do Uzbequistão e do Quirguistão. Muitos dos seus poemas tornaram-se músicas folclóricas populares. Ele escreveu o Baburnama na língua chagatai; foi mais tarde traduzido em persa no reinado (1556–1605) de seu neto, o imperador Aquebar.[9]
Contexto
As memórias de Babur formam a fonte principal de detalhes sobre a sua vida. Elas são conhecidas como Baburnama e foram escritas na língua chagatai, sua língua materna.[15] De acordo com Dale, "sua prosa em turco é altamente persianizada em sua estrutura de frase, morfologia e na formação de palavras e de vocabulário."[16] O Baburnama foi traduzido em persa durante o reinado do neto de Babur, Aquebar.[15]
Babur nasceu em 14 de fevereiro de 1483 na cidade de Andijã, no Vale de Fergana, no atual Uzbequistão. Ele era o filho mais velho de Umar Xaique Mirza II,[17] governante do Vale de Fergana, o filho de Abuçaíde Mirza (que era neto de Mirã Xá, um filho de Tamerlão) e sua esposa Cutluque Nigar Canum, filha de Iunus Cã, governante do Mogulistão e um descendente direto de Gêngis Cã.[18]
Babur veio do clã túrquico dos Barlas, que eram de origem mongol e tinham abraçado a tradição turco-persa.[19][20] Eles também se converteram ao Islã séculos antes e moravam no Turquestão e em Coração.
Além do turco chagatai, Babur também era fluente em persa clássico, que era a lingua franca da elite timúrida.[21]
Alguns dos parentes de Babur, como seu tio Mamude Cã e Amade Cã, continuaram a identificar-se como mongóis, e permitiram a Babur que ele usasse suas tropas mongóis para ajudar a recuperar suas posses nos anos turbulentos de sua juventude.[22]
Babur obteve muito de seu apoio do povo iraniano e túrquico da Ásia Central, e seu exército era diverso em questão de etnia. Havia sartes, tajiques, pastós, árabes, bem como pessoas do clã barlas e turco-mongóis da Ásia Central.[23]
Governante da Ásia Central
Como regente timúrida de Fergana

Em 1494, Babur tornou-se o governante timúrida de Fergana, no atual Uzbequistão, depois que seu pai Umar Xaique Mirza morreu "enquanto criava pombos em um pombal mal-construído que desmoronou para baixo da ravina abaixo do palácio".[24] Nesta época, dois de seus tios dos reinos vizinhos, que eram hostis ao seu pai, e um grupo de nobres que queriam que seu irmão mais novo Jaanguir reinasse, ameaçavam a sucessão de Babur ao trono.[25] Seus tios foram impiedosos em suas tentativas de destroná-lo e de eventualmente impedi-lo de tomar outras posses territoriais mais tarde.[26] Babur foi capaz de assegurar o seu trono graças a ajuda de sua avó, Aisã Daulate Begum, apesar de que a sorte também estava envolvida.[25]
A maioria dos territórios ao seu redor eram reinados por seus parentes, sejam eles descendentes de Tamerlão ou de Gêngis Cã. O conflito era constante e comum.[25] Naquele momento, príncipes rivais combatiam entre si pela posse da cidade de Samarcanda, que estava sob o domínio de seu primo paterno.[27] Babur tinha um grande desejo pela captura da cidade.[27] Em 1497, ele realizou um cerco à Samarcanda que durou por sete meses antes de finalmente tomar o controle da cidade.[28] Ele tinha quinze anos e para ele esta campanha foi uma grande conquista.[25] Babur foi capaz de assegurar a cidade apesar de vários de seus soldados desertarem de seu exército, mas depois ele ficou seriamente doente.[27] Enquanto isso, uma rebelião em Fergana entre nobres que favoreciam seu irmão lhe tomaram a cidade.[28] Enquanto ele marchou para recuperá-la, ele deixou Samarcanda com o Sultão Mamude Mirza, e acabou completamente despossuído de ambos os territórios.[25] Ele tinha detido Samarcanda por 100 dias, e considerava esta derrota sua maior perda, lamentando ela até mesmo décadas depois durante sua conquista da Índia.[25]
Por três anos, Babur concentrava-se na formação de um grande exército, recrutando em sua maioria os tajiques de Badaquexão. Em 1500-1501, ele novamente fez um cerco pela cidade de Samarcanda, e ele de fato tomou a cidade, mas logo depois ele tomou um cerco de seu rival mais formidável, Maomé Xaibani, cã dos uzbeques.[28][29] A situação se tornou tão drástica que Babur foi forçado a dar sua irmã mais velha a Xaibani em casamento como parte do tratado de paz. Só depois disso que Babur e suas tropas foram permitidas a deixar a cidade em segurança. Samarcanda, sua obsessão pela vida toda, foi então novamente perdida. Ele tentou tomar Fergana novamente, mas perdeu a batalha lá também e, escapando com um pequeno grupo de seguidores, vagou pelas montanhas da Ásia Central e tomou refúgio com as tribos nas montanhas. Em 1502, ele já tinha perdido as esperanças de recuperar Fergana; ele não foi deixado com nada e foi forçado a tentar a sorte em outro lugar.[30][31] Ele finalmente foi para Tasquente, que era governada por seu tio materno, mas ele não foi bem-vindo lá. Babur escreveu, "durante minha pousada em Tasquente, eu passei por muita miséria e humilhação. Sem território, ou esperança de algum dia ter!"[31] Então, durante os dez anos desde que se tornou o governante de Fergana, Babur passou por muitas vitórias breves e se encontrava com frequência sem abrigo e em exílio, recebendo ajuda de amigos e de camponeses.
Em Cabul

Cabul era governada pelo tio paterno de Babur, Ulugue Begue II, que morreu deixando como herdeiro apenas uma criança.[31] A cidade foi tomada por Muquim Begue, que era considerado um usurpador e recebia oposição da população local. Em outubro de 1504, Babur foi capaz de cruzar as montanhas nevadas do Indocuche e capturar Cabul de seus adversários, que recuaram para Candaar.[28][33] Com isto, ele ganhou um novo reino, restabeleceu suas fortunas e continuou a reinar o território até 1526.[30] Em 1505, devido a baixa remuneração gerada por seu novo reino nas montanhas, Babur começou sua primeira expedição a Índia; em suas memórias, ele escreveu, "Meu desejo pelo Hindustão tem sido constante. Foi no mês de Xabã, com o Sol em Aquário, que nós saímos de Cabul para o Hindustão".[31]
No mesmo ano, Babur uniu-se com o Sultão Huçaine Baicara de Herate, um distante parente timúrida, contra seu inimigo em comum, o uzbeque Xaibani.[34] Entretanto, esta campanha não foi realizada pois Huçaine Mirza morreu em 1506 e seus dois filhos estavam relutantes em ir para guerra.[31] Babur então ficou em Herate depois de receber um convite dos dois irmãos timúridas. Na época, Herate era a capital cultural do mundo muçulmano do leste. Apesar de ter desprezo pelos vícios e luxúrias,[35] ele era maravilhado pela abundância intelectual da cidade, que ele dizia estar "cheia de homens páreos e bem-sabidos".[36] Ele tornou-se familiarizado com o trabalho do poeta chagatai Alicher Navoi, que encorajava o uso da língua chagatai como língua literária. A proficiência de Navoi com o idioma, que ele recebe o crédito de ter fundado,[37] pode ter influenciado Babur em sua decisão de usá-la para suas memórias. Ele passou dois meses lá antes de ser forçado a ir embora por causa dos recursos em escassez;[34] a cidade depois foi tomada por Xaibani e os timúridas fugiram.[35] Babur tornou-se o único governador da dinastia timúrida com um reinado depois da perca de Herate, e muitos príncipes buscavam refúgio com ele em Cabul por causa da invasão de Xaibani no oeste.[35]


Ele então tomou o título de padixá entre os timúridas, apesar do título ser insignificante já que a maioria de suas terras ancestrais foram tomadas. Cabul ainda estava em perigo e Xaibani ainda era uma ameaça.[35] Babur prevaleceu durante uma provável rebelião em Cabul, mas dois anos depois uma revolta entre seus líderes-generais lhe expulsaram de Cabul. Escapando com poucas companhias, Babur logo retornou para a cidade e capturou-a novamente. Enquanto isso, Xaibani foi derrotado e assassinado por Ismail I, xá da Pérsia safávida, em 1510.[38]
Babur e os outros timúridas que sobraram tomaram esta oportunidade para retomar suas terras ancestrais. Ao longo dos anos que se seguiram, Babur e Xá Ismail formaram uma parceria em uma tentativa de tomar partes da Ásia Central. Em retorno pela ajuda de Ismail, Babur permitiu que os safávidas tomassem a função de suserania sob ele e seus seguidores.[39] Então, em 1513, depois de deixar seu irmão Nasir Mirza reinando Cabul, ele foi capaz de tomar Samarcanda pela terceira vez; tomou também a cidade de Bucara e logo depois perdeu ambas de novo para os uzbeques.[30][35] Xá Ismail reuniu Babur com sua irmã, que foi feita como prisioneira e forçada a casar o recém-morto Xaibani.[40] Babur retornou para Cabul três anos depois em 1514. Os 11 anos seguintes de seu reinado envolviam principalmente lidar com as rebeliões insignificantes das tribos afegãs, de seus nobres e de parentes, e também a condução e planejamento de invasões pelas montanhas do leste.[35] Babur começou a modernizar e treinar seu exército, apesar de considerar esses anos como uma época de paz.[41]
Formação do Império Mogol

No seu Baburnama, Babur escreveu:
Desde a época do venerado profeta até agora, três homens deste lado conquistaram e reinaram o Hindustão. Mamude Gazi foi o primeiro, e ele e seus descendentes por muito tempo se assentaram no trono do governo do Hindustão. Xabadim de Gor foi o segundo, cujos escravos e vassalos pastorearam este reino por vários anos. Eu sou o terceiro.[42]
Babur ainda desejava escapar dos uzbeques, e ele escolheu a Índia como refúgio invés do Badaquexão, que estava ao norte de Cabul. Ele escreveu, "Na presença de tamanho poder e potência, tínhamos que pensar em algum lugar para nós mesmos e, nesta crise e no tempo em que nos sobrava, criar uma maior distância entre nós e o forte adversário."[41] Após sua terceira perda de Samarcanda, Babur deu atenção total a conquista do norte da Índia e lançou uma campanha; ele alcançou o Rio Chenab, agora no Paquistão, em 1519.[43] Até 1524, seu objetivo era expandir seu reino até Panjabe, principalmente para sustentar o legado de seu ancestral Tamerlão, já que Panjabe fazia parte de seu Império Timúrida.[41] Naquela época as partes do norte da Índia estavam sob domínio do Sultanato de Deli, cujo governante era Ibraim Lodi da dinastia Lodi, mas o sultanato estava desmoronando e havia muitos desertores. Babur recebeu convites de Daulate Cã Lodi, governante de Panjabe, e de Alaudim, tio de Ibraim.[44] Ele enviou um embaixador para Ibraim, clamando ser o herdeiro ao trono, mas o embaixador foi detido em Laore, e liberado meses depois.[43]
Babur avançou para Laore em 1524, mas descobriu que Daulate Cã Lodi foi expulso por forças enviadas por Ibraim Lodi.[45] Quando Babur chegou em Laore, o exército Lodi marchou para fora e seu exército foi roteado. Em resposta, Babur queimou Laore por dois dias e marchou para Dibalpur, e lá colocou Alã Cã, outro tio rebelde de Lodi, na posição de governante.[46] Alã Cã foi destronado com rapidez e depois escapou para Cabul. Em resposta, Babur supriu Alã Cã com tropas que depois se juntaram a Daulate Cã Lodi, e juntos com aproximadamente 30.000 tropas, sitiaram Ibraim Lodi em Deli.[47] O sultão derrotou com facilidade o exército de Alã, e Babur percebeu que Ibraim não autorizaria que ele ocupasse Panjabe.[47]
Primeira batalha de Panipate

Em novembro de 1525, Babur recebeu notícias em Pexauar de que Daulate Cã Lodi havia trocado de lados, e Babur afastou-se de Alaudim. Babur então marchou para Laore para confrontar Daulate Cã Lodi, apenas para ver o exército de Daulate se desestruturar perante sua aproximação.[43] Daulate se rendeu e foi perdoado. Então, em três semanas cruzando o Rio Indo, Babur tornou-se o mestre de Panjabe.[48]
Babur marchou para Deli através de Sirinda-Fategar. Ele chegou em Panipate em 20 de abril de 1526, e lá encontrou o exército numericamente superior de Ibraim Lodi que contava com 100 mil soldados e mil elefantes.[43][44][49] Na batalha que começou no dia seguinte, Babur usou a tática de Tulugma, que consistiu em cercar o exército de Ibraim Lodi e forçá-lo a dar de cara com fogo de artilharia diretamente, o que também resultou no descontrole de seus elefantes de guerra.[44] Ibraim Lodi morreu durante a batalha, o que deu um fim a dinastia Lodi.[43]
Babur escreveu sobre sua vitória em suas memórias:
\n"}},"i":0}}]}' id="mwAhI"/>Pela graça do Deus todo-poderoso, esta tarefa difícil me foi dada com facilidade e aquele forte exército, no período da metade de um dia foi posto sob poeira.[30]
Após a batalha, Babur ocupou Deli, Gwalior e Agra, tomou o trono de Lodi, e criou a fundação para a ascensão do Império Mogol na Índia. Entretanto, antes de tornar-se soberano no norte indiano, ele teve que superar mais desafiadores, como Rana Sanga.[50]
Muitos dos homens de Babur queriam deixar a Índia devido ao clima severo, mas Babur motivou-os a ficar e expandir o império.[49]
Poesia

Babur era um escritor aclamado que tinha um amor profundo pela literatura. Sua biblioteca era uma de suas possessões mais amadas e ele sempre a levava com ele, e livros eram tesouros que ele buscava em terras recém conquistadas. Em suas memórias, quando ele listava soberanos e nobres de uma terra conquistada, ele também mencionava poetas, músicos e outros intelectuais.[51]
Apesar de ter morrido aos 47 anos, Babur deixou para trás uma herança científica e literária abundante. Ele escreveu suas famosas memórias, o Bāburnāma, bem como trabalhos líricos e gazéis, tratados sobre a jurisprudência muçulmana, e uma caligrafia especial, conhecida como Baburi.[52][53][54][55]
O seu Bāburnāma é uma coleção de memórias, escrito na língua chagatai e depois traduzido em persa, a língua literária da corte mogol, durante o reinado do imperador Aquebar.[56]
Babur escreveu a maioria dos seus poemas em chagatai, que para ele era conhecido como a língua túrquica, mas ele também fazia composições em persa. Ele era, entretanto, mais aclamado pelos seus trabalhos literários escritos em chagatai, que são comparados com a poesia de Alicher Navoi.[51]
A poesia a seguir é um exemplo da destreza de Babur com a língua chagatai, composta após sua famosa vitória no norte da Índia para celebrar a adoção de seu título de gazi.[57]
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Islam ichin avara-i yazi buldim,
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Pela causa do Islã eu vaguei por territórios desérticos; Contra descrentes e a terra de Hind eu convoquei forças. Ao jurar fazer de mim um mártir, pela permissão de Deus empunho a espada como gazi.
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Morte e legado
Babur morreu em Agra em 26 de dezembro de 1530 e foi sucedido por seu filho mais velho, Humaium. Ele foi enterrado em Agra,[58][59] mas como desejava, ele depois foi levado para Cabul e reenterrado lá em algum momento entre 1539 e 1544.[60][61]

É de acordo geral que, como timúrida, Babur foi não só significantemente influenciado pela cultura persa, mas seu império também levou a ascensão do caráter persa no subcontinente indiano.[62][63] Ele emergiu como herdeiro do Renascimento Timúrida e deixou na Índia partes da literatura e da arte islâmica.[64]
Como diz F. Lehmann na Encyclopædia Iranica:
https://www.iranicaonline.org/articles/babor-zahir-al-din/</ref>\n"}},"i":0}}]}' id="mwAok"/>Sua origem, seus arredores, seu treinamento e cultura eram fundados na cultura persa e por isso que Babur foi tão responsável pela expansão desta cultura por parte de seus descendentes, os mogóis da Índia, e pela expansão da influência cultural persa no subcontinente indiano, com resultados literários, artísticos, e historiográficos brilhantes.[65]
Apesar de todas as aplicações das etnias modernas centro-asiáticas aos povos da época de Babur serem anacrônicas, fontes soviéticas e uzbeques afiram que Babur era um uzbeque por etnia.[66][67][68] Ao mesmo tempo, durante a União Soviética, acadêmicos uzbeques foram censurados por idealizarem e venerarem a figura de Babur e outras figuras históricas, como Alicher Navoi.[69]
Babur é considerado um herói nacional do Uzbequistão.[70] Em 14 de fevereiro de 2008, carimbos em seu nome foram emitidos no país para comemorar seu aniversário de 525 anos.[71] Muitos de seus poemas se tornaram canções folclóricas que foram popularizaram pelo cantor e compositor uzbeque Sherali Joʻrayev.[72] Algumas fontes afirmam que Babur é considerado um herói no Quirguistãotambém.[73] Em Outubro de 2005, o Paquistão desenvolveu o míssil de cruzeiro Babur, nomeado em sua honra.
Uma das proezas mais duradouras da vida de Babur é que ele deixou para trás sua vívida e bem-escrita autobiografia conhecida como Baburnama.[74] Em suas próprias palavras, "É este o cerne de meu testemunho, não faça nada que vá contra os seus irmãos por mais que eles mereçam." E também, "O ano novo, a primavera, o vinho e os amados são cheios de alegria. Babur, regozije, pois o mundo não estará aqui por você uma segunda vez."[75]
Referências
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- ↑ «Babur and Humayun with Courtiers, from the Late Shah Jahan Album». Smithsonian's National Museum of Asian Art. Cópia arquivada em 27 de novembro de 2025.
The first Mughal emperor, Babur, who reigned from 1526 to 1530, is shown seated on the right with his son and successor, Humayun.
- ↑ Christine, Isom-Verhaaren (2013). Allies with the Infidel. [S.l.]: I.B. Tauris. p. 58
- ↑ Baumer, Christoph (2018). The History of Central Asia: The Age of Islam and the Mongols. [S.l.]: Bloomsbury Publishing. p. 47
- ↑ Canfield, Robert L. (1991). Turko-Persia in historical perspective. [S.l.]: Cambridge University Press. p. 20.
The Mughals-Persianized Turks who invaded from Central Asia and claimed descent from both Timur and Genghis – strengthened the Persianate culture of Muslim India.
- ↑ Jahangir, Emperor Of Hindustan (1999). The Jahangirnama : memoirs of Jahangir, Emperor of India. Traduzido por Thackston, W. M. [S.l.]: Washington, D.C. : Freer Gallery of Art, Arthur M. Sackler Gallery, Smithsonian Institution; New York : Oxford University Press. 6 páginas. ISBN 9780195127188
- ↑ Gilbert, Marc Jason (2017), South Asia in World History, ISBN 978-0-19-066137-3, Oxford University Press, pp. 75–, cópia arquivada em 2023 Quote: "Babur then adroitly gave the Ottomans his promise not to attack them in return for their military aid, which he received in the form of the newest of battlefield inventions, the matchlock gun and cast cannons, as well as instructors to train his men to use them."
- ↑ Dale, Stephen F. (3 de maio de 2018). Babur (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 978-1-108-47007-0. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2024
- 1 2 Majumdar, R.C.; Raychaudhuri, H.C.; Datta, Kalikinkar (1950). An Advanced History of India (em inglês) 2nd ed. [S.l.]: Macmillan & Company. p. 419. Cópia arquivada em 7 de fevereiro de 2026.
The battle of khanua was one of the most decisive battles in Indian history certainly more than that of Panipat as Lodhi empire was already crumbling and Mewar had emerged as major power in northern India. Thus, Its at Khanua the fate of India was sealed for next two centuries
- ↑ Chaurasia, Radheyshyam (2002). History of Medieval India: From 1000 A.D. to 1707 A.D. (em inglês). [S.l.]: Atlantic Publishers & Dist. p. 161. ISBN 978-81-269-0123-4. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2026.
The battle of Kanwaha was more important in its result even than the first battle of panipat. While the former made Babur ruler of Delhi alone the later made him King of hindustan. As a result of his success, the Mughal empire was established firmly in India. The sovereignty of India now passed from Rajputs to Mughals
- ↑ Wink 2012, p. 27: "The victory of Mughals at khanua can be seen as a landmark event in Mughal conquest of North India as the battle turned out to be more historic and eventful than one fought near Panipat. It made Babur undisputed master of North India while smashing Rajput powers. After the victory at khanua, the centre of Mughal power became Agra instead of Kabul and continue to remain till downfall of the Empire after Aalamgir's death.
- ↑ Hamès, Constant (1987). «Babur Le Livre de Babur». Archives de sciences sociales des religions. 63 (2): 222–223. Cópia arquivada em 2023
- ↑ Babur; Bacqué-Grammont, Jean-Louis; Taha Hussein-Okada, Amina (2022). Le livre de Babur: le Babur-nama de Zahiruddin Muhammad Babur. Col: Série indienne. Paris: les Belles lettres. ISBN 978-2-251-45370-5
- ↑ Dale, Stephen Frederic (1990). «Steppe Humanism: The Autobiographical Writings of Zahir al-Din Muhammad Babur, 1483–1530». International Journal of Middle East Studies (em inglês). 22 (1): 37–58. ISSN 0020-7438. doi:10.1017/S0020743800033171
- 1 2 Hiro, Dilip (2006). Babur Nama: Journal of Emperor Babur. Mumbai: Penguin Books India. p. xviii. ISBN 978-0-14-400149-1
- ↑ Dale, Stephen Frederic (2004). The garden of the eight paradises: Bābur and the culture of Empire in Central Asia, Afghanistan and India (1483–1530). [S.l.]: Brill. pp. 15, 150. ISBN 90-04-13707-6
- ↑ «Mirza Muhammad Haidar». Silk Road Seattle. University of Washington. Consultado em 7 novembro 2006. Cópia arquivada em 16 abril 2015.
On the occasion of the birth of Babar Padishah (the son of Omar Shaikh)
- ↑ Babur (2006). Babur Nama. [S.l.]: Penguin Books. p. vii. ISBN 978-0-14-400149-1
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It was over these possessions, provinces controlled by uncles, or cousins of varying degrees, that Babur fought with close and distant relatives for much of his life.
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