BRZEN
Abraão
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
| Abraão אַבְרָהָם | |
|---|---|
Detalhe de Abraão Expulsa Hagar e Ismael (1657) por Guercino | |
| Conhecido(a) por | Epônimo das religiões abraâmicas: fundador tradicional da nação judaica,[1][2] ancestral espiritual dos cristãos,[3] importante profeta islâmico,[4] Manifestação de Deus e fundador da fé monoteísta na Fé Bahá'í,[5] e terceiro profeta porta-voz (natiq) dos drusos.[6] |
| Nascimento | |
| Morte | |
| Progenitores | Mãe: Amathlaah Pai: Terá |
| Cônjuge | Sara, Hagar, Quetura |
| Filho(a)(s) | Ismael, Isaac, Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Jisbaque, Sua |
| Religião | Monoteísmo |
Abraão[a] é amplamente reverenciado como uma figura lendária fundacional pelos adeptos das religiões abraâmicas que levam seu nome.[7] No judaísmo, é o ancestral étnico e o primeiro patriarca hebreu, que iniciou a relação de aliança entre o povo judeu e Deus; no cristianismo, é considerado antepassado de Jesus e ancestral espiritual de todos os cristãos;[b][8] e, no islã, constitui um elo na cadeia dos profetas islâmicos, que começa com Adão e culmina em Maomé.[4] Abraão também é reverenciado nas demais religiões abraâmicas, como a Fé bahá'í e a fé drusa.[6][5] É considerado o antepassado comum tanto do povo árabe, por meio de seu filho Ismael,[9] quanto do povo judeu,[1] por meio de seu filho Isaac.
A história da vida de Abraão, conforme narrada no Livro de Gênesis da Bíblia hebraica, gira em torno dos temas da bênção e da promessa, especialmente a promessa de descendência e de terra. Segundo o relato, Deus o chamou para deixar a casa de seu pai, Terá, e estabelecer-se na terra de Canaã, que Deus então prometeu a Abraão e à sua descendência. Essa promessa é posteriormente herdada por Isaac, filho de Abraão com sua esposa Sara, enquanto Ismael, meio-irmão de Isaac, também recebe a promessa de que fundaria uma grande nação. Abraão compra um túmulo — o Túmulo dos Patriarcas — em Hebrom[10] para servir de sepultura a Sara, estabelecendo assim seu direito à terra; e, na segunda geração, seu herdeiro Isaac casa-se com uma mulher de sua própria parentela, com a aprovação dos pais. Mais tarde, Abraão casa-se com Quetura e tem outros seis filhos; contudo, após sua morte, quando é sepultado ao lado de Sara, Isaac recebe "todos os bens de Abraão", enquanto os demais filhos recebem apenas "presentes".[11]
A maioria dos estudiosos considera a era patriarcal, assim como o Êxodo, uma construção literária tardia sem relação com um período histórico específico.[12] Muitos estudiosos acreditam que as tradições sobre Abraão se desenvolveram oralmente ao longo de séculos, antes de serem incorporadas ao Livro de Gênesis durante o período persa de Judá, onde ajudaram a moldar a identidade judaica posterior ao exílio e foram utilizadas para sustentar reivindicações concorrentes sobre a terra.[13]
O ciclo de Abraão
Estrutura e programas narrativos
O ciclo de Abraão (Gênesis 11:27–Gênesis 25:11) desenvolve-se como uma narrativa de tensão crescente, centrada no conflito entre a promessa de Deus de que Abrão — nome de nascimento de Abraão —[14] geraria uma linhagem e se tornaria ancestral de numerosas nações, e uma sucessão de crises que ameaçam esse compromisso divino. O método narrativo empregado é o "relato de obstáculo", um recurso literário conhecido por sua popularidade duradoura e universal em diferentes culturas e épocas.[15]
O ciclo de Abraão não se estrutura por meio de um enredo unificado, centrado em um conflito e sua resolução ou em um problema e sua solução.[16] Os episódios frequentemente mantêm entre si apenas uma ligação tênue, e a sequência nem sempre é lógica.[17] A narrativa retrata Abraão assumindo gradualmente o papel da pessoa religiosa ideal, em meio aos temas da bênção e da promessa, sobretudo a promessa de descendência e de terra.[18] Esses temas formam "programas narrativos" apresentados em Gênesis 11:27–31, a respeito da esterilidade de Sara, e em Gênesis 12:1–3, no qual Abraão recebe a ordem de deixar sua terra natal em direção à terra que Deus lhe mostraria.[17]
Origens e chamado

Terá, o nono descendente de Noé, foi pai de Abrão, Naor e Harã (em hebraico: הָרָן Hārān).[19] Harã foi pai de Ló, sobrinho de Abrão; a família vivia em Ur dos Caldeus. Harã morreu ali enquanto Terá ainda estava vivo.[20] Abrão casou-se com Sara — então chamada Sarai —, mas, ao contrário de Naor e de sua esposa Milca,[21] o casal não tinha filhos.[22]
Gênesis 11 relata que Terá, Abrão, Sarai e Ló partiram em direção a Canaã, mas se estabeleceram em um lugar chamado Harã (em hebraico: חָרָן Ḥārān), onde Terá morreu aos 205 anos.[23][24]
Em seguida, a narrativa de Gênesis 12 mostra que Deus ordenou a Abrão que deixasse seu país e sua parentela e fosse para uma terra que lhe mostraria; prometeu fazer dele uma grande nação, abençoá-lo, engrandecer seu nome, abençoar aqueles que o abençoassem e amaldiçoar quem o amaldiçoasse. Abrão tinha 75 anos quando deixou Harã com Sarai, seu sobrinho Ló, seus bens e as pessoas que haviam adquirido, seguindo viagem até Siquém, em Canaã.[25] Abrão construiu um altar para Deus em Siquém e, posteriormente, outro altar entre Betel e Ai. Dali, o grupo viajou para o Negueve, isto é, para o sul.[26]
Segundo alguns exegetas, como Nacmânides, Abrão teria nascido em Harã e posteriormente se mudado para Ur, enquanto parte de sua família permaneceu em Harã.[27]
Sarai e o faraó

Houve uma grave fome na terra de Canaã, de modo que Abrão, Ló e suas famílias viajaram para o Egito. No caminho, Abrão pediu a Sarai que dissesse aos egípcios ser sua irmã, para que não o matassem. Quando entraram no Egito, os oficiais do faraó elogiaram a beleza de Sarai diante do faraó, que a levou para o palácio e, em troca, concedeu bens a Abrão. Deus afligiu o faraó e sua casa com pragas, levando-o a procurar a causa do problema.[28] Ao descobrir que Sarai era casada, o faraó exigiu que Abrão e Sarai partissem,[29] escoltando-os até a fronteira.[30]
Separação de Abrão e Ló
Depois de viverem algum tempo no Negueve, após serem expulsos do Egito, e retornarem à região de Betel e Ai, os numerosos rebanhos de Abrão e Ló passaram a ocupar as mesmas pastagens. Isso se tornou um problema para os pastores responsáveis pelo gado de cada família. Os conflitos entre eles tornaram-se tão graves que Abrão sugeriu a Ló que escolhesse uma região separada, à esquerda ou à direita, para que não houvesse desavença entre ambos.[31] Ló decidiu seguir para o leste, em direção à planície do Jordão, cuja terra era bem irrigada em toda parte até Zoar, e habitou nas cidades da planície, perto de Sodoma.[32] Abrão seguiu para o sul, até Hebrom, e estabeleceu-se na planície de Manre, onde construiu outro altar para adorar Deus.[33]
Quedorlaomer

Durante a rebelião das cidades do vale do Jordão, Sodoma e Gomorra, contra Elão, Ló, sobrinho de Abrão, foi aprisionado com toda a sua família pelas forças invasoras elamitas. O exército de Elão viera recolher os despojos de guerra depois de derrotar as tropas do rei de Sodoma.[34] Naquele momento, Ló e sua família estavam estabelecidos nos arredores do reino de Sodoma, o que os tornou um alvo visível.[35]
Uma pessoa que escapou da captura procurou Abrão e lhe contou o ocorrido. Ao receber a notícia, Abrão reuniu imediatamente 318 servos treinados. Suas forças seguiram para o norte em perseguição ao exército elamita, já enfraquecido pela Batalha do Vale de Sidim. Quando o alcançaram em Dã, Abrão elaborou um plano de batalha, dividindo seu grupo em mais de uma unidade, e lançou um ataque noturno. Além de libertarem os cativos, os homens de Abrão perseguiram e mataram o rei elamita Quedorlaomer em Hobá, pouco ao norte de Damasco. Libertaram Ló, sua família e seus bens, e recuperaram tudo o que havia sido levado de Sodoma.[36]
Quando Abrão retornou, o rei de Sodoma saiu para encontrá-lo no Vale de Savé, o "vale do rei". Melquisedeque, rei de Salém — Jerusalém — e sacerdote de El Elyon, trouxe pão e vinho e abençoou Abrão e Deus.[37] Abrão então deu a Melquisedeque o dízimo de tudo. Em seguida, o rei de Sodoma ofereceu-lhe todos os bens, desde que devolvesse seu povo. Abrão recusou-se a aceitar qualquer coisa além da parte à qual seus aliados tinham direito.[38]
Aliança das partes
Algum tempo depois desses acontecimentos,[39] a voz do SENHOR dirigiu-se a Abrão em uma visão, prometendo-lhe uma "recompensa", isto é, um filho, e reiterando a promessa da terra e de descendentes tão numerosos quanto as estrelas.[40] Até então, Abrão não tinha filhos e previa que Eliézer de Damasco, administrador de sua casa, herdaria seus bens após sua morte.[41] Ele seria recompensado em virtude de sua confiança em Deus.[42]
Abrão e Deus realizaram então uma cerimônia de aliança, e Deus falou a Abrão sobre a futura servidão de seu povo "em uma terra que não lhes pertence",[43] em referência ao Egito.[44]:51 Deus descreveu a Abrão a terra que sua descendência tomaria: a terra dos Queneus, Quenezeus, Cadmoneus, hititas, Perizeus, refains, Amorreus, Cananeus, Girgaseus e Jebuseus.[45]
Agar

Abrão e Sarai tentavam compreender como ele se tornaria progenitor de nações, pois, após dez anos vivendo em Canaã, nenhum filho havia nascido. Sarai então ofereceu sua escrava egípcia, Agar, a Abrão, com a intenção de que ela lhe desse um filho.[46]
Quando percebeu que estava grávida, Agar começou a desprezar sua senhora, Sarai. Esta reagiu maltratando-a, e Agar fugiu para o deserto. Um anjo falou com Agar junto a uma fonte no caminho de Sur. Ordenou-lhe que retornasse ao acampamento de Abrão e declarou que seu filho seria "como um jumento selvagem entre os homens; sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante de todos os seus irmãos". Ela deveria chamar o filho de Ismael. Agar então chamou o Deus que lhe falara de "El-Roi" — "Tu és o Deus que me vê", na KJV. A partir daquele dia, o poço passou a chamar-se Beer-Laai-Roi — "o poço daquele que vive e me vê", à margem da KJV — e situava-se entre Cades e Berede. Agar obedeceu, retornou à sua senhora e deu à luz. Abrão tinha 86 anos quando Ismael nasceu.[47]
A aliança da circuncisão
Treze anos depois, quando Abrão tinha 99 anos, Deus apareceu-lhe novamente e o convocou a ser "perfeito" ou "irrepreensível", para que pudesse estabelecer uma aliança com ele.[48] Abrão prostrou-se ou inclinou-se até o chão em sinal de reverência,[49] e Deus lhe deu um novo nome: passaria a chamar-se "Abraão".[50] Abraão significa "pai de uma multidão":[51] ele seria "pai de muitas nações". O novo nome assinala uma nova etapa na vida de Abraão.[44][52]
Abraão recebeu então as instruções de Deus a respeito da circuncisão.[53]
Deus também declarou que o novo nome de Sarai seria "Sara", abençoou-a e disse a Abraão: "Também dela te darei um filho".[54] Abraão voltou a prostrar-se e riu, dizendo em seu coração: "Nascerá um filho a um homem de cem anos? E Sara, aos noventa anos, dará à luz?"[55]
Imediatamente após o encontro de Abraão com Deus, ele mandou circuncidar todos os homens de sua casa, incluindo a si próprio, aos 99 anos, e Ismael, aos 13.[56]
Três visitantes

Pouco depois, durante o calor do dia, Abraão estava sentado à entrada de sua tenda, junto aos terebintos de Manre. Ao erguer os olhos, viu três homens na presença de Deus. Correu até eles e prostrou-se para recebê-los. Abraão ofereceu-se para lavar-lhes os pés e buscar um pedaço de pão, e eles aceitaram. Em seguida, apressou-se até a tenda de Sara e pediu que fossem preparados pães com a melhor farinha; depois, ordenou a um servo que preparasse um novilho escolhido. Quando tudo ficou pronto, colocou coalhada, leite e o novilho diante deles e os serviu sob uma árvore enquanto comiam.[57]
Um dos visitantes disse a Abraão que, quando retornasse no ano seguinte, Sara teria um filho. À entrada da tenda, Sara ouviu o que fora dito e riu consigo mesma diante da perspectiva de ter um filho na idade de ambos. O visitante perguntou a Abraão por que Sara havia rido da possibilidade de dar à luz em idade avançada, pois nada era difícil demais para Deus. Assustada, Sara negou ter rido.[58]
A súplica de Abraão

Após a refeição, Abraão e os três visitantes se levantaram. Acompanhados por ele, caminharam até um ponto elevado com vista para as "cidades da planície", a fim de discutir o destino de Sodoma e Gomorra, cujos pecados eram tão detestáveis e graves que levaram Deus a agir. Em razão da promessa feita a Abraão a respeito de seu destino, Deus revelou o plano de examinar o que aquelas cidades haviam feito e julgá-las.[59] Nesse momento, os outros dois visitantes partiram para Sodoma. Abraão então se voltou para Deus e suplicou-lhe, reduzindo gradualmente o número de cinquenta pessoas para menos: se ao menos dez homens justos fossem encontrados na cidade, Deus não a pouparia? Por causa de dez justos, Deus declarou que não destruiria a cidade.[60]
Quando os dois visitantes chegaram a Sodoma para realizar sua inspeção, pretendiam passar a noite na praça da cidade. Ló, sobrinho de Abraão, encontrou-os e insistiu energicamente para que aqueles dois "homens" se hospedassem em sua casa. Uma multidão reuniu-se diante da residência de Ló e exigiu que ele entregasse os hóspedes para que os homens pudessem "conhecê-los" (v. 5). Ló recusou e ofereceu, em lugar deles, suas filhas virgens, que ainda não haviam "conhecido" homem algum (v. 8). A multidão rejeitou a proposta e tentou arrombar a porta de Ló para alcançar os hóspedes,[61] confirmando assim a perversidade da cidade e prenunciando sua destruição iminente.[62]
Na manhã seguinte, bem cedo, Abraão voltou ao lugar onde estivera diante de Deus. Ele "olhou na direção de Sodoma e Gomorra" e viu o que acontecera às cidades da planície, nas quais nem mesmo "dez justos" haviam sido encontrados (v. 18:32), pois "a fumaça da terra subia como a fumaça de uma fornalha".[63]
Abimeleque

Abraão mudou-se para a região entre Cades e Sur, estabelecendo-se em Gerar,[64] posteriormente associada aos filisteus. Enquanto vivia ali, afirmou publicamente que Sara era sua irmã, e ela confirmou a declaração, levando o rei Abimeleque a mandar buscá-la. Deus então apareceu a Abimeleque em sonho e declarou que tomá-la provocaria sua morte, pois ela era esposa de outro homem. Como Abimeleque ainda não a havia tocado, perguntou se Deus destruiria também uma nação justa, especialmente porque Abraão e Sara haviam afirmado ser irmãos. Deus respondeu que Abimeleque possuía de fato um coração íntegro e que por isso continuava vivo. Contudo, caso não devolvesse a esposa de Abraão, Deus certamente destruiria Abimeleque e toda a sua casa. Abimeleque foi informado de que Abraão era um profeta e oraria por ele.[65]
Na manhã seguinte, Abimeleque contou o sonho a seus servos e procurou Abraão, perguntando por que ele trouxera tamanha culpa sobre seu reino. Abraão respondeu que pensara não haver temor de Deus naquele lugar e que poderiam matá-lo por causa de sua esposa. Em seguida, defendeu que sua declaração não era inteiramente falsa: "E, de fato, ela é minha irmã; é filha de meu pai, embora não seja filha de minha mãe; e tornou-se minha esposa".[66] Abimeleque devolveu Sara a Abraão, presenteou-o com ovelhas, bois e servos e convidou-o a estabelecer-se onde desejasse em suas terras. Além disso, deu a Abraão mil peças de prata para que servissem como reparação pública em favor de Sara. Abraão então orou por Abimeleque e sua casa, pois Deus havia tornado as mulheres inférteis por causa da tomada de Sara.[67]
Seguem-se dois episódios nos quais Abraão e Abimeleque resolvem questões por meio de acordos.[44]:53 Primeiro, Abimeleque, acompanhado por Ficol, comandante de suas tropas, obtém do patriarca o compromisso de que agiria honestamente com ele e seus descendentes, retribuindo o tratamento que Abimeleque afirmava ter dispensado a Abraão.[68] Depois, surge uma questão específica envolvendo um poço cavado por Abraão, mas tomado pelos servos de Abimeleque. Abimeleque e Ficol procuraram Abraão por causa da disputa. Abraão censurou Abimeleque pelos ataques agressivos de seus servos e pela apropriação do poço, mas Abimeleque alegou desconhecer o incidente. Abraão então propôs um pacto e entregou ovelhas e bois a Abimeleque. Para comprovar que havia sido ele quem cavara o poço, deu-lhe também sete cordeiras. Por causa desse juramento, chamaram o lugar de Bersebá. Depois que Abimeleque e Ficol retornaram à Filisteia, Abraão plantou um bosque de tamargueiras em Bersebá e invocou "o nome do SENHOR, o Deus eterno".[69]
Isaac
Conforme fora profetizado em Manre no ano anterior,[70] Sara engravidou e deu um filho a Abraão no primeiro aniversário da aliança da circuncisão. Abraão tinha "cem anos" quando nasceu seu filho, a quem deu o nome de Isaac, e circuncidou-o aos oito dias de idade.[71] Para Sara, a ideia de dar à luz e amamentar uma criança em idade tão avançada também foi motivo de grande riso, e ela declarou: "Deus me deu motivo para rir; e todos os que ouvirem isso rirão comigo".[72] Isaac continuou a crescer e, no dia de seu desmame, Abraão ofereceu um grande banquete para celebrar a ocasião. Durante a comemoração, porém, Sara viu Ismael zombando; essa observação começaria a esclarecer o direito de primogenitura de Isaac.[73]
Ismael

Ismael tinha quatorze anos quando Isaac, filho de Abraão e Sara, nasceu. Ao vê-lo provocando Isaac, Sara pediu a Abraão que expulsasse Ismael e Agar. Declarou que Ismael não participaria da herança de Isaac. Abraão ficou profundamente angustiado com as palavras da esposa e buscou o conselho de Deus. Deus lhe disse que não se afligisse e obedecesse a Sara, assegurando-lhe que "por Isaac será chamada a tua descendência".[74] Também afirmou que faria de Ismael uma nação, "porque é tua descendência".[75]
Na manhã seguinte, bem cedo, Abraão levou Agar e Ismael para fora. Deu-lhes pão e água e os mandou embora. Os dois vagaram pelo deserto de Bersebá até que a água do recipiente se esgotou. Em desespero, Agar começou a chorar. Depois que Deus ouviu a voz do menino, um anjo do Senhor confirmou a Agar que ele se tornaria uma grande nação e viveria "de sua espada". Um poço de água então apareceu e salvou suas vidas. À medida que crescia, Ismael tornou-se um hábil arqueiro e passou a viver no deserto de Parã. Por fim, sua mãe encontrou-lhe uma esposa em seu país de origem, a terra do Egito.[76]
Sacrifício de Isaac

Em algum momento da juventude de Isaac, Deus ordenou a Abraão que oferecesse o próprio filho em sacrifício na terra de Moriá. O patriarca viajou durante três dias até chegar ao monte indicado por Deus. Ordenou então que os servos permanecessem ali enquanto ele e Isaac subiam sozinhos. Isaac carregava a lenha sobre a qual seria sacrificado. No caminho, perguntou ao pai onde estava o animal para o holocausto, e Abraão respondeu: "Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto". No momento em que estava prestes a sacrificar o filho, Abraão foi interrompido pelo anjo do Senhor e viu atrás de si "um carneiro preso pelos chifres em um arbusto", que sacrificou no lugar de Isaac. O local recebeu posteriormente o nome de Jeová-Jiré. Por sua obediência, Abraão recebeu outra promessa de numerosos descendentes e grande prosperidade. Depois disso, voltou para Bersebá.[77]
Últimos anos
Sara morreu, e Abraão a sepultou no Túmulo dos Patriarcas — a "caverna de Macpela" —, perto de Hebrom, que havia comprado juntamente com o campo adjacente de Efrom, o hitita.[78] Após a morte de Sara, Abraão tomou outra esposa, uma concubina chamada Quetura, com quem teve seis filhos: Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Jisbaque e Sua.[79]
Abraão viveu o suficiente para ver Isaac casar-se com Rebeca e presenciar o nascimento dos netos gêmeos Jacó e Esaú. Morreu aos 175 anos e foi sepultado na caverna de Macpela por seus filhos Isaac e Ismael.[80]
Contexto histórico
Historicidade

No início e em meados do século XX, importantes arqueólogos, como William F. Albright e G. Ernest Wright, e estudiosos bíblicos, como Albrecht Alt e John Bright, acreditavam que os patriarcas e as matriarcas eram indivíduos reais ou composições verossímeis de pessoas que teriam vivido na chamada era patriarcal, no segundo milênio a.C.[81] Na década de 1970, porém, novos argumentos sobre o passado de Israel e os textos bíblicos contestaram essas concepções; eles foram apresentados em The Historicity of the Patriarchal Narratives (1974), de Thomas L. Thompson,[82] e em Abraham in History and Tradition (1975), de John Van Seters.[83] Thompson, um estudioso da literatura, fundamentou sua argumentação na arqueologia e em textos antigos. Sua tese concentrou-se na ausência de evidências convincentes de que os patriarcas tivessem vivido no segundo milênio a.C. e observou que certos textos bíblicos refletiam condições e preocupações do primeiro milênio. Van Seters examinou as histórias patriarcais e sustentou que os nomes, o ambiente social e as mensagens nelas presentes sugeriam fortemente que eram criações da Idade do Ferro.[84] As obras de Van Seters e Thompson representaram uma mudança de paradigma nos estudos bíblicos e na arqueologia, levando gradualmente os estudiosos a deixarem de considerar históricas as narrativas patriarcais.[85] Alguns estudiosos conservadores tentaram defender a historicidade dessas narrativas nos anos seguintes, mas essa posição não obteve aceitação acadêmica.[86][87] No início do século XXI, os arqueólogos já haviam abandonado a tentativa de recuperar qualquer contexto que tornasse Abraão, Isaac ou Jacó figuras históricas verossímeis.[88]
Origens da narrativa

A história de Abraão, assim como as dos demais patriarcas, provavelmente teve uma extensa pré-história oral:[89] ele é mencionado no Livro de Ezequiel[90] e no Livro de Isaías.[91] Assim como o de Moisés, o nome de Abraão parece ser muito antigo, pois a tradição preservada no Livro de Gênesis já não compreende seu significado original, provavelmente "o pai é exaltado"; o sentido oferecido em Gênesis 17:5, "pai de uma multidão", constitui uma etimologia popular.[92] Em algum momento, as tradições orais passaram a integrar a tradição escrita do Pentateuco; a maioria dos estudiosos situa essa etapa no período persa, aproximadamente entre 520 e 320 a.C.[93] Os mecanismos pelos quais isso ocorreu permanecem desconhecidos,[94] mas existem atualmente pelo menos duas hipóteses.[95] A primeira, denominada autorização imperial persa, propõe que a comunidade pós-exílica concebeu a Torá como uma base jurídica para funcionar dentro do sistema imperial persa; a segunda sustenta que o Pentateuco foi escrito para estabelecer os critérios de pertencimento à comunidade judaica pós-exílica e definir as estruturas de poder e as posições relativas de seus diferentes grupos, sobretudo o sacerdócio e os "anciãos" leigos.[95]
A conclusão da Torá e sua elevação ao centro do judaísmo pós-exílico envolveram tanto ou mais a combinação de textos antigos quanto a produção de novos; o Pentateuco final baseou-se em tradições preexistentes.[96] No Livro de Ezequiel,[97] escrito durante o exílio — isto é, na primeira metade do século VI a.C. —, Ezequiel, exilado na Babilônia, relata que aqueles que permaneceram em Judá reivindicavam a posse da terra com base na herança de Abraão; o profeta, porém, afirma que eles não tinham direito a ela porque não observavam a Torá.[98] O Livro de Isaías[99] também testemunha a tensão entre o povo de Judá e os judeus pós-exílicos que retornavam — os gôlâ —, declarando que Deus é o pai de Israel e que a história israelita começa com o Êxodo, e não com Abraão.[100] A conclusão inferida dessas e de outras evidências semelhantes — como Esdras–Neemias — é que a figura de Abraão deve ter sido proeminente entre os grandes proprietários de terras de Judá durante e depois do exílio, servindo para sustentar suas reivindicações territoriais contra as dos exilados que regressavam.[100]
Hipótese da origem amorita
Segundo Nissim Amzallag, o Livro de Gênesis apresenta Abraão como tendo origem amorita, argumentando que a procedência do patriarca da região de Harã, conforme descrita em Gênesis 11:31, o associa ao território da pátria amorita. Ele também observa paralelos entre a narrativa bíblica e a migração amorita para o Levante meridional no segundo milênio a.C..[101] Do mesmo modo, estudiosos como Daniel E. Fleming e Alice Mandell argumentaram que o modo de vida dos patriarcas retratado na Bíblia parece refletir a cultura amorita do segundo milênio a.C., tal como atestada por textos da antiga cidade-Estado de Mari, sugerindo que as histórias de Gênesis preservam memórias históricas das origens ancestrais de alguns israelitas.[102][103] Alan Millard sustenta que o nome Abrão é de origem amorita e aparece atestado em Mari na forma ʾabī-rām. Também sugere que o nome do patriarca corresponde a uma forma típica da Idade do Bronze Média, e não de períodos posteriores.[104] Alguns trabalhos identificam Abraão com o chefe amorita Abum e seu filho Ismael com Sumulael.[105][106]
Hipótese da origem cananeia
A mais antiga referência possível a Abraão pode ser o nome de uma cidade do Negueve registrada na inscrição do Portal Bubastita do faraó Sisaque I — o Sisaque bíblico —, designada "Fortaleza de Abraão" (i-bi-ra-ma), o que sugeriria a possível existência de uma tradição sobre Abraão no século X a.C.[107][108] O orientalista Mario Liverani propôs interpretar o nome Abraão como o ancestral epônimo de uma tribo do século XIII a.C., os Raam, mencionada em uma estela de Seti I encontrada em Bete-Seã e datada de cerca de 1289 a.C. A tribo provavelmente vivia na região próxima ou circundante a Bete-Seã, na Galileia, pois a estela se refere a batalhas ocorridas naquela área. Liverani sugeriu que seus integrantes se chamavam "filhos de Raam" (*Banu-Raham), de modo que o ancestral epônimo seria o "pai de Raam" (*Abu-Raham), origem do nome do patriarca Abraão.[109] Israel Finkelstein e Thomas Römer sugeriram que as tradições mais antigas sobre Abraão surgiram na Idade do Ferro — durante o período monárquico — e continham uma história de herói autóctone, pois as referências bíblicas mais antigas a Abraão fora de Gênesis (Ezequiel 33: e Isaías 51:) não indicam uma origem mesopotâmica e apresentam apenas dois temas centrais da narrativa abraâmica: terra e descendência.[110] Finkelstein e Römer consideraram Abraão um ancestral cultuado em Hebrom e propuseram que a tradição mais antiga a seu respeito talvez fosse a do altar que construiu ali.[110]
Tradições religiosas
Abraão ocupa uma posição de grande respeito em três importantes religiões mundiais: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. No judaísmo, é o pai fundador da aliança, a relação especial entre o povo judeu e Deus, da qual deriva a crença de que os judeus são o povo escolhido de Deus. No cristianismo, Paulo de Tarso ensinou que a fé de Abraão em Deus, anterior ao recebimento da Lei mosaica, fez dele o modelo de todos os crentes, judeus ou gentios; no islã, é visto como um elo na cadeia de profetas que começa com Adão e culmina em Maomé.[4]
Segundo a Bíblia, em consonância com a mudança de seu nome para "Abraão", que significa "pai de muitas nações", ele é considerado progenitor de numerosos povos, entre eles os israelitas, ismaelitas,[111] edomitas,[112] amalequitas,[113] quenezeus,[114] midianitas e assírios.[115] Por meio de seu sobrinho Ló, também se relacionava aos moabitas e aos amonitas.[116] Especificamente por intermédio de Jacó, renomeado "Israel" em Gênesis 35:10, surgiriam "uma nação e uma comunidade de nações",[117] e a promessa de que seus descendentes se tornariam uma multidão de povos é mantida na bênção de Jacó a seu neto Efraim, em Gênesis 48:19.
Judaísmo
Na tradição judaica, Abraão é chamado Avraham Avinu (אברהם אבינו), "nosso pai Abraão", indicando que é tanto o progenitor biológico dos judeus quanto o pai do judaísmo, o primeiro judeu.[1] Sua história é lida nas porções semanais da Torá, principalmente nas parashot: Lech-Lecha, Vayerá, Chayei Sarah e Toledot.[118]
Hanan bar Rava ensinou, em nome de Abba Arikha, que a mãe de Abraão se chamava ʾĂmatlaʾy bat Karnebo.[119][c] Hiyya bar Abba ensinou que, na juventude, Abraão trabalhava na loja de ídolos de Terá.[122]
Segundo As Lendas dos Judeus, Deus criou o céu e a terra pelos méritos de Abraão.[123] Após o dilúvio bíblico, Abraão foi o único entre os piedosos a jurar solenemente que jamais abandonaria Deus,[124] estudou na casa de Noé e Sem para aprender os "Caminhos de Deus"[125] e deu continuidade à linhagem do sumo sacerdócio de Noé e Sem, atribuindo o ofício a Levi e à sua descendência para sempre. Antes de deixar a terra de seu pai, foi milagrosamente salvo da fornalha ardente de Ninrode depois de quebrar corajosamente os ídolos dos caldeus.[126] Durante sua permanência em Canaã, Abraão costumava oferecer hospitalidade a viajantes e estrangeiros e ensinava a louvar a Deus e a conhecê-lo àqueles que recebiam sua bondade.[127] Juntamente com Isaac e Jacó, é um daqueles cujo nome aparece unido ao de Deus, pois Deus no judaísmo é chamado Elohei Avraham, Elohei Yitzchak, vEilohei Ya'akov — "Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacó".[128] Também é mencionado como pai de trinta nações.[129]
Mandeísmo
No mandeísmo, Abraão (em mandeu: ࡀࡁࡓࡀࡄࡉࡌ, Abrahim) é mencionado no Livro 18 do Ginza da Direita como patriarca do povo judeu. Os mandeístas consideram que Abraão foi originalmente um sacerdote mandeísta; contudo, divergem dele e dos judeus quanto à circuncisão, que entendem como mutilação corporal e, portanto, proíbem.[130][131][132][133][134]:18,185
Cristianismo

No cristianismo, Abraão é reverenciado como o profeta ao qual Deus escolheu revelar-se e com quem iniciou uma aliança — cf. teologia da aliança.[8][135] Paulo de Tarso declarou que todos os que creem em Jesus — os cristãos — estão "incluídos na descendência de Abraão e são herdeiros da promessa feita a ele".[8] Em Romanos 4, Abraão é elogiado por sua "fé inabalável" em Deus,[136] e Paulo afirma, tanto nessa passagem quanto em Gálatas 3:6, que sua fé foi considerada a base para que fosse "aceito como justo":[137] ele se torna, assim, participante da aliança da graça e capaz de "demonstrar fé no poder salvífico de Cristo".[138][135]
Ao longo da história, líderes eclesiásticos, seguindo Paulo, enfatizaram Abraão como o pai espiritual de todos os cristãos.[139] Agostinho de Hipona declarou que os cristãos são "filhos — ou 'descendência' — de Abraão pela fé"; Ambrósio de Milão afirmou que "por meio de sua fé os cristãos possuem as promessas feitas a Abraão"; e Martinho Lutero recordou Abraão como "um paradigma do homem de fé".[d] afirma: "Santo Agostinho, seguindo Paulo, considera todos os cristãos filhos — ou 'descendência' — de Abraão pela fé, embora 'nascidos de estrangeiros' (por exemplo, em Joan. Ev. [Tratados sobre o Evangelho de João] 108). Santo Ambrósio também afirma que, por meio de sua fé, os cristãos possuem as promessas feitas a Abraão. A partida inicial de Abraão de sua terra natal é interpretada por São Cesário de Arles como uma prefiguração do cristão que abandona o mundo dos hábitos carnais para seguir Cristo. Comentadores posteriores tão diversos quanto Lutero e Kierkegaard recordam Abraão como paradigma do homem de fé."
A Igreja Católica, maior denominação cristã, chama Abraão de "nosso pai na fé" na oração eucarística do Cânone Romano, recitada durante a Missa. Ele também é comemorado nos calendários de santos de várias denominações: em 20 de agosto pela Igreja Maronita; em 28 de agosto pela Igreja Copta e pela Igreja Assíria do Oriente — nesta última com o ofício completo —; e em 9 de outubro pela Igreja Católica e pela Igreja Luterana–Sínodo de Missouri.[140] Na introdução de sua tradução, realizada no século XV, do relato sobre Abraão na Legenda Áurea, William Caxton observou que a vida do patriarca era lida nas igrejas no domingo da Quinquagésima.[141] Abraão é o padroeiro dos profissionais do setor da hospitalidade.[142] A Igreja Ortodoxa o comemora como o "Justo Antepassado Abraão" em duas festas de seu calendário litúrgico. A primeira ocorre em 9 de outubro — nas igrejas que seguem o calendário juliano tradicional, essa data corresponde a 22 de outubro no atual calendário gregoriano —, quando é celebrado juntamente com seu sobrinho, o "Justo Ló". A segunda é o "Domingo dos Antepassados" — dois domingos antes do Natal —, quando é comemorado com outros ancestrais de Jesus. Abraão também é mencionado na Divina Liturgia de Basílio de Cesareia, pouco antes da anáfora, e Abraão e Sara são invocados nas orações pronunciadas pelo sacerdote sobre os recém-casados. Um hino popular, cantado por crianças em muitas escolas dominicais de língua inglesa, é conhecido como "Father Abraham" e destaca o patriarca como progenitor espiritual dos cristãos.[143]
Islã


O islã considera ʾIbrāhīm — Abraão — um elo na cadeia dos profetas que começa com Adão e culmina em Maomé por meio de ʾIsmāʿīl — Ismael.[4] Abraão é mencionado em 35 capítulos do Alcorão, mais vezes do que qualquer outra figura bíblica, com exceção de Moisés.[144] É chamado tanto de hanif — monoteísta — quanto de muslim — aquele que se submete —,[145] e os muçulmanos o consideram profeta e patriarca, arquétipo do muçulmano perfeito e venerado restaurador da Caaba, em Meca.[146][147] A tradição islâmica considera Abraão o primeiro "pioneiro do islã" — também denominado millat ʾIbrāhīm, a "religião de Abraão" — e afirma que seu propósito e sua missão durante toda a vida foram proclamar o unicidade de Deus. No islã, Abraão ocupa uma posição elevada entre os grandes profetas e é chamado Khalīlullāh, isto é, "Amigo de Deus".[148] Ao lado de Ishaq e Yaqub — Isaac e Jacó —, Abraão está entre os homens mais excelentes e honrados aos olhos de Deus.[149][150] Também é mencionado no Alcorão como o "Pai dos Muçulmanos" e apresentado como modelo para a comunidade.[151]
Fé drusa
Os drusos consideram Abraão o terceiro porta-voz (natiq), depois de Adão e Noé, que ajudou a transmitir ao público mais amplo os ensinamentos fundamentais do monoteísmo (tawhid).[6] Também figura entre os sete profetas que, segundo a fé drusa, apareceram em diferentes períodos da história.[152][153]
Fé bahá'í
Os seguidores da Fé bahá'í consideram Abraão uma Manifestação de Deus e o iniciador da religião monoteísta.[5] ʻAbdu'l-Bahá afirma que Abraão nasceu na Mesopotâmia,[154] e Bahá'u'lláh declara que a língua falada por ele quando "atravessou o Jordão" era o hebraico — Ibrání, isto é, "a língua da travessia".[155] Segundo ʻAbdu'l-Bahá, Abraão nasceu em uma família que ignorava a unicidade de Deus.[156] Ele se opôs ao próprio povo, ao governo e até à parentela; rejeitou todos os deuses deles e, sozinho, enfrentou uma nação poderosa.[156] Essas pessoas não acreditavam em um só Deus, mas em muitos, aos quais atribuíam milagres, razão pela qual todas se levantaram contra Abraão. Ninguém o apoiou, exceto seu sobrinho Ló e "uma ou duas outras pessoas sem importância".[156] Por fim, a intensidade da oposição de seus inimigos obrigou-o, profundamente injustiçado, a abandonar a terra natal. Abraão seguiu então para "estas regiões", isto é, para a Terra Santa.[156] Para Bahá'u'lláh, a "Voz de Deus" ordenou que Abraão oferecesse Ismael em sacrifício, a fim de demonstrar aos homens sua firmeza na fé em Deus e seu desprendimento de tudo o que não fosse ele. Além disso, o propósito de Deus seria sacrificá-lo como resgate pelos pecados e iniquidades de todos os povos da Terra.[157]
Nos textos bahá'ís, assim como nos islâmicos, Abraão é frequentemente chamado "Amigo de Deus".[158] ʻAbdu'l-Bahá o descreveu como fundador do monoteísmo.[159]
ʻAbdu'l-Bahá também sugeriu que as "santas manifestações que foram as fontes ou fundadoras dos diferentes sistemas religiosos" estavam unidas e concordavam em propósito e ensinamento, e que Abraão, Moisés, Zaratustra, Buda, Jesus, Maomé, o Báb e Bahá'u'lláh são unos em "espírito e realidade".[160]
Representações artísticas
Pintura e escultura

As pinturas sobre a vida de Abraão tendem a concentrar-se em apenas alguns episódios: o sacrifício de Isaac, o encontro com Melquisedeque, a recepção dos três anjos, Agar no deserto e poucos outros.[e] Além disso, Martin O'Kane, professor de estudos bíblicos, escreve que a parábola do Lázaro que repousa no "Seio de Abraão", descrita no Evangelho segundo Lucas, tornou-se uma imagem icônica nas obras cristãs.[161] Segundo O'Kane, os artistas frequentemente se afastaram da representação literária comum de Lázaro sentado ao lado de Abraão em um banquete no céu e preferiram destacar a "noção um tanto incongruente de Abraão, o mais venerado dos patriarcas, segurando junto ao peito uma criança nua e vulnerável".[161] Diversos artistas inspiraram-se na vida de Abraão, entre eles Albrecht Dürer (1471–1528), Caravaggio (1573–1610), Donatello, Rafael, Philip van Dyck — pintor neerlandês, 1680–1753 — e Claude Lorrain — pintor francês, 1600–1682. Rembrandt — neerlandês, 1606–1669 — produziu pelo menos sete obras sobre Abraão; Peter Paul Rubens (1577–1640), várias; Marc Chagall, ao menos cinco; Gustave Doré — ilustrador francês, 1832–1883 —, seis; e James Tissot — pintor e ilustrador francês, 1836–1902 —, mais de vinte obras sobre o tema.[e]
O Sarcófago de Júnio Basso representa um conjunto de histórias bíblicas, incluindo Abraão prestes a sacrificar Isaac. As cenas esculpidas encontram-se na parte externa de um sarcófago de mármore paleocristão, utilizado no sepultamento de Júnio Basso. Ele morreu em 359. O sarcófago foi descrito como "provavelmente a mais famosa peça isolada da escultura em relevo paleocristã".[162] Originalmente colocado na Antiga Basílica de São Pedro ou sob ela, foi redescoberto em 1597 e encontra-se hoje sob a basílica moderna, no Museo Storico del Tesoro della Basilica di San Pietro — Museu da Basílica de São Pedro —, na Cidade do Vaticano. Sua base mede aproximadamente 4 ft × 8 ft × 4 ft (1,2 m × 2,4 m × 1,2 m).[163]
George Segal criou esculturas figurativas moldando faixas de gaze engessada sobre modelos vivos em sua obra de 1987 Abraham's Farewell to Ishmael. A condição humana ocupava um lugar central em suas preocupações, e Segal utilizou o Antigo Testamento como fonte para suas imagens. A escultura representa o dilema enfrentado por Abraão quando Sara exigiu que ele expulsasse Agar e Ismael. A ternura do pai, a ira de Sara e a aceitação resignada de Agar retratam diferentes emoções humanas. A obra foi doada ao Museu de Arte de Miami após a morte do artista, em 2000.[164]
Iconografia cristã

Abraão pode por vezes ser identificado pelo contexto da imagem – o encontro com Melquisedeque, os três visitantes ou o sacrifício de Isaac. Em retratos individuais, uma espada ou faca pode ser usada como atributo, como nesta estátua de Giovanni Maria Morlaiter ou nesta pintura de Lorenzo Monaco.
Já no início do século III, a arte cristã seguia a tipologia cristã ao tratar o sacrifício de Isaac como prefiguração do sacrifício de Cristo na cruz e de sua memória no sacrifício da missa. Um exemplo é este altar cristão do século XI, gravado com o sacrifício de Abraão e outros sacrifícios considerados prefigurações do de Cristo na Eucaristia.[165]

Alguns dos primeiros escritores cristãos interpretaram os três visitantes como o Deus trino. Assim, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, um mosaico do século V retrata apenas os visitantes sobre um fundo dourado e coloca cópias semitransparentes deles no espaço "celestial" acima da cena. Na arte ortodoxa oriental, a visita constitui a principal forma de representar a Trindade (exemplo). Algumas imagens não incluem Abraão e Sara, como a Trindade de Andrei Rublev, que mostra somente os três visitantes como jovens imberbes sentados a uma mesa.[166]
Literatura
Temor e Tremor — título original em dinamarquês: Frygt og Bæven — é uma influente obra filosófica de Søren Kierkegaard, publicada em 1843 sob o pseudônimo Johannes de silentio — "João do Silêncio". Kierkegaard procurava compreender a angústia que Abraão deve ter sentido quando Deus lhe pediu que sacrificasse o filho.[167] O romance Father Abraham (1935), de W. G. Hardy, narra uma versão ficcionalizada da vida de Abraão.[168] Na coletânea de contos Sarah and After, Lynne Reid Banks conta a história de Abraão e Sara, com ênfase na perspectiva de Sara sobre os acontecimentos.[169]
Música
Em 1681, Marc-Antoine Charpentier lançou o moteto dramático — oratório — Sacrificim Abrahae, H.402–402a–402b, para solistas, coro, instrumentos em duplicação e baixo contínuo.[170] Sébastien de Brossard compôs, entre 1703 e 1708, a cantata Abraham ou le sacrifice d'Isaac.[171]
Em 1994, Steve Reich lançou uma ópera intitulada The Cave. O título refere-se ao Túmulo dos Patriarcas. A narrativa da ópera baseia-se na história de Abraão e de sua família imediata, conforme relatada nos textos religiosos e compreendida por pessoas de diferentes culturas e tradições religiosas.[172]
A faixa homônima do álbum de 1965 Highway 61 Revisited, de Bob Dylan,[173] contém cinco estrofes; em cada uma, alguém descreve um problema incomum que acaba resolvido na Highway 61. Na primeira estrofe, Deus ordena a Abraão que "mate um filho para mim". Deus deseja que o ato ocorra na Highway 61. Abram, nome de nascimento de Abraão, também era o nome do pai de Dylan.[174] Em 2004, a revista Rolling Stone classificou "Highway 61 Revisited" na 364.ª posição de sua lista das 500 melhores canções de todos os tempos.[175]
Árvore genealógica
| Terá | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Sara | Abraão | Agar | Harã | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Naor | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Ismael | Milca | Ló | Iscá | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Ismaelitas | 7 filhos | Betuel | 1ª filha | 2ª filha | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Isaque | Rebeca | Labão | Moabitas | Amonitas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Esaú | Jacó | Raquel | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Bila | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Edomitas | Zilpa | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Lia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| 1.Rúben 2.Simeão 3.Levi 4.Judá 9.Issacar 10.Zebulom 11.Diná | 7.Gade 8.Aser | 5.Dã 6.Naftali | 12.José 13.Benjamim | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Notas e referências
Notas
- ↑ em hebraico: אַבְרָהָם ; romaniz.: Aḇrāhām; em siríaco: ܐܲܒ݂ܪܵܗܵܡ; romaniz.: Aḇrāhām; em árabe: إِبرَاهِيْم; romaniz.: ʔĪbrāhīm
- ↑ Jeffrey 1992, p. 10 escreve: "No NT, Abraão é reconhecido como pai de Israel e do sacerdócio levítico (Hb 7), como antepassado 'legal' de Jesus (isto é, ancestral de José segundo Mt 1) e progenitor espiritual de todos os cristãos (Rm 4; Gl 3:16, 29; cf. também a Visio Pauli)".
- ↑ Variantes nos manuscritos: bat Barnebo, bat bar-Nebo, bar-bar-Nebo, bat Karnebi, bat Kar Nebo. Karnebo — "posto avançado de Nabu" — é atestado como um topônimo teofórico sumério em inscrições em acadiano, incluindo a Pedra Michaux. Referia-se a pelo menos duas cidades distintas na Antiguidade.[120] A tradição rabínica relaciona Karnebo ao termo kar (כר, "cordeiro") do hebraico bíblico, traduzindo-o como "cordeiros puros".[121]
- ↑ Jeffrey 1992, p. 10
- 1 2 Para uma coleção abrangente de ligações para obras de arte sobre Abraão, consulte: «Artwork Depicting Scenes from Abraham's Life». Cópia arquivada em 15 de janeiro de 2025
Referências
- 1 2 3 Levenson 2012, p. 3.
- ↑ Mendes-Flohr 2005.
- ↑ Levenson 2012, p. 6.
- 1 2 3 4 Levenson 2012, p. 8.
- 1 2 3 Smith 2000a, pp. 22, 231.
- 1 2 3 Swayd 2009, p. 3.
- ↑ McCarter 2000, p. 8.
- 1 2 3 Wright 2010, p. 72.
- ↑ Jones, Lindsay (ed.). Encyclopedia of Religion. Vol. 7. Macmillan Reference USA, 2005, pp. 4551–4552.
- ↑ «Tomb of the Patriarchs and Matriarchs (Ma'arat HaMachpelah)». www.jewishvirtuallibrary.org. Consultado em 2 de abril de 2025
- ↑ Ska 2009, pp. 26–31.
- ↑ McNutt 1999, pp. 41–42.
- ↑ Ska 2006, pp. 227–228, 260.
- ↑ Freedman, Meyers & Beck, Eerdmans Dictionary of the Bible ISBN 978-0-8028-2400-4, 2000, p. 10
- ↑ Helyer, Larry R. (1995). «Abraham's Eight Crises». The BAS Library (em inglês)
- ↑ Ska 2009, p. 28.
- 1 2 Ska 2009, pp. 28–29.
- ↑ Berlin & Brettler 2014, p. 9.
- ↑ Freedman, Meyers & Beck, Eerdmans Dictionary of the Bible ISBN 978-0-8028-2400-4, 2000, p. 993
- ↑ Gênesis 11:28
- ↑ Murphy, James G. (1866), A critical and exegetical commentary on the book of Genesis, p. 257, accessed on 4 April 2026
- ↑ Gênesis 11:30
- ↑ Larsson, Gerhard (1983). «The Chronology of the Pentateuch: A Comparison of the MT and LXX». Journal of Biblical Literature. 102 (3): 401–409. ISSN 0021-9231. JSTOR 3261014. doi:10.2307/3261014
- ↑ Gênesis 11:32
- ↑ Gênesis 12:4–6
- ↑ Gênesis 12:7–9
- ↑ Klein, Reuven Chaim (2016). «Nahmanides' Understanding of Abraham's Mesopotamian Origins» (PDF). Jewish Bible Quarterly. 44 (4): 233–240. Cópia arquivada (PDF) em 8 de julho de 2024
- ↑ Gênesis 12:14–17
- ↑ Gênesis 12:18–20
- ↑ Genesis 12:20: Jerusalem Bible (1966)
- ↑ Gênesis 13:9
- ↑ George W. Coats (1983). Genesis, with an Introduction to Narrative Literature. [S.l.]: Wm. B. Eerdmans Publishing. pp. 113–114. ISBN 978-0-8028-1954-3
- ↑ Pagolu, Augustine (1 de novembro de 1998). The Religion of the Patriarchs. [S.l.]: A&C Black. pp. 59–60. ISBN 978-1-85075-935-5 – via Google Books
- ↑ Gênesis 14:8–12
- ↑ Gênesis 13:12
- ↑ Gênesis 14:13–16
- ↑ Noth, Martin, A History of Pentateuchal Traditions (Englewood Cliffs 1972) p. 28
- ↑ Gênesis 14:22–24
- ↑ United Bible Societies, Translation commentary on Genesis 15:1, accessed on 2 April 2026
- ↑ Gênesis 15:1–6
- ↑ Gênesis 15:3
- ↑ Ryle, H. E. (1921), Cambridge Bible for Schools and Colleges on Genesis 15, accessed on 3 April 2026
- ↑ Gênesis 15:13: English Standard Version
- 1 2 3 Whybray, R. N., 4. Genesis, in Barton, J. and Muddiman, J. (2001), The Oxford Bible Commentary, archived on 2 November 2017
- ↑ Zeligs, Dorothy F. (1961). «Abraham and the Covenant of the Pieces: A Study in Ambivalence». American Imago. 18 (2): 173–186. ISSN 0065-860X. JSTOR 26301751
- ↑ «Jewish Encyclopedia, Hagar». Jewishencyclopedia.com. Consultado em 16 de dezembro de 2023. Cópia arquivada em 20 de outubro de 2011
- ↑ Gênesis 16:4–16
- ↑ Gênesis 17:1–2: ESV has "blameless"; cf "perfect" in the KJV and some other translations
- ↑ Barnes, A. (1834), Barnes' Notes on Genesis 17, accessed on 7 May 2026
- ↑ Gênesis 17:5
- ↑ Crossway, Footnote c at Genesis 17:5 in the English Standard Version, accessed on 29 April 2026
- ↑ :51
- ↑ Gênesis 17:10–14
- ↑ Gênesis 17:15–16
- ↑ Gênesis 17:17
- ↑ Gênesis 17:22–27
- ↑ Gênesis 18:1–8
- ↑ Gênesis 18:15
- ↑ Gênesis 18:17–21
- ↑ Gênesis 18:17–33
- ↑ Gênesis 19:1–9
- ↑ Gênesis 19:12–13
- ↑ Gênesis 19:27–29
- ↑ Gênesis 20:1
- ↑ Gênesis 20:1–7
- ↑ Gênesis 20:12
- ↑ Gênesis 20:8–18
- ↑ Gênesis 21:22–24
- ↑ Gênesis 21:25–34
- ↑ Gênesis 17:21
- ↑ Gênesis 21:1–5
- ↑ Gênesis 21:6–7
- ↑ Gênesis 21:8–13
- ↑ Gênesis 21:12
- ↑ Gênesis 21:9–13
- ↑ Gênesis 21:14–21
- ↑ Gênesis 22:1–19
- ↑ Gênesis 23:1–20
- ↑ Gênesis 25:1–6
- ↑ Gênesis 25:7–10, 1 Crônicas 1:32
- ↑ Bright, John (2000). A History of Israel (em inglês). [S.l.]: Westminster John Knox Press. p. 93. ISBN 978-0-664-22068-6
- ↑ Thompson, Thomas L. (1974). The Historicity of the Patriarchal Narratives: The Quest for the Historical Abraham (em inglês). [S.l.]: Gruyter, Walter de, & Company. ISBN 9783110040968
- ↑ Seters, John Van (1975). Abraham in History and Tradition. [S.l.]: Yale University Press. ISBN 978-0-300-01792-2. Consultado em 13 de outubro de 2024. Cópia arquivada em 7 de dezembro de 2024
- ↑ Moore & Kelle 2011, pp. 18–19.
- ↑ Moorey, Peter Roger Stuart (1991). A Century of Biblical Archaeology. [S.l.]: Westminster John Knox Press. pp. 153–154. ISBN 978-0-664-25392-9
- ↑ Dever 2001, p. 98: "There are a few sporadic attempts by conservative scholars to "save" the patriarchal narratives as history, such as Kenneth Kitchen [...] By and large, however, the minimalist view of Thompson's pioneering work, The Historicity of the Patriarchal Narratives, prevails."
- ↑ Grabbe, Lester L. (2007). «Some Recent Issues in the Study of the History of Israel». In: Williamson, H. G. M. Understanding the History of Ancient Israel (em inglês). [S.l.]: British Academy. ISBN 978-0-19-173494-6. doi:10.5871/bacad/9780197264010.001.0001. Consultado em 12 de julho de 2021. Cópia arquivada em 28 de março de 2022.
The fact is that we are all minimalists – at least, when it comes to the patriarchal period and the settlement. When I began my PhD studies more than three decades ago in the USA, the 'substantial historicity' of the patriarchs was widely accepted as was the unified conquest of the land. These days it is quite difficult to find anyone who takes this view.
- ↑ Dever 2001, p. 98 and fn.2.
- ↑ Pitard 2001, p. 27.
- ↑ Ezequiel 33:24
- ↑ Isaías 63:16
- ↑ Thompson 2016, pp. 23–24.
- ↑ Ska 2009, p. 260.
- ↑ Enns 2012, p. 26.
- 1 2 Ska 2006, pp. 217, 227–28.
- ↑ Carr & Conway 2010, p. 193.
- ↑ Ezequiel 33:24
- ↑ Ska 2009, p. 43.
- ↑ Isaías 63:16
- 1 2 Ska 2009, p. 44.
- ↑ Amzallag, Nissim (2023). Yahweh and the Origins of Ancient Israel: Insights from the Archaeological Record. [S.l.]: Cambridge University Press. p. 76. ISBN 978-1-009-31478-7
- ↑ Fleming, Daniel E. (2004). «Genesis in History and Tradition: The Syrian Background of Israel's Ancestors, Reprise». In: Hoffmeier, James K.; Millard, Alan R. The Future of Biblical Archaeology: Reassessing Methodologies and Assumptions. [S.l.]: Eerdmans. pp. 193–232. ISBN 978-0-8028-2173-7. Consultado em 22 de junho de 2024. Cópia arquivada em 5 de dezembro de 2024
- ↑ Mandell, Alice (2022). «Genesis and its Ancient Literary Analogues». In: Arnold, Bill T. The Cambridge Companion to Genesis. [S.l.]: Cambridge University Press. pp. 143–46. ISBN 978-1-108-42375-5. Consultado em 22 de junho de 2024. Cópia arquivada em 8 de junho de 2024
- ↑ Millard, Alan (2024). «Patriarchal Names in Context». Tyndale Bulletin. 75 (December): 155–174. ISSN 2752-7042. doi:10.53751/001c.117657

- ↑ Knauf, Ernst Axel. Ismael. [S.l.: s.n.]
- ↑ Boer, Rients de (2018). «Beginnings of Old Babylonian Babylon: Sumu-abum and Sumu-la-El». Journal of Cuneiform Studies. 70: 53–86. ISSN 0022-0256. doi:10.5615/jcunestud.70.2018.0053
- ↑ McCarter 2000, p. 9.
- ↑ Hendel 2005, pp. 48–49.
- ↑ Liverani, Mario (2014). Israel's History and the History of Israel. [S.l.]: Routledge. p. 25. ISBN 978-1-317-48893-4
- 1 2 Finkelstein, Israel; Römer, Thomas (2014). «Comments on the Historical Background of the Abraham Narrative: Between "Realia" and "Exegetica"». Hebrew Bible and Ancient Israel. 3 (1): 3–23. doi:10.1628/219222714x13994465496820. Consultado em 23 de novembro de 2023. Cópia arquivada em 29 de fevereiro de 2024
- ↑ Gênesis 25:12–18
- ↑ Gênesis 36:1–43
- ↑ Gênesis 36:12–16
- ↑ Gênesis 36:9–16
- ↑ Gênesis 25:1–5
- ↑ Gênesis 19:35–38
- ↑ Gênesis 35:10: ESV
- ↑ Held, Shai (2017). The Heart of Torah: Essays on the Weekly Torah Portion (em inglês). [S.l.]: U of Nebraska Press. ISBN 978-0-8276-1333-1
- ↑ «Bava Batra 91a». www.sefaria.org. Consultado em 8 de março de 2021. Cópia arquivada em 30 de maio de 2015
- ↑ Yamada, Shigeo. "Karus on the Frontiers of the Neo-Assyrian Empire, Orient 40 (2005) Arquivado em 21 maio 2022 no Wayback Machine"
- ↑ "Rashbam on Bava Batra 91a:14:2" Arquivado em 21 maio 2022 no Wayback Machine. http://www.sefaria.org Arquivado em 2 fevereiro 2013 no Wayback Machine. Retrieved 2021-03-08.
- ↑ «Bereishit Rabbah 38». www.sefaria.org. Consultado em 11 de março de 2021. Cópia arquivada em 11 de julho de 2023
- ↑ Ginzberg 1909, Vol I: The Wicked Generations.
- ↑ Ginzberg 1909, Vol. I: In the Fiery Furnace.
- ↑ Jasher 1840, p. 22, Ch9, vv 5–6.
- ↑ Ginzberg 1909.
- ↑ Ginzberg 1909, Vol. I: The Covenant with Abimelech.
- ↑ Ginzberg 1909, Vol. I: Joy and Sorrow in the House of Jacob.
- ↑ Ginzberg 1909, Vol. I: The Birth of Esau and Jacob.
- ↑ Gelbert, Carlos (2011). Ginza Rba. Sydney: Living Water Books. ISBN 978-0958034630. Consultado em 17 de fevereiro de 2022. Cópia arquivada em 16 de março de 2022
- ↑ Lidzbarski, Mark (1925). Ginza: Der Schatz oder Das große Buch der Mandäer. Göttingen: Vandenhoek & Ruprecht
- ↑ Drower, Ethel Stefana (1953). The Haran Gawaita and the Baptism of Hibil-Ziwa. [S.l.]: Biblioteca Apostolica Vaticana
- ↑ Drower, Ethel Stefana (1937). The Mandaeans of Iraq and Iran. [S.l.]: Oxford At The Clarendon Press
- ↑ Smith, Andrew Phillip (2016). John the Baptist and the Last Gnostics: the Secret History of the Mandaeans. [S.l.]: Watkins
- 1 2 Waters, Reid & Muether 2020
- ↑ Romanos 4:20: New International Version
- ↑ Gálatas 3:6: Good News Translation
- ↑ Firestone, Reuven, "Abraham". Arquivado em 9 setembro 2017 no Wayback Machine. Encyclopedia of World History.
- ↑ Jeffrey 1992, p. 10.
- ↑ «Commemorations» (em inglês). Lutheran Church—Missouri Synod. Consultado em 31 de outubro de 2020. Cópia arquivada em 4 de julho de 2019
- ↑ Caxton, William. «Abraham». The Golden Legend. Internet Medieval Source Book. Consultado em 3 de abril de 2014. Cópia arquivada em 13 de agosto de 2011
- ↑ Holweck 1924, p. 7.
- ↑ Smith, Carol (2000b). The Ultimate Guide to the Bible (em inglês). [S.l.]: Barbour. p. 91. ISBN 978-1-57748-824-8
- ↑ Peters 2003, p. 9.
- ↑ Levenson 2012, p. 200.
- ↑ Lings 2004.
- ↑ [Alcorão 2:127]
- ↑ «Khalilullah: The Friend of God». www.answering-islam.org. Consultado em 5 de abril de 2025
- ↑ Alcorão 38:45-47
- ↑ Maulana 2006, p. 104.
- ↑ Alcorão 60:4-6
- ↑ Hitti, Philip K. (2024) [1928]. The Origins of the Druze People and Religion: With Extracts from Their Sacred Writings. [S.l.]: Library of Alexandria. p. 37. ISBN 978-1465546623
- ↑ Dana, Nissim (2008). The Druze in the Middle East: Their Faith, Leadership, Identity and Status. [S.l.]: Michigan University press. p. 17. ISBN 9781903900369
- ↑ ʻAbdu'l-Bahá 2014, p. 10.
- ↑ Baháʼu'lláh 1976, p. 54.
- 1 2 3 4 ʻAbdu'l-Bahá 2014, p. 4.
- ↑ Baháʼu'lláh 1976, p. 23.
- ↑ Smith 2000a, p. 22.
- ↑ ʻAbdu'l-Bahá 1978, p. 22.
- ↑ ʻAbdu'l-Bahá 1912, p. 118.
- 1 2 Exum 2007, p. 135.
- ↑ Rutgers 1993, p. 94–96.
- ↑ Laurie, Annie (2012). «Plaster Cast of the Sarcophagus of Junius Bassus in the Vatican Museum»
- ↑ Abraham's Farewell to Ishmael. George Segal. Miami Art Museum. Collections: Recent Acquisitions.. Retrieved 10 September 2014.
- ↑ «Abraham the Patriarch in Art – Iconography and Literature». Christian Iconography – a project of Georgia Regents University. Consultado em 18 de abril de 2014. Cópia arquivada em 19 de abril de 2014
- ↑ Boguslawski, Alexander. «The Holy Trinity». Rollins.edu. Consultado em 3 de abril de 2014
- ↑ Kierkegaard 1980, pp. 155–156.
- ↑ Allison, W. T. (26 de janeiro de 1935). «Abraham's Quest For God». Winnipeg Tribune. Winnipeg, Manitoba. p. 39. Consultado em 23 de janeiro de 2020. Cópia arquivada em 7 de dezembro de 2019

- ↑ Sutherland, Zena (1980). The Best in Children's Books: The University of Chicago Guide to Children's Literature, 1973–78 (em inglês). [S.l.]: University of Chicago Press. p. 28. ISBN 978-0-226-78059-7
- ↑ Charpentier, Marc-Antoine (1995). Sacrificium Abrahae: H. 402 (em francês). [S.l.]: Editions du Centre de musique baroque de Versailles
- ↑ de Brossard, Sébastien (c. 1708). Cantata: Abraham ou le sacrifice d'Isaac (Sheet music). SdB.69 – via en.opera-scores.com
- ↑ Reich, Steve (1990). «The Cave». stevereich.com. Consultado em 26 de agosto de 2023. Cópia arquivada em 26 de agosto de 2023
- ↑ «Highway 61 Revisited». bobdylan.com. Consultado em 30 de dezembro de 2023. Cópia arquivada em 22 de janeiro de 2021
- ↑ «From Odessa to Duluth: The journey of Bob Dylan's grandparents». Duluth News Tribune. 28 de março de 2022. Consultado em 30 de dezembro de 2023. Cópia arquivada em 30 de dezembro de 2023
- ↑ «Rolling Stone's 500 Greatest Songs of All Time». Rolling Stone. 9 de dezembro de 2004. Consultado em 8 de agosto de 2008. Arquivado do original em 13 de setembro de 2008
Bibliografia
- ʻAbdu'l-Bahá (1978). Barney, Research Department of the Universal House of Justice, ed. Selections from the Writings of 'Abdu'l‑Bahá. Traduzido por Bahá'í World Centre and by Gail, Marzieh. [S.l.]: Baháʼí World Centre
- ʻAbdu'l-Bahá (2014) [1908]. Barney, Laura Clifford, ed. Some Answered Questions Newly revised ed. Haifa, Israel: Baháʼí World Centre. ISBN 978-0-87743-374-3
Este artigo incorpora texto de uma publicação atualmente em domínio público: Some Answered Questions. 2014 - ʻAbdu'l-Bahá (1912). MacNutt, Howard, ed. The Promulgation of Universal Peace. [S.l.: s.n.]
- Baháʼu'lláh (1976). Shogi Effendi, ed. Gleanings from the Writings of Baháʼu'lláh. Traduzido por Shoghi Effendi. Wilmette, Illinois, USA: Baháʼí Publishing Trust. ISBN 0-87743-187-6
- Berlin, Adele; Brettler, Marc Zvi (2014). The Jewish Study Bible 2nd ed. New York, New York: Oxford University Press USA. ISBN 978-0-19-939387-9
- Carr, David M.; Conway, Colleen M. (2010). «Introduction to the Pentateuch». An Introduction to the Bible: Sacred Texts and Imperial Contexts. [S.l.]: John Wiley & Sons. ISBN 978-1405167383
- Dever, William G. (2001). What Did the Biblical Writers Know, and when Did They Know It?: What Archaeology Can Tell Us about the Reality of Ancient Israel. [S.l.]: Wm. B. Eerdmans Publishing. ISBN 978-0-8028-2126-3
- Enns, Peter (2012). The Evolution of Adam. [S.l.]: Baker Books. ISBN 978-1-58743-315-3
- Exum, Jo Cheryl (2007). Retellings: The Bible in Literature, Music, Art and Film. [S.l.]: Brill Publishers. ISBN 978-90-04-16572-4
- Ginzberg, Louis (1909). The Legends of the Jews (PDF). Traduzido por Henrietta Szold. Philadelphia: Jewish Publication Society. Cópia arquivada (PDF) em 9 de outubro de 2022
- Hendel, Ronald (2005). Remembering Abraham: Culture, Memory, and History in the Hebrew Bible. [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-803959-4
- Holweck, Frederick George (1924). A Biographical Dictionary of the Saints. [S.l.]: B. Herder Book Co
- The Book of Jasher. New York: Noah and Gould. 1840
- Jeffrey, David Lyle (1992). A Dictionary of Biblical Tradition in English Literature. [S.l.]: Wm. B. Eerdmans. ISBN 978-0-8028-3634-2
- Kierkegaard, Søren (1980). The Concept of Anxiety: A Simple Psychologically Orienting Deliberation on the Dogmatic Issue of Hereditary Sin. [S.l.]: Princeton University Press. ISBN 978-0-691-02011-2
- Levenson, Jon Douglas (2012). Inheriting Abraham: The Legacy of the Patriarch in Judaism, Christianity, and Islam. [S.l.]: Princeton University Press. ISBN 978-0691155692
- Lings, Martin (2004). Mecca: From Before Genesis Until Now. [S.l.]: Archetype. ISBN 978-1-901383-07-2
- Maulana, Mohammad (2006). Encyclopaedia of Quranic Studies (Set of 26 Vols.). [S.l.]: Anmol Publications. ISBN 978-81-261-2771-9
- McCarter, P. Kyle (2000). «Abraham». In: Freedman, Noel David; Myers, Allen C. Eerdmans Dictionary of the Bible. [S.l.]: Amsterdam University Press. pp. 8–10. ISBN 978-90-5356-503-2
- McNutt, Paula M. (1999). Reconstructing the Society of Ancient Israel. [S.l.]: Westminster John Knox Press. ISBN 978-0-664-22265-9
- Mendes-Flohr, Paul (2005). «Judaism». In: Thomas Riggs. Worldmark Encyclopedia of Religious Practices. 1. Farmington Hills, Mi: Thomson Gale. ISBN 978-0787666118 – via Encyclopedia.com
- Moore, Megan Bishop; Kelle, Brad E. (2011). Biblical History and Israel's Past. Grand Rapids, Mich.: William B. Eerdmans Pub. Company. ISBN 978-0-8028-6260-0. OCLC 693560718
- Peters, Francis Edward (2003). Islam, a Guide for Jews and Christians. [S.l.]: Princeton University Press. ISBN 978-1400825486
- Pitard, Wayne T. (2001). «Before Israel». In: Coogan, Michael D. The Oxford History of the Biblical World. [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-513937-2
- Rutgers, Leonard Victor (1993). «The Iconography of the Sarcophagus of Junius Bassus (review)». Journal of Early Christian Studies. 1 (1): 94–96. ISSN 1086-3184. doi:10.1353/earl.0.0155
- Ska, Jean Louis (2006). Introduction to Reading the Pentateuch. [S.l.]: Eisenbrauns. ISBN 978-1-57506-122-1
- Ska, Jean Louis (2009). The Exegesis of the Pentateuch: Exegetical Studies and Basic Questions. [S.l.]: Mohr Siebeck. ISBN 978-3-16-149905-0
- Swayd, Samy S. (2009). The a to Z of the Druzes. [S.l.]: Rowman & Littlefield. ISBN 978-0810868366
- Smith, Peter (2000a). A Concise Encyclopedia of the Bahá'í Faith. [S.l.]: Oneworld Publications. ISBN 978-1780744803. Consultado em 26 de dezembro de 2020
- Thompson, Thomas L. (2016). The Historicity of the Patriarchal Narratives: The Quest for the Historical Abraham. Berlin/Boston: Walter de Gruyter GmbH & Co KG. ISBN 978-3-11-084144-2
- Waters, Guy P.; Reid, J. Nicholas; Muether, John R. (2020). Covenant Theology: Biblical, Theological, and Historical Perspectives. [S.l.]: Crossway. ISBN 978-1-4335-6006-4
- Wright, Christopher J. H. (2010). The Mission of God's People: A Biblical Theology of the Church's Mission. [S.l.]: Zondervan. ISBN 978-0-310-32303-7
