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1718 no Brasil
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1718 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado pela mudança de governador-geral do Estado do Brasil, com a posse de Sancho de Faro e Sousa em Salvador, e pelo início do governo de Bernardo Pereira de Berredo no Estado do Maranhão e Grão-Pará. No extremo sul da colônia, as atividades exploratórias dos bandeirantes paulistas atingiram a região do Mato Grosso, preparando o caminho para a descoberta do ouro do Cuiabá no ano seguinte. Em Minas Gerais, as tensões em torno das Casas de Fundição continuavam a crescer sob o governo do Conde de Assumar.
Eventos
Novos governadores
- Em agosto de 1718, tomou posse em Salvador como novo governador-geral do Estado do Brasil Sancho de Faro e Sousa, substituindo o Marquês de Angeja. Faro e Sousa governaria por um período breve até 1719, quando seria substituído por Vasco Fernandes César de Meneses.[1]
- No mesmo mês, em junho de 1718, Bernardo Pereira de Berredo assumiu o governo do Estado do Maranhão e Grão-Pará (1718–1722), território que abrangia toda a Amazônia portuguesa e o Maranhão. Berredo é especialmente conhecido por ter escrito os Anais Históricos do Maranhão, obra que se tornaria uma das principais fontes primárias sobre a história colonial da Amazônia e do Maranhão nos séculos XVII e XVIII, e que foi publicada em Lisboa em 1749.[2]
Expedições ao Mato Grosso
- Em 1718, uma expedição de bandeirantes paulistas partiu de São Paulo em direção ao extremo oeste, com o objetivo de explorar os rios Cuiabá e Paraguai em busca de ouro e índios. A expedição, liderada por Pascoal Moreira Cabral, instalou um acampamento às margens do rio Cuiabá e, no ano seguinte, confirmaria a existência de ricas lavras auríferas na região, dando início ao ciclo do ouro de Mato Grosso e precipitando a fundação da Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá (atual Cuiabá).[3]
A Diocese do Pará e a expansão da Igreja na Amazônia
- Em 1719 — com preparativos iniciados em 1718 — seria criada a Diocese de Belém do Pará, por bula do papa Clemente XI, desmembrada da Diocese de São Luís do Maranhão. Essa criação, que se tornaria efetiva em 1719, coroou décadas de esforço dos jesuítas e carmelitas que atuavam como a única presença institucional do Estado português nas imensas distâncias da Amazônia. As ordens religiosas — sobretudo os jesuítas da Vice-Província do Maranhão — mantinham aldeias missionárias ao longo do Rio Amazonas e de seus afluentes, onde catequizavam povos indígenas e garantiam mão de obra para as atividades coloniais.[4]
- Os carmelitas, por sua vez, dominavam a rede missionária no interior do Amazonas e no baixo Rio Negro. Em 1718, a Ordem do Carmo mantinha hospícios e missões em Belém, Cametá e várias aldeias ao longo do Amazonas, sendo os principais intermediários entre a administração colonial e os povos indígenas da região.[5]
Quadro político
| Cargo | Titular |
|---|---|
| Rei de Portugal | Dom João V (reinado: 1706–1750) |
| Governador-Geral do Estado do Brasil | Sancho de Faro e Sousa (ago./1718–1719) |
| Governador do Maranhão e Grão-Pará | Bernardo Pereira de Berredo (jun./1718–1722) |
| Governador da Capitania de SP e MG | Pedro de Almeida Portugal e Vasconcelos, Conde de Assumar (1717–1721) |
Ver também
Referências
- ↑ VARNHAGEN, Francisco Adolfo de. História Geral do Brasil. 3. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1927, t. IV.
- ↑ BERREDO, Bernardo Pereira de. Annaes Historicos do Estado do Maranhão. Lisboa: Francisco Luís Ameno, 1749.
- ↑ EDUCABRAS. Mineração no Brasil Colonial. Disponível em: https://www.educabras.com/aula/mineracao-no-brasil-colonial. Acesso em: 2026.
- ↑ DOMINGUES, Ângela. Quando os índios eram vassalos. Lisboa: CNCDP, 2000, p. 78.
- ↑ WILLEKE, Frei Venâncio. Missões Franciscanas no Brasil (1500–1975). Petrópolis: Vozes, 1974, p. 103.

