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Ífis
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Na mitologia grega e romana, Ífis (em grego clássico: Ἶφις; romaniz.: Îphis, gen. Ἴφιδος Íphidos) foi a criança de Teletusa e Ligdo em Creta, nascida mulher e criada como homem, que foi mais tarde transformada pela deusa Ísis num homem.
Mitologia

Segundo Metamorfoses de Ovídio, na cidade de Festo, vivia um homem honrado chamado Ligdo e a sua mulher grávida, Teletusa.[1] Quando a data de Teletusa ter a criança chegava mais perto, Ligdo informou-a do seu desejo de ter um filho, pois o casal não tinha dinheiro para um dote para uma filha. Ele também a avisou, se a criança fosse menina, ela seria morta.[2] Teletusa tentou em vão mudar as ideias do seu marido, mas Ligdo, apesar do seu desespero, permaneceu firme.[3]
No entanto, Teletusa foi visitada no meio da noite pela deusa egípcia Ísis, junto com um grupo de outros deuses: Anúbis, Bastete, Ápis, Harpócrates, Osíris, e a serpente egípcia. Ísis aconselhou a sua seguidora desanimada a desobedecer ás ordens do marido e manter a criança, apesar do seu sexo. Ísis também prometeu ajudar Teletusa e a sua criança em quaisquer problemas futuros.[4] Quando Teletusa deu à luz uma menina, ela escondeu o sexo da criança do seu marido e conspirou com a sua ama para criar a criança como um filho. A criança foi chamada de Ífis, um nome que Teletusa secretamente gostava, pois eram neutro.[5]
Quando Ífis fez 13 anos, Ligdo, ainda ignorante do sexo real de Ífis, organizou que ela se casasse com a filha de Teleste, Iante, que era "elogiada por todas as mulheres de Festo pelo dote da sua beleza sem igual". As duas jovens mulheres, que tinham sido instruídas juntas e partilhavam os mesmo professores, apaixonaram-se.[6] Como descrito por Ovídio, Iante esperou em confiança pela sua união prometida, acreditando que casaria com um homem. Em contraste, Ífis amava Iante sem esperança, carregada com o conhecimento da sua feminilidade. Ífis lamentou-se à deusa Juno e ao deus Himeneu.[7]
Teletusa tentou adiar o casamento, sabendo que iria levar à descoberta do seu truque, mas rapidamente ficou sem desculpas para o adiamento.[8] O dia antes do casamento, Teletusa, agora desesperada, trouxe a sua filha com ela ao templo de Ísis. Juntas, as duas ofereceram as suas joias e rezaram por qualquer tipo de ajuda.[9] Em resposta ás suas preces, o altar moveu-se e as portas do tempo tremeram.[10] Agradada com o presságio, Teletusa deixou o templo com Ífis, encontrando a sua filha transformada.[11]
Depois de ser transformado num homem, Ífis e Teletusa ergueram uma tabuleta no templo para comemorar o milagre. No dia seguinte, Ífis casou-se com Iante numa cerimónia presidida por Juno, Himeneu, e Vênus.[12]
Interpretações
A história de Ífis e Iante é o único relato mitológico de desejo do mesmo-sexo feminino, não apenas em Ovídio, mas em toda a mitologia grego-romana.[13] Se Ovídio desaprovava ou era solidário quanto ao desejo homoerótico feminino tem sido um ponto de contenção.[13] A principal inscrição social neste mito é a necessidade de um herdeiro masculino numa sociedade patriarcal e a inevitável misoginia que isto cria.
A história de Ífis é semelhante à de Leucipo de Festo, Creta, e pode ser uma variante da mesma.[14]

Nota
- ↑ «P. Ovidius Naso, Metamorphoses, Livro 9, linha 4-10». www.perseus.tufts.edu. Consultado em 19 de maio de 2026
- ↑ «P. Ovidius Naso, Metamorphoses, Livro 9, linha 13-21». www.perseus.tufts.edu. Consultado em 19 de maio de 2026
- ↑ «P. Ovidius Naso, Metamorphoses, Secção 9, linha 21-27». www.perseus.tufts.edu. Consultado em 19 de maio de 2026
- ↑ «P. Ovidius Naso, Metamorphoses, Secção 9, linha 28-53». www.perseus.tufts.edu. Consultado em 19 de maio de 2026
- ↑ «P. Ovidius Naso, Metamorphoses, Secção 9, linha 58-69». www.perseus.tufts.edu. Consultado em 19 de maio de 2026
- ↑ «P. Ovidius Naso, Metamorphoses, Secção 9, linha 80-82». www.perseus.tufts.edu. Consultado em 19 de maio de 2026
- ↑ «P. Ovidius Naso, Metamorphoses, Secção 9, linha 93-105». www.perseus.tufts.edu. Consultado em 19 de maio de 2026
- ↑ «P. Ovidius Naso, Metamorphoses, Secção 9, linha 154-162». www.perseus.tufts.edu. Consultado em 19 de maio de 2026
- ↑ «P. Ovidius Naso, Metamorphoses, Livro 9, linha 163-179». www.perseus.tufts.edu. Consultado em 19 de maio de 2026
- ↑ «P. Ovidius Naso, Metamorphoses, Livro 9, linha 180-194». www.perseus.tufts.edu. Consultado em 19 de maio de 2026
- ↑ «P. Ovidius Naso, Metamorphoses, Secção 9, linha 190-195». www.perseus.tufts.edu. Consultado em 19 de maio de 2026
- ↑ «P. Ovidius Naso, Metamorphoses, Secção 9, linha 203-206». www.perseus.tufts.edu. Consultado em 19 de maio de 2026
- 1 2 «Naturalized Desires and the Metamorphosis of Iphis». muse.jhu.edu. Consultado em 19 de maio de 2026
- ↑ «Antoninus Liberalis, Metamorphoses (Ant.Lib.)». printed work (em inglês). Consultado em 19 de maio de 2026
Referências
- Publius Ovidius Naso, Metamorphoses traduzido por Brookes More (1859-1942). Boston, Cornhill Publishing Co. 1922. Versão online (inglês)
- Publius Ovidius Naso, Metamorphoses. Hugo Magnus. Gotha (Germany). Friedr. Andr. Perthes. 1892. Texto em latim.

