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Agente (gramática)
Texto da Wikipédia (pt), licença CC BY-SA. O BETARUBI mostra o verbete inteiro nesta página — a leitura não continua fora do site.
Em linguística, um agente gramatical refere-se ao papel temático da causa ou iniciador de um evento.[1] O agente é um conceito semântico distinto do sujeito de uma sentença, bem como do tópico. Enquanto o sujeito é determinado sintaticamente, principalmente pela ordem das palavras, o agente é determinado por sua relação com a ação expressa pelo verbo. Por exemplo, na sentença "A menina foi mordida pelo cachorro", menina é o sujeito, mas cachorro é o agente.
A palavra "agente" vem do particípio presente "agens" , "agentis" ("aquele que faz"), do verbo latino "agere", que significa "fazer" ou "criar".
Teoria
Prototipicamente, a situação é denotada por uma sentença, a ação por um verbo na sentença e o agente por um sintagma nominal.
Por exemplo, na frase "Jack chutou a bola", Jack é o agente e a bola é o paciente. Em certas línguas, o agente é declinado ou marcado de alguma outra forma para indicar sua função gramatical. O português não marca a função gramatical de agente de um substantivo em uma frase. Embora certos substantivos possuam uma característica permanente de agente (corredor, chutador, etc.), um substantivo agente não é necessariamente um agente da frase: "Jack chutou o corredor".
Para muitas pessoas, a noção de agência é fácil de compreender intuitivamente, mas difícil de definir: qualidades típicas que um agente gramatical costuma apresentar são ter vontade, ser senciente ou perceber, causar uma mudança de estado ou mover-se. O linguista David Dowty incluiu essas qualidades em sua definição de proto-agente e propôs que o substantivo com o maior número de elementos do proto-agente e o menor número de elementos do proto-paciente tende a ser tratado como o agente em uma frase.[2] Isso resolve problemas que a maioria dos semanticistas enfrenta ao decidir sobre o número e a qualidade dos papéis temáticos. Por exemplo, na frase "Sua energia surpreendeu a todos", "Sua energia" é o agente, mesmo que não possua a maioria das qualidades típicas de um agente, como percepção, movimento ou vontade. Mesmo a solução de Dowty falha para verbos que expressam relações no tempo:
- (1) Abril precede Maio. vs: (2) Maio sucede Abril.
Aqui, o que é agente e o que é paciente deve ser especificado para cada verbo individualmente.
O agente gramatical é frequentemente confundido com o sujeito, mas as duas noções são bastante distintas: o agente baseia-se explicitamente na sua relação com a ação ou evento expresso pelo verbo (ex.: "Aquele que chutou a bola"), enquanto o sujeito baseia-se num título mais formal, utilizando a teoria do fluxo de informação (ex.: "Jack chutou a bola"). Na frase "O menino chutou a bola", o menino é o agente e o sujeito. Contudo, quando a frase é escrita na voz passiva, "A bola foi chutada pelo menino", a bola é o sujeito gramatical, mas o menino continua a ser o agente. Muitas frases em português e outras línguas indo-europeias têm o agente como sujeito.
O uso de alguns verbos transitivos que denotam eventos estritamente recíprocos pode envolver uma fusão de agente e sujeito. Na frase "John conheceu Sylvia", por exemplo, embora John e Sylvia se enquadrem igualmente na definição de proto-agente de Dowty, a co-agente Sylvia é rebaixada a paciente porque é o objeto direto da frase.[3]
Referências
- ↑ Kroeger, Paul (2005). Analyzing Grammar: An Introduction. Cambridge: Cambridge University Press. 54 páginas. ISBN 978-0-521-01653-7
- ↑ Dowty, David. 1991. "Thematic proto-roles and argument selection", Language, 67.3:547-619
- ↑ Givóm, Tom. 2001. Syntax: An Introduction. Volume 1. John Benjamins Publishing Company. p. 131.
