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Abamectina
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A abamectina é um composto químico amplamente utilizado na agricultura e na medicina veterinária como acaricida, inseticida e nematicida, pertencente à classe das avermectinas. Esta substância é produzida através da fermentação da bactéria de solo Streptomyces avermitilis, descoberta pelos cientistas Satoshi Ōmura e William C. Campbell, cujo trabalho nesta área foi reconhecido com o Prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina em 2015. Quimicamente, a abamectina não é uma substância única, mas sim uma mistura de duas avermectinas: a avermectina B1a (que constitui pelo menos 80% da mistura) e a avermectina B1b (que compõe os restantes 20% ou menos), ambas caracterizadas por serem lactonas macrocíclicas de anel de 16 membros. Fisicamente, apresenta-se como um líquido límpido, incolor a levemente amarelada, com baixa solubilidade em água e natureza não volátil.[1][2][3][4][5][6]
O mecanismo de ação da abamectina é neurotóxico, atuando especificamente no sistema nervoso dos invertebrados ao estimular a libertação do ácido gama-aminobutírico (GABA), um neurotransmissor inibitório. Ao ligar-se aos recetores de GABA e aos canais de cloreto regulados por glutamato nas células nervosas e musculares, a abamectina provoca um fluxo excessivo de iões de cloreto para o interior das células, o que resulta na sua hiperpolarização. Este processo interrompe a transmissão de sinais elétricos, levando à paralisia neuromuscular irreversível e, eventualmente, à morte da praga ou parasita. Devido à sua elevada afinidade por estes recetores nos invertebrados e à sua dificuldade em atravessar a barreira hematoencefálica em mamíferos saudáveis, o composto exibe uma toxicidade seletiva, sendo significativamente mais perigoso para insetos e ácaros do que para humanos e outros animais de sangue quente em condições normais de uso.
No contexto agrícola, a abamectina é um pilar no controlo de uma vasta gama de pragas que afetam culturas essenciais, como citrinos, algodão, batata, café, tomate e maçã. É particularmente eficaz contra ácaros, minadores de folhas e nemátodes, sendo aplicada tanto por via foliar como em tratamentos de sementes ou através de iscos, como no caso do controlo de baratas. Para maximizar a sua eficácia, a aplicação deve garantir uma cobertura uniforme das plantas, especialmente na face inferior das folhas, e é frequentemente recomendada a adição de óleo mineral ou vegetal à mistura para melhorar a penetração e a retenção do produto no tecido vegetal. Apesar da sua utilidade, o uso é rigorosamente regulamentado, com intervalos de segurança definidos e limites máximos de resíduos (LMR) estabelecidos para garantir a segurança alimentar.
Em termos de impacto ambiental e segurança, a abamectina é classificada como altamente tóxica para organismos aquáticos, como peixes e microcrustáceos (ex. Daphnia magna), e extremamente perigosa para abelhas e outros insetos polinizadores benéficos. Embora se degrade rapidamente quando exposta à luz solar e apresente uma persistência relativamente baixa no ambiente, a sua elevada toxicidade aguda para a fauna não-alvo exige cuidados extremos durante a aplicação, evitando derivas para corpos de água ou aplicação durante os períodos de maior atividade das abelhas. Em humanos, a intoxicação é rara, mas pode ser fatal em doses elevadas, manifestando-se através de sintomas neurológicos como tremores, convulsões e midríase, o que reforça a necessidade de utilização estrita de equipamentos de proteção individual por parte dos aplicadores.
Referências
- ↑ Campbell, William C., ed. (1989). «Ivermectin and Abamectin». doi:10.1007/978-1-4612-3626-9
- ↑ Dybas, Richard A. (1989). «Abamectin Use in Crop Protection». New York, NY: Springer New York: 287–310. ISBN 978-1-4612-8184-9
- ↑ European Food Safety Authority (EFSA); Anastassiadou, Maria; Arena, Maria; Auteri, Domenica; Brancato, Alba; Bura, Laszlo; Carrasco Cabrera, Luis; Chaideftou, Eugenia; Chiusolo, Arianna; Crivellente, Federica; De Lentdecker, Chloe; Egsmose, Mark; Fait, Gabriella; Greco, Luna; Ippolito, Alessio (agosto de 2020). «Peer review of the pesticide risk assessment of the active substance abamectin». EFSA Journal. 18 (8). PMC 7439425
. PMID 32831947. doi:10.2903/j.efsa.2020.6227 - ↑ Fortes, Elinor (2004). «Parasitologia Veterinária»: 607–607
- ↑ Bai, Shahla Hosseini; Ogbourne, Steven (julho de 2016). «Eco-toxicological effects of the avermectin family with a focus on abamectin and ivermectin». Chemosphere. 154: 204–214. ISSN 0045-6535. doi:10.1016/j.chemosphere.2016.03.113
- ↑ US EPA (Environmental Protection Agency). «Abamectin: Preliminary Ecological Risk Assessment (2004/2017)» (PDF)
