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Amilina
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A amilina, também chamada polipeptídeo amiloide das ilhotas (IAPP, do inglês islet amyloid polypeptide), é um hormônio peptídico formado por 37 aminoácidos. É sintetizada principalmente pelas células beta das ilhotas pancreáticas e liberada juntamente com a insulina em resposta à ingestão de nutrientes.[1] Seus efeitos complementam os da insulina ao regular a velocidade com que nutrientes e glicose chegam à circulação após uma refeição.
Síntese e secreção
O gene humano IAPP localiza-se no cromossomo 12. A proteína é inicialmente produzida como pré-pro-amilina e passa por clivagens e modificações nas vesículas secretoras das células beta. O peptídeo maduro apresenta uma ponte dissulfeto na porção amino-terminal e uma extremidade carboxila amidada, características importantes para sua atividade biológica.
Amilina e insulina ficam armazenadas nos mesmos grânulos e são cossecretadas quando a glicose e outros nutrientes estimulam a célula beta. A quantidade de amilina liberada é menor que a de insulina, mas segue padrão temporal semelhante. Na diabetes mellitus tipo 1, a destruição das células beta causa deficiência de ambos os hormônios; na diabetes tipo 2, a secreção pode ser alterada com a progressão da disfunção pancreática.[2]
Funções fisiológicas
Depois das refeições, a amilina contribui para limitar elevações rápidas da glicemia por três mecanismos principais: retarda o esvaziamento do estômago, reduz a secreção pós-prandial de glucagon e promove saciedade, diminuindo o tamanho das refeições.[1][3] Ao modular a entrada de nutrientes na circulação, atua de modo complementar à insulina, que favorece sua remoção e armazenamento nos tecidos.
Boa parte da ação sobre saciedade e motilidade gastrointestinal é mediada pelo sistema nervoso central, especialmente por regiões do tronco encefálico acessíveis a sinais circulantes. Os receptores de amilina são complexos formados pelo receptor de calcitonina associado a uma das proteínas modificadoras da atividade do receptor, conhecidas como RAMPs.[4]
Amiloide das ilhotas e diabetes
O nome IAPP deriva de sua capacidade de formar fibras de amiloide. Depósitos de amilina são encontrados com frequência nas ilhotas pancreáticas de pessoas com diabetes mellitus tipo 2, mas não constituem sozinhos a causa da doença. O processo envolve dobramento inadequado e agregação do peptídeo, com formação de oligómeros e fibrilas que podem contribuir para estresse e perda de células beta.[5]
A presença e a extensão dos depósitos variam entre indivíduos e ao longo da doença. Resistência à insulina, maior demanda secretora, fatores genéticos e falhas nos mecanismos de processamento e eliminação proteica podem favorecer a agregação. A associação é objeto de investigação porque a toxicidade parece depender não apenas do amiloide maduro, mas também de intermediários solúveis formados durante o processo.
Uso terapêutico
A pramlintida é um análogo sintético da amilina, modificado para reduzir a tendência à agregação. Nos Estados Unidos, é aprovada como tratamento complementar para determinados adultos com diabetes tipo 1 ou tipo 2 que utilizam insulina nas refeições e não atingem o controle glicêmico desejado apesar da insulinoterapia adequada.[6]
É administrada por injeção subcutânea separada da insulina. Como retarda o esvaziamento gástrico e reduz a ingestão alimentar, exige ajuste cuidadoso da dose de insulina; seu principal risco é hipoglicemia grave quando usada sem a redução indicada da insulina prandial. Náusea é um efeito adverso frequente. A prescrição e o acompanhamento devem ser realizados por profissional de saúde.
Ver também
Referências
- 1 2 Cooper, Garth J. S. (1997). suplemento 2. «Amylin: history and overview». Diabetes Medicine (em inglês). 14: S25–S28. PMID 9212323
- ↑ Lutz, Thomas A. (2005). «Pancreatic amylin as a centrally acting satiating hormone». Current Drug Targets (em inglês). 6 (2): 181–189. PMID 15777188. doi:10.2174/1389450053174551
- ↑ Physiology, Pancreas (em inglês). [S.l.]: NCBI Bookshelf. 2023. Consultado em 14 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 30 de maio de 2026
- ↑ Hay, Debbie L.; Chen, Steve; Lutz, Thomas A. (2015). «Amylin: Pharmacology, Physiology, and Clinical Potential». Pharmacological Reviews (em inglês). 67 (3): 564–600. doi:10.1124/pr.115.010629
- ↑ Westermark, Per; Andersson, Arne; Westermark, Gunilla T. (2011). «Islet amyloid polypeptide, islet amyloid, and diabetes mellitus». Physiological Reviews (em inglês). 91 (3): 795–826. doi:10.1152/physrev.00042.2009
- ↑ «Symlin (pramlintide acetate) prescribing information» (PDF) (em inglês). U.S. Food and Drug Administration. 2019. Consultado em 14 de agosto de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 10 de fevereiro de 2026
